As inscrições para o Prêmio Instituto Claro – Novas Formas de Aprender e Empreenderencerram-se no dia 03 de dezembro. Já em sua segunda edição, este ano a iniciativa irá premiar projetos que tragam inovação na aprendizagem ou no desenvolvimento comunitário. Para participar, as ações devem ter as tecnologias de informação e comunicação (TICs) – a exemplo de redes digitais, computadores e celulares – como elementos que propiciem o caráter inovador dos projetos.

O Prêmio está dividido em duas modalidades: “Inovar na Aprendizagem”, que dará apoio à execução e à ampliação de práticas e oportunidades de aprendizagem inclusivas, e “Inovar na Comunidade”, que visa incentivar ações que melhorem as condições de vida da comunidade. Em ambas, o papel das TICs é fundamental.

Para o Instituto Claro, as “novas formas de aprender” estão relacionadas a práticas e oportunidades de aprendizagem inovadoras, lúdicas e inclusivas. Esse é o recorte que será considerado na seleção dos projetos. Já a vertente de “inovar na comunidade” quer destacar projetos que melhoram as condições de vida da comunidade através de iniciativas culturais, esportivas e ambientais, como, por exemplo, a promoção da cidadania, da diversidade e da saúde, ajudas humanitárias, geração de renda e preservação ambiental.

A evolução no formato do Prêmio Instituto Claro aconteceu a partir de um aprendizado empírico, acumulado desde a fundação do Instituto, no começo do ano passado. A partir de debates constantes realizados com especialistas sobre o tema da inovação na educação por meio das tecnologias e, principalmente, a partir da análise dos projetos inscritos no Prêmio de 2009, nasceram as evidências de que o comportamento empreendedor é um caminho riquíssimo para potencializar o papel que as tecnologias podem ter na transformação da aprendizagem e da sociedade, de uma forma mais ampla. O que o Instituto descobriu é que essa atitude diferenciada, chamada empreendedorismo, é capaz de mobilizar pessoas que acreditam em um sonho para, juntas, mudarem uma realidade.

Milhões de pessoas possuem essa postura e muitas vezes não se identificam como empreendedores. Para a gaúcha Sabrina Silva, “empreendedor” é um termo ainda quase desconhecido. Mesmo tendo sido uma das vencedoras do Prêmio de 2009, ela não tinha se dado conta de que o seu comportamento poderia ser considerado empreendedor: “O projeto com o qual vencemos, o Scratch, surgiu da vontade de querer colocar uma ideia em prática. Aí, quando soubemos do Prêmio, vimos que tinha tudo a ver e que era a oportunidade de realizarmos”. E complementa: “Esse apoio nos ajudou a fazer a diferença e a reconhecer o quanto somos capazes de articular. E agora que sabemos, somos capazes de empreender”.

O projeto de Sabrina tem como objetivo a formação e o acompanhamento de educadores sociais, professores e comunidade em atividades com crianças e jovens da região metropolitana de Porto Alegre (RS) através da utilização do software Scratch. O aplicativo, gratuito e disponível em português, é uma produção do MIT Media Lab que torna fácil para o usuário criar suas próprias histórias interativas, animações, jogos, música e arte e também compartilhar suas criações na internet. “As crianças usam a lógica o tempo inteiro e não se dão conta de que estão aprendendo tudo, porque a maneira que elas aprendem é animada e divertida. Muitas vezes não é essa a forma de aprender na escola, por exemplo”, afirma.

Tal como descobriu Sabrina, esse perfil empreendedor está dentro de milhares de pessoas responsáveis por mudanças no mundo. Essa vontade e a capacidade de mudança representam muitas vezes a busca das pessoas por uma melhoria constante de processos ou de resultados. Ter um perfil articulador, uma ideia inovadora com potencial de causar impactos positivos para a sociedade e também capacidade gerencial para colocar essa ação em prática é ter um comportamento empreendedor. Seja contribuindo de forma inovadora e articulada para a organização em que se trabalha – são os chamados intraempreendedores -, seja encontrando soluções que possam ser replicáveis para problemas sociais e ambientais, como fazem os empreendedores sociais.

Segundo a baiana Aline dos Santos, responsável pelo projeto “Por Uma Retirolândia Verde. Eu Penso Verde. E você?“, também vencedora da edição 2009, é muito motivador ver muitas pessoas se envolvendo em uma causa. “Eu adoro articular, fazer acontecer e convencer as pessoas a lutarem juntas”, afirma. Mas ela ressalta que o início sempre é muito difícil, como aconteceu no seu projeto. “Por dar muito trabalho no início, encontramos muita resistência por parte dos colegas professores. Então, o segredo foi esquecer as dificuldades e agir”, conta. O projeto de Retirolândia envolveu cerca de 680 alunos, que mapearam o tratamento do lixo em aproximadamente 70% do município e envolveram a comunidade em uma grande mobilização sobre o tema.

Para saber mais sobre o Prêmio

Acreditando nesse comportamento articulador das pessoas que fazem a diferença na sua comunidade, o Instituto Claro agregou ao Prêmio de 2010 essa arte de combinar a identificação de uma oportunidade com uma ideia inovadora e com a capacidade de colocá-la em prática. Não há limite de projetos selecionados em cada modalidade. É preciso residir no país e ser responsável direto pela idealização e gestão do projeto, além de estar ligado a uma pessoa jurídica, que pode ser uma instituição social, cultural, educativa formal ou não formal, como uma escola e uma ONG, entre outras. Todas devem ser constituídas no Brasil e ter sede no território nacional.

A inscrição dos projetos é feita no site www.institutoclaro.org.br/premio. Para a seleção, todas as iniciativas passarão por uma triagem, seguida da avaliação por uma comissão técnica. O valor total do Prêmio é de R$150.000,00 (cento e cinquenta mil reais), a ser distribuído em forma de barras de ouro entre os vencedores das duas modalidades.

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