Conteúdos

●    Advérbios

Objetivos

●    Compreender o uso dos advérbios na Língua Portuguesa; e
●    Aprender a utilizar os advérbios tanto na construção, quanto na leitura de textos em Língua Portuguesa.

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Palavras-Chave:

Língua portuguesa. Gramática. Advérbios.

Proposta de Trabalho:

Iniciaremos este roteiro de estudos com as informações acerca do uso e função dos advérbios. Na sequência, trataremos das classificações e dos advérbios interrogativos, bem como do grau dos advérbios e das locuções adverbiais. Para finalizar, veremos alguns exercícios sobre o tema.

1ª Etapa: O que são e qual a função dos advérbios

Os advérbios são uma classe de palavras que acompanham verbos, adjetivos ou outros advérbios, tendo a função de conferir a eles características ou, ainda, de intensificar o seu sentido.

2ª Etapa: Classificação dos advérbios

Os advérbios podem ser agrupados em sete classes, de acordo com o seu sentido em determinado contexto. Vejamos:

a)    Advérbio de lugar

Função

Advérbios de lugar

Exemplo

Os advérbios de lugar têm a função de dar noções de direção e posição, caracterizando o lugar a que o verbo se refere.

Abaixo, acima, ali, aqui, atrás, dentro, fora, lá, longe, perto, etc.

Eu moro perto do zoológico.

b)    Advérbio de tempo

Função

Advérbios de tempo

Exemplo

Os advérbios de tempo têm a função de dar noção temporal aos verbos.

Amanhã, antes, cedo, depois, hoje, jamais, nunca, ontem, sempre, tarde, etc.

Estou atrasada, depois conversamos.

c)    Advérbio de modo

Função

Advérbios de modo

Exemplo

Os advérbios de modo têm a função de demonstrar a maneira como a ação descrita pelo verbo foi executada.

Bem, devagar, mal, melhor, pior rápido etc. Pertencem também a esta classificação quase todos os advérbios terminados em -mente (felizmente, cuidadosamente etc.).

Eu a ouvi pacientemente.

d)    Advérbio de intensidade

Função

Advérbios de intensidade

Exemplo

Os advérbios de intensidade têm a função de descrever a intensidade da ação verbal ou da característica trazida pelo adjetivo.

Bastante, bem, demais, mais, menos, muito, pouco, tanto, tão, etc.

Ela contou uma história bem engraçada.

e)    Advérbio de afirmação

Função

Advérbios de afirmação

Exemplo

Os advérbios de afirmação têm a função de reforçar o sentido afirmativo da oração.

De certo, certamente, realmente, sim, etc.

Certamente viajarei no final do ano.

f)    Advérbio de negação

Função

Advérbios de negação

Exemplo

Os advérbios de negação têm a função de reforçar o sentido negativo da oração.

Nem, não, nunca, tampouco, etc.

Não deixe de me procurar.

g)    Advérbio de dúvida

Função

Advérbios de dúvida

Exemplo

Os advérbios de dúvida têm a função de enfatizar o sentido de dúvida da oração.

Porventura, possivelmente, provavelmente, quiçá, talvez, etc.

Talvez eu vá à festa.

3ª Etapa: Advérbios interrogativos

Os advérbios interrogativos são aqueles que direcionam perguntas. Eles podem ser de quatro tipos:

●    Advérbio interrogativo de lugar – Onde ela mora?

●    Advérbio interrogativo de tempo – Quando vocês virão?

●    Advérbio interrogativo de modo – Como você está se sentindo?

●    Advérbio interrogativo de causa – Por que você não me avisou que atrasaria?

4ª Etapa: Grau dos advérbios

Os advérbios podem variar em grau, o que reflete a sua intensidade. Tal variação pode se dar de maneira comparativa ou superlativa, conforme veremos abaixo:

a)    Grau comparativo
No grau comparativo, os advérbios podem aparecer estabelecendo relações de igualdade, superioridade ou inferioridade entre dois ou mais elementos.
●    Igualdade – tão/tanto + advérbio + quanto (por exemplo: Ela corre tão rápido quanto eu).
●    Superioridade – mais + advérbio + (do) que (por exemplo: Ela corre mais rápido do que eu).
●    Inferioridade – menos + advérbio + (do) que (por exemplo: Ela corre menos rápido do que eu.

