História oral é um método de pesquisa que se baseia em entrevistas sobre experiências de vida. “Ela permite o acesso às lembranças sobre eventos que essas pessoas entrevistadas protagonizaram e testemunharam, bem como à forma como diferentes sujeitos se constroem narrativamente”, descreve o historiador, comunicólogo e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ricardo Santhiago.

A ferramenta pode servir para coleta de dados, pesquisa e valorização de identidades de comunidades. “Ela pressupõe e assimila outras técnicas de pesquisa, já que uma boa entrevista de história oral deve ser precedida por pesquisa documental e bibliográfica. Também implica a necessidade de observar com um senso aguçado e exige a produção de notas de campo”, esclarece.

Entre os benefícios, o saber transmitido pelas fontes orais pode se contrapor ao de outras fontes de pesquisa, como a mídia. Ainda segundo Santhiago, com as falas das pessoas, o aluno aprende muitas coisas. Porém, o próprio exercício de pesquisa em história oral é também um aprendizado.

“Na sala de aula, o docente pode incorporar o método como uma das estratégias de ensino acopladas aos conteúdos de diferentes disciplinas. Em outra dimensão, ela ajuda no desenvolvimento de habilidades ligadas à comunicação, curiosidade, iniciativa, empatia, pensamento crítico e consciência histórica”, enumera ele, que é autor do livro “História oral na sala de aula”, em parceria com Valéria Barbosa de Magalhães.

A ferramenta ainda trabalha a criticidade. “Participam educador, estudantes e sociedade, cada um oferecendo seu saber específico, na construção de um saber compartilhado”, resume.

Processo em etapas

Para usar a história oral como recurso pedagógico, Santhiago recomenda que o professor se questione como os testemunhos colhidos se distinguem de outras fontes de informação em sua aula. “Além disso, é importante pensar como as condições de produção da entrevista têm influência sobre aquilo que é narrado”, completa.

A metodologia não se reduz à mera gravação da entrevista. “O processo começa com pesquisas bibliográficas e documentais, para a elaboração de um roteiro geral, que será adaptado para cada entrevistado. Então, vem a fase em que se identificam os possíveis entrevistados e se realizam os primeiros contatos. Por fim, vem o agendamento da entrevista, que envolve a negociação de diversos aspectos com o entrevistado”, ilustra.

Depois da entrevista, são necessários coleta de termos de autorização de uso, transcrição e edição do que foi captado, análise do seu conteúdo e digitalização de materiais complementares, como fotografias.

“Mesmo que essas etapas sejam simplificadas, é importante que os alunos tenham conhecimento delas para entenderem a complexidade envolvida na produção de uma fonte de conhecimento”, orienta.

Escolha dos entrevistados

A história oral pode ser usada em conteúdos de qualquer disciplina e de forma interdisciplinar. Orientações, contudo, podem ser dadas aos alunos. “O coração desse método é a entrevista; e o da entrevista, é a escuta. Dentro do projeto conduzido pelo educador, os narradores podem ser os mais diversos, mas os estudantes devem oferecer a todos escuta atenta e atenção plena. Contar a própria história não é uma atividade trivial”, ensina.

Algumas vezes, a turma pode saber exatamente quem precisa ser ouvido e as figuras centrais para a resolução do problema de pesquisa. Em outras, pode ser levada a escolher os narradores que estão mais próximos ou mais disponíveis para narrar. “São duas técnicas válidas”, indica.

Outra alternativa é escolher os entrevistados pelo “princípio da rede”. Nele, contata-se primeiramente as pessoas que se acredita deter um conhecimento acumulado sobre o grupo estudado ou o assunto em questão. Na sequência, pede-se a elas a sugestão de novos nomes.

“Em geral, uma fonte vai abrindo caminho para a outra, fazendo contatos prévios que facilitam a próxima interação”, destaca.

“Ao fim da pesquisa, teremos uma rede de entrevistados que não foi escolhida arbitrariamente, mas que se reconhece como parte de uma mesma comunidade de sentido”, finaliza.

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Crédito da imagem: Larisa Glushkova

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