Tanto os defensores quanto os opositores da Base Nacional Comum Curricular são a favor de que uma parte dos conteúdos seja destinada à diversidade regional, racial e de gênero. Estudo “Consensos e Dissensos sobre a Base Nacional Comum Curricular” ouviu 102 atores educacionais envolvidos no debate. “Não deixa de ser surpreendente, pois vivemos num contexto de intolerância com relações a essas temáticas. A comunidade debate e discorda desse conservadorismo”, argumenta o coordenador de Pesquisas do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Antônio Augusto Gomes Batista,
NET Educação – Há consenso entre aqueles que são contrários e favoráveis à Base Nacional Curricular Comum?
Antônio Augusto Gomes Batista –  O único consenso é que uma dos conteúdos deveriam estar relacionados à diversidade regional, racial e de gênero, que são importantes para reconhecer direitos de populações que sofrem discriminação. Não deixa de ser surpreendente, pois vivemos num contexto de intolerância com relações a essas temáticas. A comunidade debate e discorda desse conservadorismo.
NET Educação – Quais as diferenças entre currículo e base curricular?
Batista –  Currículo tem um sentido mais amplo que base curricular e pode significar um documento que elenca exaustivamente o que deve ser ensinado, aprendido, as formas de avaliação e que, em alguns casos, definem as linhas metodológicas a serem trabalhadas. A base curricular não esgota o conjunto de elementos a serem ensinados, trata apenas de elementos comuns a todos. Base é uma parte do currículo.
NET Educação – A pesquisa mostrou os professores favoráveis à base e uma parte da academia contrária a ela. Por que isso?
Batista – No caso dos professores, uma pesquisa da Fundação Lemann mostrou que eles são bastante favoráveis à base curricular. Isso porque ela define claramente o que se deve ensinar e quando. É importante isso, porque senão você se perde, não sabe o que precisa preparar, o que vem depois. Você se torna refém do livro didático, que acaba se tornando um currículo implícito. Já a universidade possui uma corrente favorável e uma corrente contrária.
NET Educação – O que pensam essas correntes?
Batista – O grupo favorável é geralmente formado pelos professores ligados ao ensino e aprendizagem, como português, matemática, geografia e história. Já professores que trabalham com políticas de educação e currículo, que são disciplinas mais teóricas, tendem a serem contrários. Eles estudam grandes questões e vão se preocupar com os efeitos negativos que o currículo pode trazer. Estão preocupados porque as escolas não são iguais, partem de realidades diferentes e de grupos sociais diferentes. Isso poderia aumentar a exclusão e a reprovação. Temem que a base promova a homogenização e não leve em conta as diferentes matrizes culturais. Não é que um está certo e outro errado, é que eles estão localizados em pontos diferentes e enxergam coisas diferentes. O ideal seria juntar os dois. Para não gerar mais desigualdades, a base precisa vir acompanhadas de medidas de implementação.
NET Educação – Os professores foram ouvidos no debate sobre a base?
Batista – A pesquisa aconteceu entre 2013 e 2014 e mostrou que os professores não estavam a par do debate. O debate estava sendo travado fundamentalmente nas esferas da universidade, sociedade civil e na esfera dos gestores públicos. Aqueles a quem a base afeta diretamente pouco sabiam, o que é uma questão complicada. A regra é o professor participar pouco.
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