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Saúde e bem-estar são temas presentes em diferentes conteúdos escolares. Quando o assunto é postura, professores e estudantes precisam prestar atenção ao fato de permanecerem muito tempo em uma mesma posição, ainda mais durante as aulas remotas, já que, nem sempre, esse ambiente está preparado para essa finalidade.

“Às vezes, eles adotam posições que não seriam as mais adequadas, sustentadas por muito tempo: as crianças sentadas e os docentes sentados também ou em pé”, afirma a professora do curso de fisioterapia da Universidade de São Paulo (USP), Sílvia Maria Amado João.

“Uma sugestão para o educador é que ele ofereça aos alunos atividades mais lúdicas e com movimento. Então, ele pode sugerir que a criança faça algum tipo de brincadeira, mas com movimento, para que ela não tenha que ficar 3, 4 horas na frente de uma tela”, acrescenta.

Atividade em escola pública leva noções de postura por meio de brincadeiras (crédito: acervo Projeto Coluna Feliz)

Coordenadora do projeto “Coluna Feliz”, que reúne graduandos de diferentes cursos para ações em escolas da região do Butantã, em São Paulo (SP), a professora explica que os docentes costumam sofrer com dores nas costas, pescoço, braços e pernas.

Entrevistada neste podcast, a especialista traz dicas para evitar problemas de postura na hora de conduzir ou preparar as aulas. Ainda no áudio, a aluna do 4º ano de fisioterapia da USP, fala sobre a importância dos professores estimularem atividades lúdicas, mesmo que o conteúdo seja passado a distância. Para isso, o grupo criou a cartilha “Como brincar em casa?”.

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“É importante lembrar dar pausas, a cada uma hora é o ideal. Algumas dessas brincadeiras podem ser feitas durante esse tempo, para evitar que as crianças fiquem um longo período na mesma posição”, ressalta.

Ver transcrição do áudio

Música: “Flight To Tunisia” – Causmic, de fundo

Silvia João:
Às vezes eles adotam posturas que não seriam as mais adequadas ou você teria uma postura sustentada por muito tempo: as crianças sentadas e os professores sentados ou, às vezes, também na postura em pé. O problema maior é ficar muito tempo na mesma posição.

Meu nome é Silvia João, professora do curso de fisioterapia da Universidade de São Paulo.

Vinheta: “Instituto Claro – Educação”

Música instrumental, de Reynaldo Bessa, de fundo

Marcelo Abud:
A melhor qualidade de vida na comunidade escolar repercute em toda a sociedade, pois o que se aprende na escola costuma ser repassado aos familiares. Nesse sentido, nas aulas presenciais ou no ensino remoto, a postura deve ser uma preocupação constante tanto para alunos como para professores.

Silva João:
O ideal é você poder conciliar essas posturas que você tem no seu dia a dia para que seja mais saudável possível, tenha menos lesão e, consequentemente, menos dor, tanto em professores como em crianças , mas principalmente em professores: dor na região das costas, da cervical… os professores têm queixas também às vezes de dor nos braços, nas pernas.

Música: Pra Curar Essa Dor (versão da música Heal The Pain, de George Michael), com Fernanda Takai e Samuel Rosa (Skank)
“É só me dizer / O que devo fazer / Pra curar essa dor / Deixo tudo pra trás”

Silvia João:
Quando você está sentado, os pés têm que estar apoiado no chão, você tem que sentar com uma postura reta: quadril vai estar a 45º, o joelho também, mas eu preciso que essa distribuição de peso seja boa. Não posso ficar sentado com as pernas dobradas e só um pé apoiado no chão. Não. Eu tenho que ficar com os dois pés apoiados, porque eu vou ter uma transmissão de carga muito mais adequada.

Outra coisa importante: eu não posso ter uma mesa muito alta. Se eu tiver uma mesa muito alta, eu vou ter que elevar muito o meu ombro e a cervical vai ficar comprometida. Então eu tenho que ter uma cadeira que seja ajustável e a mesa também, seja da altura do cotovelo. E o meu olhar tem que estar na altura da tela, eu não posso abaixar muito o pescoço nem elevar ele demais.

Marcelo Abud:
Para evitar dores, também é importante fazer pausas e mudar de postura a cada hora.

Silvia João:
… que eu levante, vá beber água, pelo menos uns dez minutinhos, faça uma caminhada. Se você conseguisse fazer um pouco de alongamento, seria o adequado, mas nem sempre eu tenho essa disposição. O fato de eu me mexer, que eu tenho mobilidade, já melhora para que você não fique sobrecarregado, tanto da parte articular, como da parte muscular também.

