Quando estava na educação básica, Julia Jaccoud – mais conhecida como a Matemaníaca – era aquela aluna que os colegas procuravam quando estavam com alguma dificuldade nas disciplinas de exatas. “Às vezes, os professores falavam, falavam e minhas amigas não entendiam nada. Era eu dizer uma palavra e percebia aquela ruga de dúvida ir embora da testa delas. Elas tinham finalmente compreendido”, diverte-se.

Quando chegou o momento de escolher a profissão, amigos, professores e parentes a incentivaram a seguir carreira na área de engenharia. “Era engraçado eles notarem que eu tinha jeito para as exatas, porque sempre gostei de humanas também. Na adolescência, havia feito curso de balé, circo, teatro, fotografia e até um pouco de sapateado”, relembra.

Jaccoud cogitou aceitar o conselho e se inscrever no vestibular para engenharia civil. Coincidentemente, na mesma época, uma engenheira estava trabalhando em uma obra no seu prédio. Sem pensar duas vezes, a menina a chamou para uma conversa sobre o dia a dia da profissão e percebeu que não era aquilo que gostaria de seguir na vida.

“Foi uma crise, porque sempre me vi como engenheira. Mas aí comecei a pensar o que gostava na área. Era das contas, de continuar estudando, de conversar e me conectar com as pessoas. Foi então que decidi: faria licenciatura em matemática e seria professora!”

“O objetivo não é dar aula, mas plantar uma sementinha para que as pessoas se permitam gostar de matemática”, descreve a jovem

 

Sucesso nas redes

Na graduação, Julia se deparou – e se encantou – com um mundo desconhecido. “A gente aprende na escola uma parte muito pequena da matemática, que é numérica e voltada à resolução de problemas. Conheci programação, geometria, entre outros”, explica. “O que me incomodava era que os trabalhos que fazíamos ficavam entre os pares e, no máximo, guardados numa pasta do computador. Eu queria compartilhar aquilo”, destaca.

Após fazer um intercâmbio na Finlândia sobre educação matemática, a jovem voltou cheia de ideias. Foi quando aceitou o conselho de amigos e criou o canal de vídeos “A Matemaníaca”.

“Achava que dava uma aula divertida mas descobri, aos poucos, que o que fazia tinha nome: era divulgação científica”, relembra. “A melhor coisa do YouTube foi descobrir a área dos comentários. De repente, tudo o que eu queria estava ali: poder falar da minha paixão, relacioná-la com as artes e poder trocar com pessoas de todo o país”, conta ela, que já possui mais de 60 mil inscritos.

Nos vídeos, Julia mostra a curiosidade da matemática no dia a dia e dá dica de seriados e filmes que abordam o assunto. Além de explicar conceitos que ninguém entende direito na série “Porque sim não é resposta”. “O objetivo não é dar aula, mas plantar uma sementinha para que as pessoas se permitam gostar da matéria. É vê-la alcançar outras pessoas, que vão comentar com seus amigos, vizinhos ou parentes no almoço de família”, descreve.

O feedback aparece por meio de mensagens. “Muitos estudantes dizem: aprendi a gostar do tema com você. Já professores e alunos da licenciatura entram em contato dizendo que vão utilizar algum vídeo em sala para introduzir um determinado conceito, ou que vão adaptar o que foi falado para a realidade de sua turma. É gratificante”, finaliza.

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Crédito das imagens: arquivo pessoal

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