O estágio supervisionado é a etapa da formação docente em que os estudantes de pedagogia e licenciaturas atuam em sala de aula, observando, planejando e realizando atividades pedagógicas. Isso é realizado junto a dois profissionais: o professor orientador, da instituição de ensino, e o professor supervisor, que o receberá na escola e orientará sobre a prática cotidiana e as atividades no local.

“É a etapa da formação em que o estudante elabora a relação entre teoria e prática com elementos da realidade. A interação com a rotina, a turma, o professor, os processos escolares e a comunidade fundamentam, a partir da realidade concreta, a construção do conhecimento e a compreensão de como escola e alunos organizam as aprendizagens”, resume a professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Analisa Zorzi.

“Assim, o estágio supervisionado permite ao licenciando organizar novos conhecimentos sobre a escola, o processo de ensino e a aprendizagem, a avaliação, o desenvolvimento e os demais aspectos do fazer docente e de outras situações escolares, como a gestão democrática”, complementa.

Supervisor tem papel central

“O supervisor vai mediar, junto ao estagiário, as situações didáticas que possam repercutir na formação desse aluno. Acompanhará o estagiário em suas atividades, estabelecendo diálogo formativo para orientar sobre planejamento, rotina na escola, avaliação, reuniões pedagógicas, possibilidades didáticas, interações com a turma e com a comunidade”, descreve Zorzi.

O estágio supervisionado, porém, também pode ser formativo para quem supervisiona, gerando aprendizados mútuos. “O professor da escola tem a oportunidade de ressignificar sua prática docente via novos conhecimentos trazidos pelos acadêmicos em formação”, destaca a professora do curso de educação física da Universidade do Estado do Pará (UEPA) Laíne Rocha Moreira.

“As situações observadas, vivenciadas e construídas a partir dos estágios se constituem em elementos para refletir sobre os processos próprios daquela turma, da escola e da educação de um modo geral. Por exemplo, muitos trabalhos acadêmicos são pensados a partir de situações vivenciadas no estágio”, lembra Zorzi.

Cuidados ao receber um estagiário

  1. Planejamento anterior ao início do estágio melhora o acolhimento.  “Assim, a recepção pelo professor supervisor do estagiário [na escola] ocorrerá de forma tranquila, uma vez que o elo foi se constituindo de forma planejada”, diz Zorzi.
  2. Professor supervisor deve entender a importância da sua contribuição na formação do licenciando. “Quando isso acontece, ele age de forma mais acolhedora”.
  3. Moreira recomenda envolver os estagiários no planejamento das aulas, estabelecendo uma relação de diálogo com eles.  “Nesse momento, o professor supervisor pode esclarecer dúvidas e tornar explícito o raciocínio pedagógico”.
  4. Prepare a turma antes da chegada do estagiário. “Uma boa apresentação contribui para que os estagiários se sintam bem acolhidos”, opina Moreira.
  5. Não peça ao estagiário ações para além das formativas pactuadas. “O estudante não pode assumir tarefas de responsabilidade institucional do professor supervisor. Isso é regulado pelo termo de compromisso e plano de trabalho assinado pela escola, o estagiário e a universidade”, enfatiza Zorzi.
  6. O estagiário não pode substituir uma prática pedagógica sem a presença do orientador ou supervisor. “Ou seja, não pode assumir a turma sem a presença deles”, destaca Moreira.
  7. Valorize o momento de observação das aulas pelo estagiário. “Ele perceberá elementos não somente relacionados às aprendizagens, mas às interações. É fundamental compreender não apenas o que se produz na escola em termos de conhecimento, mas também de cultura, interações e como diferentes sujeitos se situam nesse espaço”, destaca Zorzi.
  8. Estabeleça um momento de reflexão conjunta com o estagiário que destaque pontos importantes das situações ocorridas em sala de aula. “Todas as situações são oportunidades de reflexão junto ao supervisor e ao orientador. Esse é um processo solidário em que se pode refletir em conjunto sobre as possibilidades de ação frente à turma. Permite pensar novos planejamentos e a sequência do trabalho em situações inusitadas ou desafiantes”, defende Zorzi.
  9. Permita a experiência de novas possibilidades didáticas. “A partir de uma relação dialógica envolvendo escola, universidade e estagiário, a autonomia vai se constituindo e abre possibilidade de novas ações”, conclui Zorzi.

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