Desde o seu lançamento, em 2009, o Instituto Claro vem buscando formas de contribuir com uma educação capaz de envolver, com o auxílio das TICs, alunos e educadores que hoje vivenciam a cultura digital. As práticas inovadoras, como destaca Carime Kanbour, vice-presidente da instituição, não surgem somente nas escolas. Podem estar em outros espaços da sociedade, pois a capacidade de inovar e empreender está ao alcance de todos. Nesta entrevista, Carime faz um balanço do caminho trilhado pelo Instituto nesses dois anos, a serem completados no dia 30 de março, e da busca incessante pela melhoria do trabalho, visando resultados cada vez mais efetivos para a educação, tão indispensável ao desenvolvimento humano e social.

Carime Kanbour em evento do Claro Curtas

De que maneira o Instituto tem contribuído para o debate e o fomento de uma educação inovadora no Brasil?

Carime Kanbour – O que o Instituto Claro se propôs a fazer e tem buscado concretizar é transformar práticas inovadoras de aprendizagem em uma realidade no dia a dia da sociedade. Muitas instituições e o próprio governo têm se mobilizado nesse sentido, pois sabe-se hoje que temos jovens com perfil de colaboração, acesso à tecnologia e comportamento diferente do que se tinha como referência de educação. A gente conhece o comportamento do jovem e sabe do desafio do professor, que é entender essa dinâmica, incorporar novas práticas e acreditar que é possível ensinar de forma diferente. Então, o que o Instituto tem feito é um intenso mapeamento dessas práticas, além de estimular iniciativas inovadoras e tentar mostrar que é possível torná-las realidade.

O empreendedorismo foi inserido na causa do Instituto após uma observação, durante seu primeiro ano de atuação, do contexto em que estão inseridos os educadores que buscam inovar. Como vem sendo o trabalho com mais esse pilar?

Carime – Percebemos nesse mapeamento de práticas de aprendizagem, que é constante no trabalho da nossa equipe, que a concretização das mesmas depende muito da atitude de uma única pessoa, que costuma ser um educador que quer fazer diferente e que acredita em uma metodologia inovadora. A questão é que essa atitude inovadora não surge em um contexto sempre propício a isso, onde basta colocar a ideia em prática. Não, o educador tem que empreender aquilo, acreditar na ideia e transformá-la na sua realidade. Vimos, então, que o conceito do intraempreendedorismo, que é justamente ter uma atitude empreendedora em qualquer coisa que você realize, e não apenas quando se fala de negócios lucrativos, estava muito alinhado ao que defendemos e incentivamos. Abraçamos esse conceito e estamos sempre tentando mostrar para o educador que ele é um empreendedor e por quê.

Como os educadores têm percebido essa mudança de enfoque do Instituto?

Carime – O que ainda falta é o educador se perceber como um empreendedor, e o contrário também. E aí falamos de um público com o qual antes não tínhamos tanta proximidade, que é o empreendedor social, e que passou a fazer muito sentido para a nossa atuação quando percebemos que a aprendizagem inovadora, ao extrapolar os limites da escola, chega a outros profissionais que não são necessariamente professores. Queremos estimular esse empreendedor social a se enxergar como alguém que faz diferença e que vai impactar na questão da aprendizagem.

Trata-se de um desafio para o Instituto Claro trabalhar esse autorreconhecimento dos seus públicos?

Carime – Sem dúvida este é hoje um grande desafio e uma meta para o nosso terceiro ano de trabalho. Queremos mostrar ao educador que ele é um empreendedor, sim, e que fazer a diferença depende de uma atitude dele. E, ao empreendedor social, evidenciar o quanto ele contribui para o desenvolvimento da comunidade. Os dois públicos podem melhorar a educação, a sociedade, e precisam ter convicção disso.

Desde a sua fundação, o Instituto Claro se mostra atento às possibilidades da cultura digital para a educação e apoia iniciativas por meio do seu Prêmio. O que destacaria de mais relevante nesses dois anos?

Carime – O Prêmio é fundamental para fazermos um mapeamento das iniciativas no Brasil do que é realidade nesta cultura digital para a aprendizagem e para o desenvolvimento comunitário. O mais relevante, partindo desta segunda edição, foi o fato de a iniciativa conseguir abranger quatro níveis de projetos, o que foi refletido na premiação, quando tivemos, entre os vencedores, iniciativas com foco na sala de aula, no empreendedorismo social, outra voltada a ambientes educacionais que prezam por uma educação lúdica e, ainda, um projeto voltado para toda a sociedade digital. Nossa equipe ficou realmente muito contente por termos vertentes completamente diferentes, mas que estão mostrando como as TICs podem influenciar no comportamento da sociedade, na aprendizagem e no desenvolvimento comunitário.

Parcerias e apoios a organizações alinhadas à causa do Instituto Claro foram firmados para a concretização de iniciativas na área de educação, como Fronteiras da Educação, Viagem do Conhecimento, MobileFest etc. Qual a importância dessas parcerias, principalmente no que diz respeito à ampliação da rede? 

Cartilha construída a partir de parceria entre o Instituto Claro e a ONG Fronteiras da Educação

Carime – Essas parcerias são fundamentais para conseguirmos mostrar que a causa do Instituto e toda a nossa missão já estão no nosso dia a dia. Trata-se quase de uma decodificação, pois queremos deixar claro para as pessoas que pensar a educação inovadora é uma prática normal e só falta embalar esse conceito. No Instituto, identificamos oportunidades por meio das quais podemos expressar a nossa causa. No ano passado, por exemplo, desenvolvemos a cartilha “Tecnologias na escola” em parceria com o Fronteiras da Educação. Para isso, convidamos Carlos Seabra, especialista no assunto, e fizemos palestras com professores do Rio Grande do Sul mostrando como a tecnologia pode agregar à escola e como pode estar presente na aprendizagem. Depois, tivemos muita demanda de pessoas que queriam receber esse material: instituições, escolas e até de uma rádio do Rio Grande do Norte que estava abordando a tecnologia digital entre os seus profissionais. Achamos curioso chegar a esse nível, mas é exatamente porque é muito tênue a fronteira do material de instrução que serve para a escola e para a comunidade, pois lidamos todos com a cultura digital.

A curto e médio prazo, o quanto o Instituto Claro pretende ampliar a sua contribuição a esta causa, trabalhando a importância da educação inovadora e empreendedora que contempla as TICs?

Carime – Nos fazemos todos os dias a pergunta “Como podemos contribuir mais?”, pois trabalhamos para intensificar a mudança da realidade social e a apropriação das TICs para uma aprendizagem mais inovadora e para o desenvolvimento social. Esse questionamento se reflete no nosso trabalho diário, quando revisamos permanentemente o portal para observar se estamos passando o conteúdo da melhor forma, se o portal está colaborativo, ou quando reavaliamos o Prêmio e nossos outros projetos. Nesta segunda edição do Prêmio, por exemplo, enxergamos que valia termos duas modalidades, mais focadas em comunidade e em aprendizagem, e vimos também que precisamos auxiliar pessoas dispostas a trabalharem com as TICs a usarem todo o potencial das mesmas para os seus projetos. Vamos fazer isso na terceira edição. No projeto Claro Curtas, a mesma coisa: percebemos que o projeto merecia uma reformulação para que a iniciativa se tornasse mais transformadora, pudesse alcançar educadores em escolas, ONGs, pontos de cultura. Estamos lançando a terceira edição no dia 30 de março muito mais como uma plataforma educativa, e não somente como um festival de curta metragem. Estamos permanentemente nos perguntando como fazer nossas ações mais efetivas para alcançar melhores resultados.

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