Os museus são um importante espaço de aprendizagem informal. “Eles têm como função dialogar com a sociedade sobre a realidade presente, valorizando a memória preservada. A ideia é que os indivíduos possam se apropriar, valorizar e preservar seu patrimônio para que transformem e construam o futuro da sociedade”, explica a doutora em educação e fundadora da Percebe Educa, Maria Paula Correia.

Além disso, as temáticas e conteúdos diversificados que cada museu trata possibilitam às crianças e aos jovens o contato com objetos e realidades diferentes. “Por exemplo, em museus históricos, o aluno terá contato com objetos que são diferentes de outros espaços educacionais. O mesmo vale para os museus de artes, de ciências, entre outros”, complementa.

Mas a relação do brasileiro com os museus ainda está em construção. Por um lado, as instituições vinculadas ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) receberam, em 2017, um total de 1.223.113 visitantes – um aumento de 16% em relação ao ano anterior. Para completar, três exposições brasileiras apareceram no ranking das mais visitadas no mundo em 2017, de acordo com levantamento anual da publicação inglesa “The Art Newspaper”.

Contudo, segundo o levantamento do Ibram “Panorama Museus no Brasil de 2010”, 78,9% dos 5.500 municípios brasileiros ainda não possuem esse tipo de instituição cultural. “Pensando nas crianças e nos jovens que estão longe dos grandes centros, isso é um problema, já que os museus mostram que a história não está tão longe”, analisa o diretor de relações institucionais da Federação de Amigos de Museus do Brasil (Feambra), Nelson Colás.

Concorrência

Mas o que ainda afasta os brasileiros dos museus? Para Correia, a falta de hábito ainda é uma razão. “Uma pesquisa da Fecomercio do Rio de Janeiro sobre os hábitos culturais dos brasileiros mostrava que o cidadão consome cultura, mas de outras áreas que não os museus. Apesar do número ter crescido, os museus ainda concorrem com cinema, shows, espetáculos de teatro e dança”, pontua.

Segundo ainda a pesquisadora, há outras questões que afastam o público, como o valor dos ingressos, o estereótipo do museu só ‘trazer coisa velha’, a dificuldade de entender o espaço também como um entretenimento, a falta de divulgação das exposições e até os prédios, que não acolhem os visitantes.

“A Pinacoteca do Estado de São Paulo entrevistou a população do seu entorno e notou que as pessoas não sabiam que era possível entrar naquele prédio. As pessoas imaginavam que o prédio era muito suntuoso para eles”, revela. “No caso dos museus pequenos e de cidades menores, se ele não tiver uma gama variada de atividades, a pessoa vai uma vez, conhece a exposição permanente e não volta mais. Por isso, há uma preocupação do museu oferecer diversas atividades educativas, oficinas, programação de férias, exposições temporárias, entre outros”, assinala.

Aproximação pela escola

A escola tem um papel importante nessa aproximação do estudante com o museu. “As pesquisas do Observatório de Museus e Centros Culturais mostram que, não raro, a primeira e única experiência do cidadão com o museu é na escola. E que também é comum a criança ou o jovem gostar e levar os pais em outros momentos. Ou seja, o aluno traz a família também”, revela.

De acordo com Colás, os professores são importantes nessa consolidação do hábito de frequentar museus. “Ainda vemos, por exemplo, o professor levando o aluno ao museu e pedindo para ele tomar nota de coisas para uma prova. Essa relação não será prazerosa”, explica. “Ou ainda educadores transmitindo aos jovens informações erradas. Por exemplo, que Dom Pedro I morou no Museu Paulista (o Museu do Ipiranga)”, adverte.

Tanto professores quanto organizadores dos museus também podem pensar em atrair as crianças e jovens a partir de atividades simples e que não exigem muitos custos e tecnologias. “Por exemplo, certa vez, elaboramos uma atividade em uma exposição de imagens de manifestações que os jovens deveriam escolher um gesto com o qual se identificassem, reproduzir em uma selfie e postar na sua rede social com uma hashtag e explicando o porquê. Ao final, foi possível fazer uma atividade muito rica com o que coletamos”, exemplifica Correia.

Por fim, no caso das crianças e jovens que residem em cidades sem museus, uma alternativa é apresentar aos alunos as instituições que disponibilizam seus acervos online. No Brasil, esse é o caso dos museus Afro Brasil, Museu da Imigração, Museu Paulista, Pinacoteca, entre outros.

Saiba mais:
Cartilha traz dicas de como alinhar conteúdo curricular às visitas aos museus
Mediador cultural ajuda a aproximar público das especificidades das exposições

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