O brainstorm (ou tempestade de ideias, na tradução livre) é uma metodologia ativa de aprendizagem na qual o professor traz um questionamento aos alunos e os desafia a responde-lo de imediato, sem muito aprofundamento reflexivo. Essas primeiras ideias são colocadas em um quadro para, na sequencia, a classe refletir e debater.

A dinâmica costuma ser utilizada com alunos mais velhos, do ensino fundamental II e médio. Porém, também pode ser aplicada durante o processo de alfabetização, como conta a professora do Centro Educacional Sesc Cidadania de Goiânia (GO), Helen Tatiana de Oliveira.

“Entre seis e sete anos, as crianças são questionadoras e buscam compreender o mundo. Isso faz com que estejam engajadas em aprender e responder suas perguntas”, justifica. “O brainstorm valorizar essa fase de curiosidade, incentiva o pensamento criativo e a troca de ideias entre pares, exercitando contribuição e escuta”, acrescenta.

Metologia de brainstorm ajuda alunos na sala de aula (crédito: arquivo pessoal)

Pesquisadora da metodologia com alunos do primeiro ano do ensino fundamental, Oliveira aponta que essa faixa etária costuma trazer para a aula ideias e questionamentos a partir de suas vivências.

“Assim, brainstorm é uma excelente estratégia para um processo de alfabetização integrado à realidade da criança e que valoriza sua autonomia intelectual, criatividade, criticidade, assim como uma construção coletiva e reflexiva”, resume. 

Toque lúdico

Para iniciar as atividades, o processo pode aproveitar questões trazidas pelas crianças ou propor perguntas intencionais, que serão respondidas oralmente em roda de conversa.

“Vale também criar listas de palavras a partir de temáticas comuns à idade, como festas, animais, comidas e brincadeiras. Sobremesa e natureza são dois temas engajam”, exemplifica. 

A própria professora pode escrever as palavras que surgirem ou estimular os alunos à uma escrita livre. Cada registro será usado como ponto de reflexão.

“Pode-se também utilizar o alfabeto móvel (instrumento no qual as letras podem ser retiradas). Ele se encaixa bem na produção de listas em duplas ou trios”, garante. 

Para dar um toque lúdico, Oliveira confecciona guarda-chuvas coloridos para as crianças colarem post-its com suas primeiras ideias neles. 

“Pode-se usar também desenhos e recortes. Isso encoraja a participar e escrever com liberdade, possibilitando avanços na leitura e escrita”, pontua.

Após a tempestade de ideias, os registros são compartilhados e ideias repetidas excluídas. “Criamos listas que ficam visíveis para a turma, como parte do ambiente alfabetizador”, compartilha. 

Respeito ao aluno

Entre as principais dicas para realizar a atividade, Oliveira recomenda não desconsiderar o contexto de vivência das crianças ou a realidade da comunidade. 

“Dê a todos os alunos a oportunidade de participar, sem fazer críticas que acabem inibindo a participação. Os mais tímidos e inseguros precisam de incentivo”, acrescenta. 

As regras devem ser claramente estabelecidas e não há limite de ideias, mas cada aluno deve falar por vez. 

“Quando trabalhamos com crianças, sabemos o quanto o professor deve ser respeitoso com essas situações, pois a partir de uma fala podem surgir os mais diversos assuntos. Devemos dar oportunidade aos alunos de explicar o pensamento, principalmente quando achamos que aparentam estar fora do contexto”, alerta. 

Para completar, acerto e erro são etapas igualmente importantes no processo. “A criança precisa elaborar hipóteses, experimentá-las, confrontar seu saber com os saberes do grupo e, com isso, a possibilidade de erro se faz presente”, destaca. 

 

Veja mais: 

Rotação por estações é estratégia para alfabetização

Alfabetização: 5 planos de aula de língua portuguesa para trabalhar no ensino fundamental I

Alfabetização: produzindo uma lista com os combinados da turma

Pensadores na Educação: Emilia Ferreiro e as práticas de alfabetização

 

 

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