Leonardo Valle

O desmatamento e a agropecuária são responsáveis por, aproximadamente, 23% das emissões de gases de efeito estufa que provocam o aquecimento global. Os dados integram o relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado em agosto de 2019.

Para melhorar esse cenário, uma atitude individual efetiva é reduzir o consumo de carne. Esse é objetivo do livro “Quarentena sem carne: receitas saborosas e nutritivas para aguentar firme o isolamento social”, lançado pelo Greenpeace. A obra conta com a participação de chefs, nutricionistas e influenciadores da boa alimentação, que compartilham também dicas e orientações.

“O objetivo do livro é ajudar as pessoas que estão em casa, neste momento de grave crise mundial devido à Covid-19, a substituir o consumo de alimentos de proteína animal por alternativas saborosas, nutritivas e mais saudáveis, à base de plantas. Sem ser necessária experiência na cozinha”, diz o porta-voz da campanha de Amazônia do Greenpeace Brasil, Adriana Charoux.

“Ao mesmo tempo, o livro é um convite à reflexão sobre o grande desafio que temos de construir um futuro mais saudável e seguro para nós, para as futuras gerações e os seres vivos que habitam no planeta conosco”, acrescenta.

Responsabilidade de todos 

Segundo Charoux, a pecuária é a atividade que mais desmata a Amazônia, ocupando mais de 60% das áreas já destruídas no bioma. O Brasil também lidera a produção global de soja, usada quase exclusivamente para ração animal.

“A expansão dessa produção vem destruindo o Cerrado, o segundo maior bioma brasileiro, conhecido como a grande caixa d’água do Brasil”, diz a especialista. 

Além da redução dos gases do efeito estuda e de combater o desmatamento – que reduz o “sequestro de carbono” pelas árvores e vegetações – deixar de comer carne também colabora com o meio ambiente por reduzir o consumo de água.

Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), há um uso intensivo do recurso hídrico na cadeia de produção desse alimento. Idealizadora da campanha “Segunda sem Carne”, a entidade lembra que cortar o consumo dessa proteína animal durante um dia da semana poderia proporcionar a economia de 1,9 bilhão de litros de água por semana.

“Frear a destruição florestal e a violação dos direitos dos povos que cuidam dela cabe não só ao governo e empresas, mas também a nós cidadãos. Assim, adotar uma dieta com menos carne e mais vegetais é uma forma  de contribuir para o clima, florestas, rios e oceanos, e também para a segurança alimentar global”, destaca Charoux.

Veja mais:
Conheça quatro benefícios de não comer carne um dia na semana
Livro gratuito ensina a implantar uma alimentação vegetariana nas escolas
Desmatamento zero e rotação do gado ajudam pecuária a reduzir impactos ambientais
Pesquisa aponta que pegada de carbono da carne bovina é reduzida quando não há desmatamento

Crédito da imagem: Reprodução livro “Quarentena sem carne”

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