A mobilidade já é uma realidade na educação. No entanto, muitos professores ainda têm dificuldade na hora de pensar e executar projetos pedagógicos que utilizem os recursos de celulares e tablets. Barreiras na formação do docente, deficiências estruturais e/ou curriculares são alguns pontos que dificultam o uso efetivo desses aparelhos.

Em enquete realizada no portal do Instituto Claro e na nossa fanpage no Facebook, perguntamos aos educadores se eles usam o celular como ferramenta pedagógica. Quase metade (47%) optou pela alternativa que quer integrar a ferramenta à sala de aula: “Sim, acredito que temos de nos aproximar do universo dos alunos”.

Mas que universo é esse? Para Rogério da Costa, professor do Departamento de Ciência da Computação da PUC-SP, o universo dos alunos hoje é muito mais relacional do que há poucos anos. Em outras palavras, os estudantes estariam mais preparados para debater e questionar sobre diversos assuntos.

Para o pesquisador, esse novo estudante impõe um desafio para a escola, que deve começar a repensar a autoridade do educador. Caminho semelhante propõe o pesquisador Antônio Xavier, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Ele afirma que esse universo é o da escola do século XXI: “Em estudos do grupo de pesquisas que coordeno, vemos que o conhecimento tecnológico melhora o rendimento acadêmico e facilita a aprendizagem”, afirma.

Confira o resultado da enquete

Recursos pedagógicos no celular

Um número considerável dos que participaram da enquete (22%) também afirmou não encontrar nos celulares recursos pedagógicos suficientes para usá-los em sala de aula. Mas Rogério da Costa discorda desse resultado. “O que não possui recursos suficientes para lidar com a educação é o modelo atual de ensino, inteiramente preso à sala de aula”, afirma.

Antônio Xavier destaca que o que falta é o professor encontrar os recursos já existentes nos celulares. Para ele, essa não é uma tarefa fácil, mas que pode proporcionar resultados positivos, e cita a pesquisa de uma de suas orientandas, que utiliza celulares para a aprendizagem de inglês. “Por meio de SMS, ela pede que os alunos façam tarefas simples, como descrever a paisagem ao seu redor, gravar pequenos trechos para trabalharem pronúncia em sala de aula, entre outras atividades. Todas utilizam recursos existentes em quase todos os celulares”, destaca.

Estratégias simples como a descrita, podem, para o pesquisador da UFPE, promover mudanças significativas, reforçando e validando conteúdos aprendidos em sala de aula em diversos momentos do dia a dia dos alunos. “Estamos imersos na cultura digital e precisamos aprender a lidar com todas as inovações”, afirma.

Rogério da Costa também reforça que os dispositivos móveis devem ser usados em sua relação com o mundo exterior a escola. “Agora, com os tablets, não há mais como recusar o papel da mobilidade na educação”, afirma Rogério da Costa.

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