No caso dos advérbios “bem” e “mal”, utilizamos a forma “melhor” ou “pior” de acordo com o contexto.

b)    Grau superlativo

No grau superlativo, os advérbios podem aparecer estabelecendo relações de superioridade ou inferioridade absolutas. Há duas variações:
●    Analítico – ocorre quando um advérbio acompanha outro para interferir no seu grau (por exemplo: Ela corre muito rápido).
●    Sintético – ocorre quando o sufixo que altera a palavra afeta o grau do advérbio (por exemplo: Ela corre rapidíssimo).

5ª Etapa: Locuções adverbiais

São denominadas locuções adverbiais os conjuntos de duas ou mais palavras que assumem a função de advérbio.

Pode haver variações, mas, em geral, as locuções adverbiais são formadas por dois ou mais advérbios, ou por um advérbio e uma preposição.
As locuções adverbiais podem ser classificadas nos mesmos grupos que os advérbios (lugar, tempo, modo, intensidade, negação, afirmação e dúvida).

6ª Etapa: Questões retiradas de vestibulares

Seguem abaixo alguns exemplos de como o tema usualmente aparece nas provas. O gabarito encontra-se depois das questões.

1) (CCV-UFC – 2015 – UFC – Casas de Cultura Estrangeira – Segundo Semestre)
Assinale a alternativa que apresenta uma locução adverbial e o seu respectivo valor semântico.

a) “que abandonassem o poleiro num ensaio de voo” – lugar.
b) “O seu primeiro contato com a tripulação do dirigível” – companhia.
c) “O marinheiro agitou-se todo com aquele adeus” – causa.
d) “deixou-a cair num gesto delicado” – conformidade.
e) “deliberadamente dessa vez, acenou com a toalha” – matéria.

Disponível em: QConcursos

2) (INEP – 2019 – IF-BA)
Em “não evitará o crime” e “não se mobilizar para protegê-la”, as palavras em destaque funcionam morfologicamente no contexto em questão como:

a) Conjunção.
b) Advérbio de negação.
c) Interjeição.
d) Adjetivo.
e) Pronome adjetivo.

Disponível em: QConcursos

3) (UNIVAP – 2017)
Num jogo de palavras muito criativo, o texto abaixo trata sobre a velhice. Vejamos:
“Síndrome de Velhice é quando as pessoas acreditam que é tarde para aprender. É preciso infundir nas pessoas a Síndrome da Juventude, ou seja, quando acreditam que nunca é tarde para aprender.” MARTINS, L. “Tenha a atitude de aprender sempre”. In: Superdicas para ensinar a aprender. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 135. Série Superdicas.

A alternativa que apresenta o correto entendimento do emprego do advérbio nunca, no texto acima, é

a) Analisando o texto cuidadosamente, percebemos o termo nunca como principal item de argumentação.
b) Com o termo nunca, o autor deixa claro que uma pessoa mais velha jamais irá aprender algo novo.
c) O autor apenas usa o termo nunca para dar efeito estilístico na frase.
d) O termo nunca é inerte no texto, ou seja, não tem função argumentativa na frase.
e) O autor se contradiz ao usar o termo nunca.

Disponível em: QConcursos

4) (CASPER LÍBERO – 2017)
Leia o texto a seguir e responda à questão:

