O ex-diretor do Instituto Nacional de Educação (NIE) de Cingapura, Lee Sing Kong, vê no treinamento de professores e gestores a peça chave para melhorias no sistema de ensino. Ele está no Brasil para participar de eventos que discutem educação. Lee foi responsável pelo processo de reforma educacional de seu país, que ocupa atualmente o 2º lugar no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). Assim como pretende o Brasil, Cingapura também investiu em uma base curricular nacional.
 
“Não adianta apenas reformar o currículo se os professores não forem treinados e entenderem a filosofia desse currículo. É o professor que vai implementá-lo em sala de aula”, aponta o especialista. “No século 21, não temos mais aula em que professor apenas fala e o aluno ouve. A aprendizagem é colaborativa e o professor atua como um mediador. Ele deve ser treinado para trabalhar a partir dessa nova abordagem”, defende.  
 
Segundo Lee, o primeiro passo de Cingapura foi identificar os resultados que eles gostariam de alcançar. “Fizemos uma pergunta simples: para que queremos educar nossas crianças? Quais habilidades elas devem aprender? Depois disso, o sistema ficou coerente. Elaboramos o currículo educacional, a pedagogia necessária e definimos como preparar os professores para isso”, relata. 


Investimento no docente
Em Cingapura, o governo passou a desenvolver iniciativas para atrair melhores candidatos para a vaga de professores, incluindo aumento nos salários e formação continuada. “Se avaliarmos a importância da educação, principalmente para as crianças pequenas, vemos que é necessário termos os melhores talentos. Reconhecemos que professores e gestores serão os dois grupos que farão a diferença em sala de aula”, justifica.
 
A seleção dos gestores é feita por meritocracia. Os professores iniciantes são avaliados pelas lideranças da escola e supervisionados pelos professores mais velhos, que servem de tutores. Os melhores são direcionados para a formação de gestores. “No Ocidente, a formação de gestores é aspiracional, ou seja, o professor precisa desejar ser diretor e se qualifica para isso. Em  nosso país, só depois de selecionado, o professor será educado no Instituto Nacional para atuar como diretor de escola”, diferencia.
 
Cada professor tem seu desempenho em sala de aula avaliado pelos seus mentores e recebe uma nota no final do ano. Tanto os pontos fortes quanto os pontos fracos são identificados e trabalhados com formação. Um professor mal avaliado durante três anos seguidos pode ser demitido. 
 
Contextos diferentes
Ao contrário do Brasil, em Cingapura o sistema educacional é dividido em três pilares: Ministério da Educação, escolas e Instituto Nacional de Educação. “O Ministério é responsável pelas políticas e determina como os objetivos serão alcançados. As escolas traduzem essas políticas em aprendizagem na sala de aula. Mas, para isso, professores e gestores precisam de certas competências. Essa terceira vértice é feita pelo instituto, responsável pela formação docente”, descreve.
 
Apesar de acreditar que boas ideias de Cingapura possam ser implantadas no Brasil, Lee lembra que os dois países possuem contextos sociais diferentes. Atualmente, seu país possui 5,1 milhões de habitantes em uma área um pouco menor que o estado de São Paulo. Além disso, 3,7% do PIB são investidos em educação.
 
“Em Cingapura, aprendemos com experiências do Reino Unido, Estados Unidos e Japão. Contudo, é difícil transpor o modelo de um país para o outro. É preciso discutir e contextualizar dentro do ambiente e da cultura de cada país, sempre alinhado com os resultados desejados”, conclui. 
 
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