Entre as doenças ocupacionais que mais afetam os professores e os afastam de seus postos de trabalho estão as lesões por esforços repetitivos (LER), atualmente renomeadas de doenças osteoarticulares relacionadas ao trabalho (DORT). “São dores em músculos, nervos e tendões causadas por movimentos repetitivos, sobrecarga ou a permanência em posições inadequadas”, descreve o ortopedista da Clínica Vivere Sanus, Tomas Mosaner de Souza Moraes. “Os sintomas mais comuns são dores, rigidez, formigamento, dormência, câimbras e alteração de sensibilidade”, completa.

Uma pesquisa com 156 professores atendidos no Centro de Estudos de Saúde do Trabalhador (CESAT) de Salvador (BA), entre 1991 e 2001, mostrou que 26% foram diagnosticados com a enfermidade. Em termos de prevalência, a LER/DORT ficou atrás apenas das doenças de laringe e das cordas vocais (30%).
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Uma segunda pesquisa com professores do Rio Grande do Sul, de 2012, revelou que as áreas do corpo mais atingidas foram os ombros (60%) e o trapézio (33%).  “Professores, de uma maneira geral, permanecem por muito tempo com o braço levantado para escrever durante as aulas ou trabalhando no computador, situações comuns que podem levar à lesão”, justifica o médico. Contudo, dores no pescoço, mãos, lombar e nos joelhos – devido à permanência durante muitas horas em pé – também foram relatadas pelos profissionais.
Doença silenciosa
A LER/DORT são consideradas doenças silenciosas, uma vez que os sintomas geralmente são notados quando a lesão já está em estado avançado. O diagnóstico é realizado durante a consulta médica, por meio de perguntas sobre o paciente, sua ocupação e suas queixas. “Métodos diagnósticos de imagem podem auxiliar no processo, como ultrassom, ressonância magnética e cintilografia”, destaca o ortopedista.
O tratamento varia de acordo com o tipo e o local da lesão, incluindo repouso, uso de medicamentos anti-inflamatórios e fisioterapia. “Em casos mais graves, pode ser necessária a imobilização da região afetada”, reforça Moraes. Já a prevenção envolve postura correta e alongamento constante para evitar fadiga e encurtamento dos músculos e tendões.
Apesar de ser comum em professores com mais de 40 anos de idade, a LER/DORT não têm hora nem faixa etária para atacar. Um estudo com 126 professores de Matinhos (PR) afetados pelo problema mostrou que a presença de dor não estava diretamente associada ao tempo de profissão, mas à quantidade de classes que o professor lecionava. Na maioria dos casos, a lesão havia impedido o profissional de realizar atividades específicas em sala de aula, influenciando diretamente em sua produtividade.
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