Quem são e o que querem os que negam a Internet?
Nicholas Carr

O Vale do Silício, conjunto monótono de centros comerciais, parques empresariais e complexos de fast-food, não parece um núcleo cultural, e, no entanto, se converteu exatamente nisso. Nos últimos 20 anos, a partir do exato momento em que a empresa de tecnologia norte-americana Netscape comercializou o navegador inventado pelo visionário inglês Tim Berners-Lee, o Silicon Valley tem remodelado os Estados Unidos e grande parte do mundo à sua imagem e semelhança. Provocou uma revolução na forma de trabalhar dos meios de comunicação, mudou a forma de conversar das pessoas e reescreveu as regras de realização, venda e valorização das obras de arte e outros trabalhos relacionados com o intelecto.
De bom grado, a maioria das pessoas foi outorgando ao setor tecnológico um crescente poder sobre suas mentes e suas vidas. No fim das contas, os computadores e a Internet são úteis e divertidos, e os empresários e engenheiros se dedicaram a fundo para inventar novas maneiras de fazer com que desfrutemos dos prazeres, benefícios e vantagens práticas da revolução tecnológica, geralmente sem ter que pagar por esse privilégio. Um bilhão de habitantes do planeta usam o Facebook diariamente. Cerca de dois bilhões levam consigo um smartphone a todos os lugares e costumam dar uma olhada no dispositivo a cada poucos minutos durante o tempo em que passam acordadas. Os números reforçam o que já sabemos: ansiamos pelas dádivas do Vale do Silício. Compramos no Amazon, viajamos com o Uber, dançamos com o Spotify e falamos por WhatsApp e Twitter.
Mas as dúvidas sobre a chamada revolução digital tem crescido. A visão imaculada que as pessoas tinham do famoso vale tem ganhado uma sombra inclusive nos Estados Unidos, um país de apaixonados pelos equipamentos eletrônicos. Uma onda de artigos recentes, surgida após as revelações de Edward Snowden sobre a vigilância na Internet por parte dos serviços secretos, tem manchado a imagem positiva que os consumidores tinham do setor de informática. Dão a entender que, por trás da retórica sobre o empoderamento pessoal e a democratização, se esconde uma realidade que pode ser exploradora, manipuladora e até misantrópica.
As investigações jornalísticas encontraram provas de que nos armazéns e escritórios do Amazon, assim como nas fábricas asiáticas de computadores, os trabalhadores enfrentam condições abusivas. Descobriu-se que o Facebook realiza experiências clandestinas para avaliar o efeito psicológico em seus usuários manipulando o “conteúdo emocional” das publicações e notícias sugeridas. As análises econômicas das chamadas empresas de serviços compartilhados, como Uber e Airbnb, indicam que, apesar de proporcionarem lucros a investidores privados, é possível que estejam empobrecendo as comunidades em que operam. Livros como The People’s Platform [A plataforma do povo], de Astra Taylor, publicado em 2014, mostram que com certeza a Internet está aprofundando as desigualdades econômicas e sociais, em vez de ajudar a reduzi-las.

As incertezas políticas e econômicas ligadas aos efeitos do poder do Vale do Silício vão além, enquanto o impacto cultural dos meios de comunicação digitais se submete a uma severa reavaliação. Prestigiosos autores e intelectuais, entre eles o prêmio Nobel peruano Mario Vargas Llosa e o romancista norte-americano Jonathan Franzen, apresentam a Internet como causa e sintoma da homogeneização e da trivialização da cultura. No início deste ano, o editor e crítico social Leon Wieseltier publicou no The New York Times uma enérgica condenação do “tecnologicismo”, em que sustentou que os “gangsteres” empresariais e os filisteus tecnológicos confiscaram a cultura. “À medida que aumenta a frequência da expressão, sua força diminui”, disse, e “o debate cultural está sendo absorvido sem parar pelo debate empresarial”.

Também no plano pessoal estão se multiplicando as preocupações sobre a nossa obsessão com os dispositivos fornecedores de dados. Em vários estudos recentes, os cientistas começaram a relacionar algumas perdas de memória e empatia com o uso de computadores e da Internet, e estão encontrando novas provas que corroboram descobertas anteriores de que as distrações do mundo digital podem dificultar nossas percepções e julgamentos. Quando o trivial nos invade, parece que perdemos o controle do que é essencial. Em Reclaiming Conversation [Recuperando a conversa], seu controverso novo livro, Sherry Turkle, professora do Massachusetts Institute of Technology (MIT), mostra como uma excessiva dependência das redes sociais e dos sistemas de mensagens eletrônicas pode empobrecer as nossas conversas e até mesmo nossos relacionamentos. Substituímos a verdadeira intimidade por uma simulada.

