“Faça você mesmo”. Essa é a base do movimento maker, que convida os alunos a aprenderem por meio de experimentações em laboratórios. Além de se tornarem responsáveis pelo seu próprio aprendizado, os estudantes são estimulados a usarem a criatividade, o pensamento lógico e o trabalho em grupo para resolverem os mais diversos tipos de problemas.
Paulo Blikstein é professor na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e responsável por implantar os chamados Fab Labs (fabulous laboratory ou laboratório fabuloso) ao redor do mundo. Esses espaços são construídos sob medida para a aprendizagem de crianças e jovens, sendo equipados com impressora 3D, cortadora a laser e instrumentos de robótica. A seguir, Blikstein aponta sete vantagens de integrar a cultura maker ao currículo escolar. Confira!
Articula teoria e prática
As atividades em laboratórios são elaboradas para a experimentação vir primeiro, e a teoria depois. “Por exemplo, você pode explicar em 15 minutos como se dá a diluição de uma substância na água. No laboratório, os alunos observam, lidam com o erro e vivenciam o fenômeno, para depois partirem para a teoria. Isso faz toda a diferença”, assinala Paulo.
O tempo é otimizado
Enquanto uma aula teórica pode ser rápida, a experimentação exige tempo para que os alunos possam colocar a mão na massa e traçar inferências. Por esse motivo, um currículo aliado à cultura maker exige menos conteúdo e mais tempo para uma prática de qualidade.
As habilidades são compartilhadas
Cada aluno tem um jeito diferente de abordar um problema. Nas atividades maker, as potencialidades de todos são valorizadas por meio do trabalho em grupo. “Há estudantes que gostam de planejar antes de fazer. Outros preferem experimentar primeiro e irem lidando com os erros. Um aprende com o outro”, destaca o pesquisador.
O erro leva à reflexão
Muita gente acredita que quanto mais os alunos mexem no experimento, mais eles aprendem. Blikstein explica que não é bem assim.  “É comum, quando o experimento não funciona, o aluno querer desfazer tudo e começar do zero. O professor deve orientá-lo a identificar o que não está funcionando e atacar esse problema em específico. Isso exige reflexão”, orienta.
O protagonismo intelectual está presente 
Quando as atividades maker estão aliadas ao currículo, não há o risco de acontecer o que Blikstein chama de “síndrome do chaveiro”. “O aluno baixa um arquivo da internet, que pode ser um chaveiro ou um personagem de desenho animado, imprimi na impressora 3D e leva para casa. Ou seja, houve uma atividade, mas sem reflexão”, descreve. “Uma aula maker planejada incentiva o protagonismo intelectual dos estudantes”, defende.
O acesso é democrático

Quando uma atividade maker acontece no contraturno da escola, selecionam-se – direta ou indiretamente – os alunos que irão participar. Já quando a prática está aliada ao currículo, toda a sala tem acesso ao laboratório. “Geralmente, é o aluno que não teve contato com atividades maker e que não se julga interessado no assunto o que será mais beneficiado”, assinala.

O aluno se aproxima da ciência

Uma atividade maker leva o estudante a seguir alguns princípios científicos, como: fazer perguntas e definir problemas; planejar e usar modelos; realizar investigações; analisar e interpretar dados; usar matemática e pensamento computacional; desenhar soluções; argumentar a partir de evidências e comunicar a informação.
Paulo Blikstein em oficina para professores durante o 1º. Festival de Invenção e Criatividade, em 22/03/2017 (Crédito: Leonardo Valle)
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