Se por um lado o mobile learning é tido como um importante aliado da educação na cultura digital, por outro é cada vez mais claro que seu uso exige um propósito pedagógico consistente. Isso significa que, para que ele possa ser integrado ao conteúdo e às atividades escolares, é preciso que educadores e estudantes estejam preparados para atuar com essa tecnologia, que pode oferecer conteúdo e aplicativos relevantes para a sala de aula. Nesse sentido, começam a se tornar cada vez mais comuns discussões sobre o tema e a realização de cursos e oficinas, com o objetivo de chegar a novos modelos de ensino e aprendizagem e de capacitar os educadores.

O projeto Escola com Celular, uma parceria da Fundação Vanzolini com escolas municipais da cidade de São Vicente (litoral sul de SP), é um exemplo de iniciativas como essa. Partindo do tema sustentabilidade, o objetivo do projeto é incluir o mobile learning no currículo escolar do município. Em seu primeiro semestre de funcionamento, o Escola com Celular já está presente em 9 das 15 escolas do município, e existem planos de expansão para as cidades de Santos e Guarujá no ano que vem. Por enquanto, o programa é voltado para os alunos do nono ano do ensino fundamental.

Para que a mudança seja efetiva, inicialmente, os professores de história, geografia, matemática e ciências que participam da iniciativa fizeram um curso online, onde receberam sugestões de atividades. Entre elas, a opção de uma enquete por SMS. As questões foram enviadas gratuitamente para os alunos e, a partir do resultado, foi possível organizar uma discussão a respeito da sustentabilidade, o tema proposto. Num segundo momento, os estudantes fizeram trabalhos de pesquisa, coletando por meio do celular dados, entrevistas, fotografias e vídeos. Depois, todo o material foi postado na rede social dos alunos. Como conclusão das atividades desse primeiro semestre, acontecerá no final de novembro uma grande gincana de mapeamento da cidade entre os alunos das diferentes escolas. Para facilitar a implementação, o programa permite que educadores e alunos usem seu próprios celulares.

Na rede social do Escola com Celular, alunos compartilham suas fotos e descobertas

Ghisleine Trigo, que ajudou a desenvolver o conteúdo do projeto, conta que o primeiro passo foi realizar uma análise dos currículos das escolas municipais de São Vicente. “Não interessava para a gente fazer uma coisa que ficasse paralela ao material trabalhado pelas diferentes disciplinas”, afirma. Ela ressalta ainda que a realização de cursos e oficinas com professores antes do início do projeto com os alunos é fundamental para que eles possam trocar ideias com outros educadores sobre a melhor forma de utilizar as tecnologias disponíveis em sala de aula, respeitando a realidade de cada instituição.

Segundo Luís Barbosa, gerente da Escola com Celular, os alunos ficaram empolgados com as possibilidades de atuação em grupo com o aparelho. Ele conta, porém, que alguns professores, apesar de terem aderido ao projeto, ofereceram resistência à utilização da ferramenta antes de fazer o curso pela internet. Barbosa diz que uma das maiores vantagens do programa é a possibilidade que os educadores têm de se encontrar online com os estudantes para pensar experiências diferentes. “A ideia é que o projeto vá se renovando e ganhando a cara do currículo de cada região.”Para ele, o fundamental é que os educadores entendam que o celular, assim como outras tecnologias, pode ser uma ferramenta de auxílio à aprendizagem e que cabe a eles aprenderem sempre mais sobre como trabalhar com cada uma delas.

Veja o vídeo da primeira aula online para os professores do projeto.

Cursos quebram a resistência

Bruno Costa e Silva

Professor aprende na prática os usos educativos de dispositivos móveis

Martín Restrepo, sócio e diretor educacional da Editacuja, que realiza cursos sobre mobile learning, diz que os professores, muitas vezes, tendem a enxergar a mobilidade e o desenvolvimento de aplicativos como “uma coisa da NASA, do espaço”. Por isso, as aulas são importantes para mostrar na prática que essas atividades podem ser mais simples do que parecem. “A receptividade por parte dos professores é sempre muito positiva”, conta.

Segundo Restrepo, o trabalho em grupo é essencial na realização das aulas. A ideia é que professores que possuem um maior conhecimento sobre aparelhos tecnológicos possam ajudar aqueles que conhecem menos sobre o assunto. A Editacuja já organizou aulas para educadores no Senai, Senac e na USP – esta última foi acompanhada pelo Instituto Claro. O próximo passo é trabalhar com profissionais de escolas de ensino médio e fundamental, explorando principalmente as possibilidades educacionais dos tablets.

Martín conta que, para atuar com mobile learning, é preciso levar em conta diversos fatores, já que ele pode ser integrado a qualquer disciplina e projeto educativo. “Em uma sociedade conectada, é muito importante que o educador tenha essa capacidade. Mesmo que ele não seja um grande conhecedor de tecnologia, deve pelo menos ter a habilidade de integrar essa tecnologia”, afirma.

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