Nem todos os alunos aprendem de forma igual. Alguns podem ter mais facilidade com informações expositivas, outros com dispositivos tecnológicos, por exemplo. Pois o princípio do ensino híbrido é aliar o melhor dos dois mundos – conteúdo presencial e online – para proporcionar uma aula que atinja a todos. O assunto foi tratado na plaestra “Ensino Hibrido: uma proposta de mediação, personalização e formação docente”, ocorrido no IV Congresso Brasileiro de Recursos Digitais na Educação, nesta quinta-feira (18/8).

“A tecnologia é usada para que aprendizagem ocorra de forma personalizada. O objetivo não é simplesmente substituir o caderno pelo tablet, mas o professor saber dosar os momentos em que a tecnologia é ótima e os momentos em que uma boa palestra ajuda”, resumiu a pesquisadora Lilian Bacich no encontro.

Ensino híbrido na prática

Segundo a professora de Tecnologia Educacional do Colégio Dante Alighieri de São Paulo, Verônica Martins Cannatá, o primeiro passo para o ensino híbrido é o professor se perguntar qual aprendizagem que ele deseja alcançar. Na sequência, a pergunta deve ser qual experiência ele deseja proporcionar aos seus alunos e a listagem de seus recursos. “O professor pode dispor de vídeo, livro didático, dramatização, aplicativos e outros coisas. Ele faz a curadoria e vê uma forma de integrar esses materiais”, destacou.

O ideal é que as formas diversificadas de abordar o mesmo conteúdo ocorram simultaneamente, não de modo sequencial. Isso garante que toda a turma seja envolvida na aula. Para isso, os alunos podem ser divididos em diferentes estações de trabalho.

Mas e o ensino híbrido exige que o professor prepare uma aula diferente para cada aluno? A resposta é não. “A personalização significa respeitar o momento em que o aluno se encontra. O aluno que ainda não domina a tabuada do sete não pode avançar para a do oito. Mas o aluno que já domina a do oito, e está na mesma sala, pode receber outros materiais”, explicou. O ideal é identificar as potencialidades e as dificuldades dos alunos e dividi-los em grupos.

O trabalho em pares e em grupo, aliás, é outra característica do ensino híbrido. “Usar tecnologia em sala de aula não é dar um tablet para cada aluno. É legal pensar estratégias e novas sequência didáticas em grupos, pois os alunos também aprendem com seus pares. Caso contrario, estarei apenas trocando o caderno pelo digital”, pontuou Verônica.

Uma aula de ensino híbrido também pode contar com a ajuda inicial de um professor de informática ou de tecnologia nos primeiros momentos. “Quem dará o tom da aula é o professor da disciplina, a tecnologia vem para acrescentar”, esclareceu ela.

Fim da “média”

Para explicar a importância da personalização, Lilian lembrou de um episódio ocorrido nas forças aéreas estadunidenses na década de 40. O número de acidentes era significativo e havia pilotos que não conseguiam tomar decisões rápidas. Foi então que o professor da Escola de Educação de Harvard, Todd Rose, foi chamado para entender o problema. Ele descobriu que a cabine dos aviões era projetada a partir da média da altura, peso e outras características físicas dos pilotos. Contudo, dos quatro mil pilotos em atividade, nenhum possuía todos os dez quesitos estipulados da média geral.

 “Ou seja, a cabine que era projetada para a média de pilotos, na prática, não servia a ninguém. O mesmo princípio vale para a educação. É preciso deixar de olhar a média para olhar para as bordas, afim de incluir todos os alunos. E a tecnologia ajuda nesse processo, pois permite a personalização da aprendizagem e o protagonismo do aluno”, finalizou.

 Para conhecer mais sobre ensino híbrido, confira os conteúdos disponibilizados gratuitamente pela Fundação Lemann sobre o assunto.

Veja mais: 

– Escolas conectadas e gameficação são destaques no uso do digital na aula
– Jogos e desafios ajudam a driblar medo da matemática
– José Moran: “Uma boa aula é onde o professor ouve mais e fala menos”

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