O papel do professor no processo de inserção das novas tecnologias de informação e comunicação na educação é considerado fundamental nas discussões relacionadas ao uso das TICs em sala de aula. Ao educador cabe a tarefa de incorporar a tecnologia ao dia a dia dos alunos, pensando de que maneira ela pode trazer benefícios para os processos de ensino e aprendizagem.

Estudantes de pedagogia apontam que o contato com a tecnologia muda a forma de se enxergar pedagogicamente as ferramentas

Neste Dia dos Professores, o Instituto Claroconversou com coordenadores de cursos de pedagogia e com alguns futuros professores para saber como a nova geração está sendo preparada para entrar em sala de aula nos próximos anos. “Acredito que sairemos da faculdade aptos a utilizar as tecnologias em sala de aula”, avalia Giovana Rondon, 21 anos. A estudante do terceiro ano de pedagogia da PUC-SP aponta o contato extensivo de sua geração com a tecnologia como fator importante na maneira de encarar o seu uso na prática docente.

A professora Maria Anita Martins, uma das coordenadoras do curso da instituição, compartilha desse ponto de vista: “Com certeza, a maior parte dos alunos está saindo preparado para utilizar as TICs. Eles já chegam equipados para a sua manipulação e seu uso no plano das atividades cotidianas. Suas cabeças já estão voltadas para a utilização das TICs”.

Maria Anita aponta o que atualmente constitui o papel fundamental do curso na formação de seus alunos. “Nós repercutimos aqui na universidade essas informações que eles já possuem. Promovemos a discussão e o compartilhamento desses conhecimentos.”

Repensando o currículo

O curso de pedagogia da PUC foi reformulado há cinco anos para contemplar essas necessidades e, atualmente, conta com disciplinas específicas de tecnologia, nas quais são trabalhadas as referências teóricas mais recentes, que aliadas a aulas práticas no laboratório de informática, permitem uma formação geral e ampla das TICs para a educação. Parte da aprendizagem é realizada à distância com o apoio do Moodle (ambiente virtual de aprendizagem), de maneira que os estudantes tenham acesso às potencialidades da ferramenta e possam propor um curso à distância.

Segundo Giovana, “a indagação do curso é de como usar e em que momentos usar”. A aluna conta que a discussão das novas tecnologias é recorrente durante o curso, em qualquer disciplina, inclusive nas que não têm esta temática como questão central. Contudo, analisa que o curso poderia trabalhar melhor o uso das tecnologias da web 2.0. Amanda Souza, 21 anos, do quarto ano de pedagogia, acrescenta que falta ainda explorar mais a parte prática do uso das TICs. “Discutimos filosofia e o quanto seria bom usar a tecnologia na educação hoje, mas ficamos só no conceito”, afirma ela, que acredita que não vai ter muita noção de TICs ao deixar a universidade.

Preenchendo lacunas

Na PUC, o curso de pedagogia foi reformulado há cinco anos para contemplar as TICs

Por perceber a necessidade de se aprimorar, Elaine Cestari, 25 anos, foi fazer um curso de mídias e fotografia no Senac. Aluna do quarto ano de pedagogia, já tem graduação em sociologia e dá aulas no ensino médio. “O mundo se transformou, não dá para a gente continuar estático, engessado. As crianças traziam muito desse mundo da tecnologia e da internet para dentro da sala de aula. E eu pensei: ‘Já que eles curtem tanto, vou procurar entender melhor para trazer para a minha aula, para que seja mais didática. Dá mais trabalho, mas é muito legal para eles’”, afirmou.

Para Maria das Graças Nascimento, coordenadora do curso de pedagogia da UFRJ, a facilidade dos atuais alunos de pedagogia em transitar nesse meio tecnológico constitui um diferencial dessa nova geração de professores. Porém, ela defende que “a aula inovadora depende mais do conhecimento do professor a respeito de aula do que de seu conhecimento em relação às TICs. Saber tudo de mídia e nada de aula não vai dar em aula boa”.

Uma vez que a opção é pelo uso da tecnologia para tornar o ensino mais atraente, planejamento e formação são fundamentais, destaca Maria Bernadette Rodrigues, coordenadora do curso de pedagogia da UFRGS. “Quando a escola tem um laboratório de informática, os alunos chegam e a primeira coisa que querem fazer é mexer nas redes sociais, baixar música, ver vídeos. É a formação que o professor recebeu durante o curso que vai impedi-lo de travar nessa hora e permitir que ele explore o potencial educativo dessa vontade de interação dos alunos”, afirmou.

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