Leonardo Valle

Acabar com a fome, preservar os ecossistemas, universalizar o acesso à educação, à água e ao saneamento básico são algumas das metas da Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU). Esse plano de ações reúne diversos países do mundo em torno de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a serem alcançados em 15 anos a partir de 2015.

Mesmo que o artigo sobre a persecução da Agenda 2030 tenha sido vetado, em dezembro de 2019, pelo presidente Jair Bolsonaro e não faça parte das diretrizes do Plano Plurianual (PPA) 2020-2023 do país, conscientizar os alunos sobre os 17 ODS ainda é importante. Essa é a opinião da docente da Etec Professora Maria Cristina Medeiros, de Ribeirão Pires (SP), Sirlei Rodrigues do Nascimento.

“É uma demanda que não é apenas local, mas mundial. Somos moradores do planeta Terra e tudo que acontece aqui nos afeta. Nesse contexto, atender à agenda é um dever coletivo”, defende.

Como os temas são transversais, a professora lembra que eles podem ser trabalhados em todos os componentes curriculares e nos diferentes modelos de ensino médio, como técnico ou regular. “Quanto mais usarmos esse plano de ação como instrumento didático, mais rapidamente alcançaremos as pessoas que promoverão as mudanças necessárias. Temos ainda 10 anos pela frente”, reforça.

Para ela, um ponto positivo é que os 17 ODS fazem parte da realidade dos secundaristas. “Violência, desemprego, injustiça, mesmo que não vividos pelo aluno, estão no seu cotidiano, assim como clima, aquecimento global, enchentes, secas e poluição. Os estudantes entendem e se solidarizam”, decreta.

Cada série, um tema

Em sua escola, onde atua como coordenadora de curso, Nascimento trabalhou a Agenda 2030 com os estudantes do ensino médio por meio da aprendizagem por projetos.

“Para cada ano, foi proposta uma temática de trabalho e dois professores responsáveis pela mentoria durante a escrita, planejamento, construção e apresentação do projeto para a comunidade, em um sábado letivo”, descreve.

Os produtos para a feira foram escolhidos pelos alunos e apresentados na forma de teatro, experimentos com banners e ação social, de acordo com cada etapa.

Os primeiros anos, por exemplo, apresentaram peças teatrais. “Uma turma trabalhou um enredo com uma máquina do tempo que viajou até 2030, mostrando que as ações erradas do hoje mudaram o futuro negativamente”, relembra.

Os segundos anos tiveram como tema as ciências, por meio de experimentos para melhorar o meio ambiente. Eles contaram com o apoio dos professores de exatas e biologia e utilizaram os espaços dos laboratórios.

Por fim, os terceiros anos discutiram os temas sociais, como empoderamento feminino, violência e política. “Eles foram liderados pelos professores de ciências sociais e linguística, além de organizarem um coletivo para atendimento à população com cabelereiro, enfermagem, zumba, maquiagem e prevenção ao câncer de mama.”

Durante o processo, a idealizadora aponta o papel do professor-mentor como fundamental para a criatividade dos educandos. “Docentes de artes, biologia, química e educação física facilitaram a promoção da interdisciplinaridade da proposta, o que fez a diferença”, revela.

Veja mais:
6 links para entender as metas educacionais da ONU
Argumentação, pensamento crítico e empatia são focos de projeto educacional que simula ONU

Crédito da imagem: AlisaRut – iStock

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