Os quadrinhos podem ajudar na alfabetização e no letramento porque unem imagens e textos de forma atraente, fazendo com que a criança a relacione palavras a situações visuais e seja estimulada a interpretar a narrativa.
“As HQs aproximam a criança das práticas sociais de leitura e contribuem para o letramento ao trabalhar diferentes linguagens e registros”, explica a doutora em Ciência da Literatura e professora do município do Rio de Janeiro (RJ) Taís Turaça Arantes.
“Além disso, trabalham habilidades relacionadas ao processo de alfabetização e letramento, como: consciência fonológica, reconhecimento do sistema de escrita alfabética, ampliação de vocabulário, compreensão leitora, inferência, sequenciação lógica e temporal, leitura de imagens e percepção da variação linguística”, lista.
Entre os tipos de quadrinhos preferidos pelas crianças nessa etapa, Arantes observa uma boa aceitação das revistas da Turma da Mônica. “Elas apresentam linguagem acessível, temas do cotidiano infantil e um forte apoio visual, o que favorece a alfabetização e o letramento inicial”, compartilha.
Confira, a seguir, quatro formas de utilizar os quadrinhos durante o processo de alfabetização e letramento.
Construção de HQ pelos alunos
Arantes costuma propor que os alunos criem suas próprias histórias em quadrinhos sobre algum tema, geralmente apresentando canções e trabalhando intertextualidade em conjunto.
“A atividade deve ser gradual, com escolha do tema, definição de personagens, organização dos quadros, produção livre, mediação do professor e revisão coletiva, respeitando o nível de escrita de cada aluno”, orienta.
“Nessa atividade, eles desenvolvem criatividade, autoria, planejamento textual, compreensão da estrutura narrativa e integração entre linguagem verbal e não verbal. Fora que também deixa a aula mais prazerosa”, acrescenta.
Outra possibilidade é fazer a construção da HQ de forma coletiva. “Quando se trabalha em grupo, tem aquele que desenha, aquele que pinta, aquele que escreve a história, além da produção da capa. Depois, gosto de expor o trabalho final na sala”, explica.
Autora da monografia “Histórias em quadrinhos no ciclo de alfabetização: percepções de uma professora do primeiro ano do ensino fundamental” (2023), a pedagoga Isabella Marques Nunes sugere iniciar produzindo a história oralmente, orientando os alunos de que é necessário que ela tenha início, meio e fim. “A gente começou a gravar a história para ouvi-la no dia seguinte. Percebíamos se queria mudar algo, o que era decidido em votação. Depois, escrevíamos a história em texto e desenho”, relata no artigo.
Reescrita, diferenciando forma culta da oral
Os alunos podem reescrever a história passando a forma oral para a forma culta. Caso, por exemplo, das histórias do Cebolinha, que troca o “R” pelo “L”
“Gosto de enfatizar a diferença da norma coloquial e culta. Porém, deve-se evitar valorizar a norma oral como legítima, evitar juízos de certo e errado e apresentar a norma culta como uma variedade adequada a determinados contextos de uso, respeitando a diversidade linguística dos alunos”, destaca Arantes
Outras possibilidades de trabalhar a reescrita é pedir a transformação da HQ em texto narrativo ou mudando o final de uma história. “Nesse momento, também é possível trabalhar as onomatopeias, bem como as interjeições”, adiciona Arantes.
Ler histórias em quadrinhos em diferentes lugares da escola
Na monografia “A contribuição das HQ’s digitais no processo de alfabetização e letramento de crianças do terceiro ano do ensino fundamental” (2019), a pedagoga Gislaine Linhares Sabino Batista dos Santos compartilha que explorou a leitura das HQs em diferente lugares da sua escola, como pátio e bosque. A leitura era realizada tanto de forma silenciosa quanto em voz alta. “(Fizemos): leitura de diálogos respeitando a pontuação e identificando onomatopeias; fazendo a distinção de balões; a identificação da sequência das histórias e atentando para o início, o meio e o fim”, afirma no artigo.
Partilha de leitura
Antes de iniciar a atividade de leitura compartilhada entre os alunos, Arantes recomenda antecipar o tema do quadrinho com a turma. Durante a leitura, pode-se explorar imagens, fazer pausas para perguntas e incentivar a participação e a valorização das hipóteses dos alunos. Eles também podem interpretar os personagens da narrativa”, sugere.
“Além de divertida, essa atividade amplia a compreensão leitora, promove a interação, fortalece a escuta e favorece a construção coletiva de sentido”, finaliza Arantes.
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Crédito da imagem: FG Trade – Getty Images