Quando examinamos mais de perto a crença do Vale do Silício, descobrimos sua incoerência básica. É uma filosofia quimérica que abrange um amálgama estranho de credos, incluindo a fé neoliberal no livre mercado, a confiança maoísta no coletivismo, a desconfiança libertária na sociedade e a crença evangélica em um paraíso a caminho. Mas o que realmente motiva o Vale do Silício tem muito pouco a ver com ideologia e quase tudo com a forma de pensar de um adolescente. A veneração do setor de tecnologia pela ruptura se assemelha ao desejo de um adolescente por destruir coisas, sem conserto, mesmo que as consequências sejam as piores possíveis.

Portanto, não surpreende que cada vez mais pessoas contemplem com olhar crítico e cético o legado do setor. Apesar de proliferarem, os críticos continuam, no entanto, constituindo a minoria. A fé da sociedade na tecnologia como uma panaceia para os males sociais e individuais permanece firme, e continua a haver uma forte resistência a qualquer questionamento ao Vale do Silício e seus produtos. Ainda hoje se costuma descartar os opositores da revolução digital chamando-os de nostálgicos retrógrados ou os tachando de “antitecnologia”.

Tais acusações mostram como está distorcida a visão predominante da tecnologia. Ao confundir seu avanço com o progresso social, sacrificamos nossa capacidade de ver claramente a tecnologia e de diferenciar os seus efeitos. No melhor dos casos, a inovação tecnológica nos possibilita novas ferramentas para ampliar nossas aptidões, concentrar nosso pensamento e exercitar a nossa criatividade; amplia as possibilidades humanas e o poder de ação individual. Mas, com frequência demais, as tecnologias promulgadas pelo Vale do Silício têm o efeito oposto. As ferramentas da era digital geram uma cultura de distração e dependência, uma subordinação irreflexiva que acaba por restringir os horizontes das pessoas, em vez de ampliá-los.
Colocar em dúvida o Vale do Silício não é se opor à tecnologia. É pedir mais aos nossos tecnólogos, a nossas ferramentas, a nós mesmos. É situar a tecnologia no plano humano que corresponde a ela. Olhando retrospectivamente, nos equivocamos ao ceder tanto poder sobre nossa cultura e nossa vida cotidiana a um punhado de grandes empresas da Costa Oeste dos Estados Unidos. Chegou o momento de corrigir o erro.

Fonte: El Pais

Assinale a opção que identifica corretamente a substituição da locução adverbial “apesar de” por outra que expresse a mesma circunstância em: “Apesar de proliferarem, os críticos continuam, no entanto, constituindo a minoria”.

a) Enquanto
b) Até
c) A fim de
d) Não obstante
e) Consoante

Disponível em: QConcursos

5) (UEM – 2010)

Texto
Papai não é mamãe
Diogo Schelp

Adaptação do texto da Revista Veja, ed. 2142, 9 de dezembro de 2009, p. 100- 106.

Assinale o que for correto a respeito do uso do advérbio no texto.
Em “A influência que o pai pode ter sobre seus rebentos, especialmente quando eles ainda são bebês…” (linhas 18-20), o advérbio em negrito delimita o alcance da validade da ideia expressa pela oração antecedente.

a) Certo
b) Errado

Disponível em: QConcursos

Gabarito

1) c) “O marinheiro agitou-se todo com aquele adeus” (texto 2, linhas 12-13) – causa.
A locução adverbial “com aquele adeus” explica o motivo, ou seja, a causa, da agitação do marinheiro, exercendo, portanto, a função de advérbio de modo.

2) b) Advérbio de negação.
Nos contextos apresentados, a palavra “não” tem a função de advérbio de negação.

3) d) O termo nunca é inerte no texto, ou seja, não tem função argumentativa na frase.

No excerto textual trazido pelo enunciado da questão, o termo nunca, embora componha o texto, não exerce qualquer tipo de função argumentativa.

4)  d) Não obstante.
No contexto apresentado, a substituição do termo “apesar de” pode ser feita, sem qualquer prejuízo semântico, pela locução adverbial “não obstante”.

5)  a) Certo.
De fato, no trecho destacado, o advérbio “especialmente” tem a função de delimitar o alcance da validade da ideia apresentada no texto.

Roteiro de Estudos elaborado pela Professora Daniela Leite Nunes

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