O estilista Felipe Gutnik sempre se interessou por moda vintage e pelo estilo gramdpacore (“estilo vovô), uma tendência que, segundo ele, passou a ser mais consumida nos últimos cinco anos por jovens millenials – pessoas nascidas entre os anos de 1980 e 1990 – e a geração Z – do final dos anos 90 a 2010.

“As pessoas já perceberam que a roupa de brechó tem qualidade e preço acessível, e sempre buscam peças de 30 ou 40 anos de idade. Foi aí que comecei a perceber que as pessoas que usavam essas roupas clássicas no meu bairro, em Copacabana, Rio de Janeiro, eram idosos”, revela. “Comecei a observar o estilo deles e achei legal criar um banco de referências”, completa.

Foi assim que Gutnik fundou, em novembro de 2020, a página no Instagram “Estilo Vovô”, que captura senhores e senhoras anônimos e bem estilosos das ruas de Copacabana. A inspiração foi a conta “Gramparents”, criada pelo consultor de moda estadunidense Kyle Kivijärvi, de 2016.

“No Rio de Janeiro [RJ], eu definiria o estilo dos senhores e senhoras como um vintage tropical, porque tem roupas de alfaiataria, de linho, leves e elegantes”, exemplifica Gutnik.

Combatendo o etarismo

O estilista conta que não fotografa qualquer pessoa, mas sim visuais que considera elegantes. “Priorizo esse estilo mais clássico, que voltou à moda e faz com que esses senhores e senhoras estejam muito atuais. Se formos olhar para quem sempre usou esse estilo vintage, foram justamente os idosos”, opina.

“Na moda masculina, geralmente fotografo homens que usam alfaiataria, mocassim, camisa social para dentro [da calça], boina, entre outros. Porém, acho interessante quando vejo um senhor também usando uma streetwear [estilo de roupa casual]. Sempre me pergunto: será que ele ou ela pensou muito antes de escolher essa roupa para vestir ou foi algo natural?”, compartilha.

Gutnik considera que valorizar a moda criada e usada por pessoas da terceira idade é uma forma de combater o etarismo.

“A gente vê pouco na mídia os blogs de moda retratando a moda da terceira idade, ficou segmentado em um público cada vez mais jovem”, justifica.

“Por meio da página, as pessoas podem perceber que os idosos se vestem bem, podem aparecer em foto, ditando tendências. Que esse estilo que as pessoas levam a sério quando um jovem aparece usando no Instagram já é usado por eles [idosos] há muito tempo, ainda que os jovens não saibam”, descreve.

“O que para a geração Z é novidade não é tão novidade assim. Quem já viveu mais sabe que a moda tem ciclos”, completa.

Para os idosos, o ganho é se sentir mais representados. “Para a indústria da moda, fica uma mensagem que ela tem muito a ganhar com a valorização dos estilos de pessoas mais velhas. Que deve ficar atenta a preencher essa oportunidade, já que pessoas idosas também consomem”, pondera.

Para o futuro, o estilista compartilha o desejo de trazer entrevistas sobre estilo de vida com as pessoas que fotografa.

“Falta tempo e coragem. Aconteceu de entrevistar apenas uma senhora, que usava um visual de inspiração francesa. Além disso, recebo também registros feitos por seguidores que fotografam visuais inspiradores de idosos que encontraram em seus bairros”, finaliza.

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Crédito da imagem: Perfil Estilo Vovô – Felipe Gutnik

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