Marcelo Abud:
A professora Silvia João coordena um grupo de alunos bolsistas que levam essas práticas para a comunidade. Eles fazem parte do projeto “Coluna Feliz”, mantido pela pró-reitoria de graduação da USP.

Silvia João:
O objetivo é aproximar a universidade à sociedade para que todos possam ser beneficiados disso. Tanto o professor de biologia ou de ciências ou professor de educação física, dentro da escola, vai poder usar esse material. Porque quando ele vai trabalhar as questões de mobilidade da criança, flexibilidade, equilíbrio, tudo isso tá voltado pra essa parte de postura.

Agora nessa época de pandemia que a gente não pode ir às escolas, a gente está fazendo uma divulgação via Instagram de todo o material do projeto “Coluna Feliz”.

Música: “Coração Tranquilo” (Walter Franco), com Leila Pinheiro
“Tudo é uma questão de manter / A mente quieta / A espinha ereta / E o coração tranquilo”

Carolina Pereira:
Meu nome é Carolina Pereira, eu sou estudante do 4º ano de fisioterapia, da USP, faço parte do projeto “Coluna Feliz”.

Com o objetivo de dar orientações posturais e, também, fornecer atividades que possam ser realizadas nesse tempo de pandemia. Todas essas atividades foram baseadas nas experiências que o grupo teve em escolas da rede pública, na região do Butantã. Lá nós percebemos qual é a linguagem e o que é importante a gente reforçar para as crianças.

Marcelo Abud:
A partir das visitas às escolas, o grupo está elaborando materiais para compartilhar na internet. No texto que acompanha esse podcast, você encontra o link para a cartilha “Como brincar em casa”. Dividida em duas partes, na primeira, dirigida a adultos e crianças, é possível saber mais sobre postura.

Carolina Pereira:
Nós elaboramos essa cartilha com uma linguagem simples, uma linguagem rápida, textos bem sucintos e de informação confiável. O objetivo foi começar dizendo um pouco o que é postura, afinal para a gente adquirir bons hábitos posturais é necessário que a gente entenda o que é postura e sua importância. Em seguida, a gente deu orientações das posturas mais frequentes nestes tempos de isolamento social, que é o sentar, devido aos trabalhos em casa, tanto para os alunos que ficam longos períodos assistindo as aulas online, como para os professores; além da postura com o celular, pensando que esse é o recurso que a gente utiliza para poder se comunicar com esse mundo exterior, com os amigos, com a família e muitas vezes a gente fica tanto tempo nesse celular que nem percebe qual é a posição que a gente está, qual é a atividade que a gente estava fazendo. A gente também tem orientações sobre a postura em repouso, aquela postura que a gente usa mais no final do dia para dar aquela descansada e também, às vezes, né, depois do almoço.

Marcelo Abud:
A segunda parte da cartilha traz dicas de atividades para crianças. São brincadeiras que tanto podem orientar pais e filhos como ser sugeridas pelos professores aos alunos.

Silvia João:
Uma sugestão que eu acho que o professor pode fazer é o seguinte: que o que ele oferecer para essas crianças, que sejam atividades mais lúdicas e com movimento. Então ele pode sugerir que a criança faça algum tipo de brincadeira, mas com movimento, para que a criança não precise ficar 3, 4 horas na frente de uma tela, mas que ela possa ter atividades lúdicas que sejam associadas com que ele está aprendendo. Acho que dá para fazer isso com a matemática, com ciências, com várias atividades que eles estiverem dando.

Música: “Estrelar” (Marcos Valle / Paulo Sergio Kostenbader Valle / Leon Ware), com Jazztronik
“Tem que esticar / Tem que dobrar / Tente encaixar / Vamos lá / Um, dois e três / É sem parar / Mais uma vez”

Carolina Pereira:
É importante lembrar que aulas com pausas de a cada uma hora são o ideal. Então, às vezes, algumas dessas brincadeiras podem ser feitas durante essas pausas, para evitar que as crianças fiquem um longo período de tempo na mesma posição. Algumas brincadeiras não necessitam de material, como teatro, stop, mímica, pular amarelinha, já outras são mais elaboradas. Então, tudo vai depender do tempo que você tem e de qual brincadeira você acha que vai chamar mais atenção das crianças.

Música instrumental, de Reynaldo Bessa, de fundo

Marcelo Abud:
Em casa ou na escola, tratar sobre saúde física e emocional permite um melhor desempenho tanto para professores como para alunos. No perfil do projeto “Coluna Feliz” no Instagram, há outras dicas de como cuidar da postura.

Com apoio de produção de Daniel Grecco, Marcelo Abud para o Instituto Claro.

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