Mandala, segundo a definição etimológica, é uma palavra que vem do sânscrito e significa círculo. “Seus desenhos simétricos representam de objetos culturais a terapêuticos, encontrados nas civilizações hindu, nativa-americana, na arte-sacra e na psicologia analítica”, lista a professora de matemática do ensino fundamental e médio da rede estadual de São Paulo, Helaine Pereira da Silva. Em sua dissertação de mestrado, ela pesquisou o uso da mandala africana como estratégia para o ensino de simetrias.

“Além deste tópico, é possível encontrar muita geometria na mandala, como construção de polígonos regulares, divisão de ângulos, inscrição e circunscrição de polígonos e até mesmo no ciclo trigonométrico”, assinala.

Mandala usada para estudo de simetria
Mandala usada para estudo de simetria (crédito: reprodução)

Na sequência didática pensada pela docente, professor e classe começam definindo juntos os conceitos de simetria de reflexão, rotação e translação. Na sequência, observam como eles podem estar presentes na mandala africana. “É importante explorar os saberes prévios dos alunos sobre o tema. Eles já podem ter visto algo sobre o assunto na disciplina de artes, por exemplo”, orienta.

Os estudantes podem aplicar os conceitos de simetria debatidos em seus próprios desenhos. Primeiramente, Silva recomenda o uso do software aberto e gratuito ‘Geogebra’. Depois, é possível criar mandalas com régua e compasso. “Sobre o Geogebra, é importante conhecer os comandos e ferramentas básicas do programa antes de apresentá-lo aos alunos. Há uma grande variedade de tutoriais mostrando suas aplicações em sala de aula que estão disponíveis na internet”, garante a professora.

Descolonização

Segundo Silva, o grande benefício da atividade é aprofundar as simetrias em uma abordagem diferente da adotada pelos livros-didáticos. “Permite uma discussão crítica acerca do conceito geométrico e do contexto cultural em que o desenho está inserido”, conta.

Nessa linha, ela destaca a importância de trazer a mandala como adereço étnico, mas também de debater o domínio cultural e científico dos colonizadores brancos sobre outros povos. O apagamento dos usos desses desenhos para finalidades além da estética foi consequência desse processo. “Isso permite abordar o movimento chamado de descolonização, que se baseia no resgate das contribuições dos povos africanos”, explica a professora.
Com isso, a proposta de Silva procura atender à lei federal nº 11.465/08, que inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. “Também desenvolve as competências gerais 5, 9 e 10 da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a habilidade EF07MA21”, contextualiza.

De acordo ainda com a docente, o tema das mandalas pode render um projeto interdisciplinar com os professores de artes, história e geografia. “A intenção é que a mandala gere reflexões, cabendo a nós, professores, desmitificar a matemática e mostrá-la como uma ciência voltada a discutir e resolver problemas humanos”, afirma.

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