Promover mostras de robótica com alunos, no estilo das feiras de ciências, é uma ferramenta de aprendizagem eficiente. Esta é a opinião do coordenador do Núcleo de Robótica e Tecnologias Assistivas da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Eduardo Bento Pereira. O projeto capacita professores da rede pública mineira e cede kits para o uso da robótica em sala de aula.

“A proposta da mostra é possibilitar que o aluno explique sobre os robôs criados para familiares e amigos. O que percebemos é que o fato de ele ensinar ajuda a fixar ainda mais o que aprendeu durante o processo”, justifica o engenheiro.

Pereira compartilhou suas experiências na palestra “Metodologias de ensino para robótica educacional livre“, ocorrida na Campus Party, em 31 de janeiro de 2018. “Outras opções são propor aos alunos desafios e competições, como a dança de robôs. Além da parte tecnológica, há uma produção artística: essas máquinas são caracterizadas e os alunos sincronizam seus movimentos com os deles”, descreve o professor.

Formas de aproximação

O medo da robótica e da matemática ainda assusta os discentes. Para driblar esse preconceito inicial, Pereira recomenda trabalhar com os estudantes em laboratórios antes de partir para a parte de mecânica, de eletrônica e de programação. “Por exemplo, explicamos os primeiros conceitos de fazer um programa usando bolinhas coloridas no laboratório, que possuem diversos tamanhos e os símbolos impressos de mais e menos “, ensina.

Além disso, para envolver os alunos que não possuem gosto pela matemática e física no projeto, o professor recomenda a aproximação pelo design. “Muitos estudantes gostam de pensar a parte estética do robô, como moldá-lo, que materiais utilizar, entre outros”, indica.

Pereira também observou que os alunos possuem mais facilidade em programar com Arduíno do que os professores. Para os docentes, ele recomenda os materiais gratuitos disponibilizados pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Um exemplo é o DuinoBlocksforKids (DB4K), linguagem visual baseada em blocos para programação de placas Arduino.

Educação inclusiva

O Núcleo de Robótica da UFSJ trabalha atualmente em parceria com secretarias municipais e grupos de capacitação de professores de outras universidades federais. Em São João del-Rei, o time desenvolve ainda um projeto de educação inclusiva por meio da robótica, em parceria com o curso de psicologia.

“Nos casos dos alunos disléxicos ou com dificuldade de aprendizagem, sugerimos que, ao final do curso de um semestre, eles demonstrem o que aprenderam por desenhos e figuras que representam um fluxograma do funcionamento do robô. Percebemos que é mais eficiente do que a linguagem escrita”, revela.

Já os alunos com Síndrome de Down aprendem com mais facilidade na companhia de um adulto montando outro robô separadamente. “É comum o aluno com Down pensar que as peças são apenas para brincar. Quando ele vê outra pessoa exercendo a atividade, ele consegue compreender o objetivo do desafio proposto”, explica. “Alunos com Down também precisam de peças especiais, já que muitos não conseguem utilizar os dedos como pinça. Eles também se atraem por peças coloridas e com texturas diferentes”, complementa.

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