Garotas de 11 a 17 anos que usam a internet reportam maior exposição a conteúdos de violência e de auto dano – que incentivam comportamento que podem ser prejudiciais ao corpo, como cortes ou dietas agressivas – do que garotos, aponta a pesquisa TIC Kids Online Brasil – 2019 Crianças e adolescentes, lançada nesta terça-feira (23/6). O levantamento, comandado pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br), é anual e busca compreender como a população jovem utiliza a internet e lida com os riscos e as oportunidades decorrentes desse uso.

Segundo a publicação, foram relatados contatos com “cenas de violência ou com muito sangue” (27% das meninas e 17% dos meninos); “formas para ficar muito magro(a)” (21% e 10%, respectivamente); “cometer suicídio” (22% e 9%); “machucar a si mesmo” (18% e 7%); e “experiências ou uso de drogas” (13% e 8%).

Em relação a assuntos de teor sexual, os garotos de nove a 17 anos dizem terem recebido mais esse tipo de material (16% das meninas e 20% dos meninos) e visto mais vídeos relacionados sobre o mesmo tema (12% e 18%, respectivamente).

Em contrapartida, meninas de 11 a 17 anos foram as que mais relataram já terem recebido pedidos para enviarem “foto ou vídeo em que apareciam peladas” (13% das meninas e 8% dos meninos).

“A pesquisa não avaliou se essa exposição foi uma situação de risco ou apenas um canal usado para se informar sobre o tema. Mas mesmo não sabendo o contexto, não deixa de ser um ponto de atenção”, alerta a coordenadora da TIC Kids Online, Luisa Adib.

“A gente tem no ambiente online a reprodução de aspectos socioculturais que ocorrem fora da internet. Assim, é preciso olhar esses dados sobre a perspectiva do direito, do uso seguro da rede, da melhor mediação parental e do papel da escola e da comunidade sobre essa situação”, recomenda.

O tratamento ofensivo online também aparenta atingir mais o gênero feminino, com 31% das garotas, entre nove a 17 anos, relatando o ocorrido, em contraste aos 24% dos garotos da mesma faixa etária. Quando isso acontece, os colegas são os principais interlocutores para os quais contam o ocorrido. Os dados apontam que, entre ambos os gêneros, 10% das vítimas desabafaram a amigos da mesma idade; 9% aos responsáveis; 5% a irmãos e primas; 5% a adultos que confiam; 2% a outros parentes e adultos; 1% aos professores; e 1% para outra pessoa. Contudo, merece destaque o fato que 6% não relataram o ocorrido para ninguém.

“Isso revela a necessidade de criar espaços de diálogo sobre o que se faz online. Um ambiente para compartilharem essas experiências. Pode ser na escola ou outros locais”, sugere Adib.

Habilidades para uso

Sobre o uso da internet, a última edição da pesquisa revela três milhões de crianças e adolescentes não-usuários da web, ou seja, que não acessaram a rede nos últimos três meses, e 1,4 milhões que nunca a acessaram. Além disso, 4,8 milhões, entre nove e 17 anos, vivem em domicílios sem acesso à conexão (18% dessa população), sendo as menores taxas presentes no Norte e Nordeste (795).

Dos jovens usuários, 58% acessam à internet exclusivamente pelo celular. A maioria assistiu a vídeos, programas, filmes ou séries (83%); fez pesquisas para trabalhos escolares (76%); usou redes sociais (68%) e baixou músicas e vídeos (59%).

Em relação aos seus pais, a população de 15 a 17 anos acredita saber mais sobre a web do que seus responsáveis (77%); seguida daqueles entre 13 a 14 anos (67%); e 11 a 12 anos (52%).

Já sobre habilidades, entre todos os jovens entrevistados, 60% garantem saber mudar as configurações de privacidade das redes sociais e 67% sabem verificar se uma determinada informação encontrada é verdade ou não.

O levantamento ouviu 2.954 crianças e adolescentes entre nove a 17 anos e 2.954 pais ou responsáveis de todas as regiões do Brasil. As entrevistas foram pessoais, com abordagem face a face, e aplicação de questionário online, sendo realizadas entre outubro de 2019 a março de 2020.

Veja mais:
Cresce o número de crianças e jovens que acessam a internet para lerem notícias, aponta pesquisa

Crédito da imagem: semenovp –iStock

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