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“Aplicative-se”: educação começa a perceber a força dos aplicativos nos processos de aprendizagem

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por Giulliana Bianconi
26 MAIO 2011
No Colégio Israelita do Brasil (RS), os tablets já estão presentes em classes do ensino fundamental
De gadget prático para a leitura de revistas, jornais e livros a forte candidato a substituto do PC. A ascensão dos tablets se deve, em grande parte, ao impressionante mercado de aplicativos para aparelhos móveis que, desde 2008, com a abertura da primeira loja virtual especializada nesses softwares, vem apresentando uma profissionalização e uma diversificação que fazem crer que é impossível que não exista ao menos um aplicativo capaz de facilitar a vida de cada um de nós.

Com o caráter de serviço que muitos adquirem, os apps deixam de ser apenas entretenimento ou uma nova interface para um editor de texto ou para uma planilha que pode ser acessada em qualquer lugar. Vinculados à mobilidade, são tudo isso e mais. “Na educação, eles representam a possibilidade de trabalhar um conjunto de competências que não são contempladas por outras ferramentas”, afirma Monica Timm de Carvalho, diretora-geral do Colégio Israelita Brasileiro (RS), que há pouco mais de um mês coordenou a implementação dos tablets em classes do ensino fundamental da instituição gaúcha.

Timm afirma que a instituição sempre entendeu a importância de utilizar as TICs na educação. “Somos do tempo da tartaruguinha”, diz, entre risos, referindo-se ao personagem característico do ambiente LOGO. Sobre as competências que são potencializadas nos primeiros anos educacionais pelos tablets com aplicativos que fazem parte de um programa pedagógico da escola, ela destaca o trabalho em equipe, a interação da criança com o conteúdo apresentado e a capacidade de compor histórias. “Explicamos o desafio, colocamos o tablet ao centro e eles fazem tudo em equipe.”

Alunos interagem mais com o uso dos tablets
Um dos desafios é possível com o uso de um aplicativo que transforma as fotos tiradas em sala de aula em quebra-cabeças virtuais. Os alunos montam as fotos, que podem ser deles mesmos. Outro aplicativo permite que desenhos feitos por estudantes em sala sejam fotografados e agrupados e, em cima deles, seja construída uma história que precisa “linkar” todos os desenhos. “Trabalhamos expressão plástica, ordenação de sequência lógica, oralidade, narrativa. Isso tudo com uma interação incrível entre alunos de cinco anos de idade”, diz a diretora. O trabalho vai tão bem que mais dez tablets chegarão em breve à escola. Os professores e a pedagoga multimeios estão agora em busca de aplicativos que se encaixem no ensino médio.

Geração e mercado que pensam a mobilidade

Os jovens da Fundação Bradesco de Osasco desenvolveram um aplicativo que ajuda deficientes visuais
A geração que aos cinco anos já tem aula com tablets em sala de aula vai encontrar um mercado de aplicativos para lá de avançado. Menos de três anos após a primeira loja de aplicativos surgir, a Apple já oferece aos usuários de seus equipamentos mais de 300 mil apps. O Google, que desenvolve e apoia o desenvolvimento para o sistema Android, disponibiliza mais de 200 mil.

Com todo esse mercado, o interesse dos jovens vai além do uso. O professor Luiz Francisco Teixeira, que orienta trabalhos de estudantes do curso técnico de informática da Fundação Bradesco de Osasco, conta que o interesse por desenvolver aplicativos nos projetos finais vem aumentando expressivamente. “Neste ano, eles devem responder por 40% de todos os trabalhos.” Ainda em sala de aula, os estudantes têm contato com empresas do mercado. Em um workshop, a empresa parceira apresentou todas as possibilidades dos seus aparelhos e até adiantou alguns lançamentos que fariam em meses para permitir que os alunos pudessem pensar em aplicativos para os novos telefones.

Na Febrace deste ano, Teixeira expôs, com duas equipes selecionadas para a feira de engenharia e ciências da USP, projetos de aplicativos que ele orientou. Um destes, o “Liberty Vison”, é um app de acessibilidade para deficientes visuais. “A tecnologia permite ganhos para toda a sociedade, e procuramos ter este olhar aqui na Fundação”, afirma o educador. A proposta do aplicativo, que traz um leitor de QR Code, é dar mais autonomia às pessoas com deficiência visual. “Neste caso, os aplicativos leem etiquetas com QR codes e indicam cor, tamanho. O projeto é inicialmente para roupas, mas isso pode servir para um universo de coisas. Pode ser útil, por exemplo, em livrarias”, diz Teixeira.



O padrão conectado e o uso do “tempo livre”

O uso dos aplicativos por todas as faixas etárias, com diversas finalidades, aponta que eles já estão estabelecidos na linha de frente da cultura digital e que reforçam a tendência de estarmos sempre interagindo nos ambientes virtuais por meio da tecnologia digital móvel. Mas de que forma isso impacta o nosso dia a dia? Para Alexandre Matias, editor do caderno de cultura digital Link, do jornal “O Estado de S. Paulo”, os aplicativos tendem a radicalizar a nossa noção de tempo, além da percepção do estar conectado. Ele defende que a tendência para os próximos anos é não notarmos que estamos online.

*Colaborou Marcelo Modesto



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