Sala de aula invertida e rotação por estações são duas modalidades de ensino híbrido que podem ser utilizadas em qualquer disciplina e etapa da educação básica. Contudo, ao ensinar ciências para o ensino fundamental 2 de uma escola da rede estadual no município de Itu (SP), o professor Carlos Eduardo Jiupato identificou uma preferência dos alunos pela segunda modalidade. Os achados fizeram parte da sua pesquisa no Mestrado Profissional em Educação Escolar da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), defendida em 2019.

Nos estudos de Jiupato, a rotação por estações foi escolhida para as aulas sobre puberdade e conservação dos alimentos. A sala de aula invertida foi utilizada para discutir Aids e o uso dos microrganismos na produção de alimentos. “Optei por ambos porque trabalhei sozinho e eles não exigiam mudanças significativas na dinâmica escolar”, conta.

Segundo ele, a rotação por estações apresentou mais elementos motivacionais, como a sensação de aprender. “Isso porque um mesmo conteúdo é trabalhado por meio de tarefas diversificadas”, relata.

“Além disso, os estudantes têm certa autonomia na execução das atividades e há a sensação de pertencimento, já que trabalham em grupos e é necessário debate e a colaboração”, acrescenta.

Sobre essa modalidade de ensino, a única dificuldade foi a falta de estrutura tecnológica da escola. “Contra isso, dividi os alunos em grupos para que compartilhassem o uso dos computadores”, assinala.

Melhorando o engajamento

Já na sala de aula invertida, o docente sugeriu vídeos e encaminhou textos do livro didático para os estudantes que não possuíam acesso à internet em casa. Segundo ele, houve menor engajamento.

“Penso que ainda há exposição de conteúdo e o aluno tem que prestar atenção e fazer anotações, o que é muito próximo de uma aula expositiva tradicional”, opina.

Mas é possível deixar a sala de aula invertida um pouco mais interessante? Apesar dos percalços, Jiupato acredita que sim.

“Faça um bom trabalho de curadoria do material que será utilizado para a inversão da aula. É necessário, também, que as atividades da parte presencial sejam significativas, não se limitando a um simples quiz ou avaliação”, pondera.

Para ele, é importante também conversar com os alunos antes de propor o conteúdo a ser estudado em casa.

“Ainda é do senso comum que o professor ‘dá’ a aula e que esta ocorra na sala da escola, com carteiras enfileiradas e o aluno em uma atitude totalmente passiva, ouvindo e anotando. Assim, esclareça que agora eles trabalharão com uma proposta que exigirá um papel mais ativo e que o professor está ali para mediar a aprendizagem”, recomenda.

Mão na massa

No caso específico das atividades por rotações, é necessário dosar o grau de dificuldade do que será proposto.

“Não sendo nem muito fácil, nem excessivamente difícil. Para completar, conscientize-os para que se dediquem as tarefas e não percam tempo com conversas alheias ao tema”, reforça.

Aliar os conteúdos com atividades práticas também pode melhorar o engajamento nas duas modalidades. “Se a escola tiver, use também o laboratório de ciências. Os estudantes gostam de aprender com a mão na massa, principalmente nesta faixa etária do ensino fundamental”, garante.

Atualizada em 14/10/20, às 18h31

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