Infraestrutura adequada, avaliação semanal das habilidades dos alunos e formação continuada dos professores. Essas foram algumas características das redes municipais de ensino destacadas no levantamento “Educação que faz a diferença – Boas práticas no ensino fundamental”. Lançado na quinta-feira (25/6), em uma transmissão ao vivo no YouTube, o estudo foi realizado pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) e Comitê Técnico da Educação do Instituto Rui Barbosa (CTE-IRB).

“As cidades melhores avaliadas apresentavam suporte constante das secretarias de Educação, com visitas frequentes às escolas; incentivo ao protagonismo dessas instituições e cultura de observação de aulas”, complementou o diretor executivo do Iede, Ernesto Martins Faria.

A pesquisa teve a parceria de todos os 28 Tribunais de Contas (TCs) brasileiros. Eles visitaram 116 escolas de 69 redes de ensino selecionadas, em todos os estados. “Para isso, a amostra considerou diferenças regionais, socioeconômicas e desempenho”, explica Faria.

Nessas cidades, os profissionais entrevistaram o secretário de Educação, professores, coordenadores pedagógicos, diretores, alunos e seus pais ou responsáveis, além de assistirem a algumas aulas.

“Estamos acostumados a fiscalizar problemas nas redes e o uso do dinheiro público, foi a primeira vez que olhamos para boas práticas e nos relacionamos com a comunidade escolar. Isso vai mudar nosso olhar para as avaliações futuras”, revelou o auditor do TCE-PI, Gilson Soares de Araújo.

Em todas as redes, foram analisados os dados de aprendizagem dos estudantes em língua portuguesa e matemática nos anos iniciais e finais do ensino fundamental, medidos pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2017; o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) atual e sua evolução desde 2005; e taxas de aprovação, conforme o Censo Escolar.

O diferencial, contudo, foi olhar o Ideb de alunos de nível socioeconômico menor. “Essa analise nos dá a informação se as redes não estão deixando essa população para trás”, justifica Faria.

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Além do desempenho por categoria socioeconômica, outros critérios foram: garantir a aprendizagem da maioria dos alunos; reduzir desigualdades; combater evasão escolar e ter avanços consistentes na aprendizagem dos alunos ao longo dos anos. Ao final, a pesquisa destacou 118 redes com boas práticas no ensino fundamental no Brasil com os selos de qualidade “Excelência”, “Bom Percurso” ou “Destaque Estadual”, que variam conforme o estágio em que se encontram nos critérios selecionados.

“A mensagem que a pesquisa deixa é que, apesar das dificuldades, temos exemplos de ensino de qualidade na escola pública, com profissionais em diversos setores fazendo a diferença”, sintetiza Faria.

Pontos positivos

As cidades de Sobral (CE) e Jales (SP) foram as únicas que conquistaram o selo “Excelência. Na sequência, 104 redes receberam o selo “Bom Percurso”, reservado àquelas que se destacaram em avanços contínuos na aprendizagem.

Os estados que emplacaram cidades nessa categoria foram: Acre (1), Alagoas (4), Bahia (2), Ceará (18), Espírito Santo (1), Goiás (3), Minas Gerais (11), Pernambuco (2), Piauí (1), Paraná (22), Rio Grande do Sul (3), Santa Catarina (4), São Paulo (31) e Tocantins (1).

Por fim, o selo “Destaque Estadual” foi concedido para redes municipais de estados que não tiveram cidades qualificadas nos selos “Bom Percurso” ou “Excelência”. “Contudo, eles também contam com boas práticas que merecem ser celebradas”, acrescenta Faria.

Receberam essa menção honrosa: Brasiléia (AC);  Boca do Acre (Amazonas); Mantenópolis (Espírito Santo); Porto Franco (MA); Lucas do Rio Verde (MT); Nova Andradina (MS); Benevides (PA); Pombal (PB); Castelo do Piauí (PI), Paty do Alferes (RJ); Ji –Paraná (RO) e Palmas (TO).

A secretária de Educação de Licínio de Almeida (BA), Karla Michelle, apontou equipe técnica e trabalho articulado com outras secretarias um dos motivos para a conquista do selo “Bom Percurso”. “Fizemos correção de fluxo de alfabetização e contamos com equipe de apoio com fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais, entre outros”, revela.

Já secretária de Educação de Paraíso (TO), Lizete Coelho destacou como diferencial da rede o diagnóstico dos alunos no começo do ano e a formação continuada dos professores a partir dos resultados. “Oferecemos aula de reforço no contraturno e alimentação diferenciada para cada perfil de aluno”, diz. “Outro ponto positivo é que o prefeito não interfere na educação, confiando nos educadores da sua equipe”, enfatiza.

A pesquisa foi realizada ao longo de 2019. Atualmente, o Brasil tem 126.166 estabelecimentos de ensino fundamental com 26,9 milhões de alunos, de acordo com dados do Censo Escolar de 2019. Entretanto, 2% das crianças e adolescentes com idade entre seis e 14 anos estão fora da escola.

Crédito da imagem principal: yacobchuk – iStock

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