A comunicação não-verbal (CNV) é um recurso que auxilia no processo de ensino-aprendizagem. “É representada pelo nosso jeito de ser, visual, expressões faciais, gestuais e corporais. Isso tudo carrega emoções e atinge os interlocutores antes que nossas expressões verbais”, explica a mestre em Docência e Gestão da Educação pela Universidade Fernando Pessoa (Portugal) Jódna Lopes.

Segundo a especialista, comportamentos e atitudes comunicam tanto quanto as palavras, podendo, inclusive, contradizer aquilo que se fala. “Por meio da CNV, os docentes estabelecem uma relação positiva ou não com os alunos, que interferirá na aprendizagem”, sintetiza.

Gesto consciente

Entre os comportamentos que podem ser interpretados de maneira errônea, Lopes cita “apontar o dedo” ou “olhar fixamente nos olhos”. “O primeiro pode soar como hostilidade, acusação e, o segundo, como intimidação”, diferencia. A interpretação, porém, varia conforme o aluno. O que pode ser negativo para uns pode soar de forma positiva e afetiva para outros. “Motivo pelo qual a utilização da CNV deve ser cuidadosa, consciente e intencional”, defende a especialista.

Em casos de atitudes agressivas dos estudantes, ela recomenda que o docente tente manter a calma. “Evite agir da mesma forma ou com ações como aumentar o tom de voz e franzir a testa. Isso pode estimular conflitos ou mesmo aumentar a distância entre as partes”, alerta.

Espontaneidade

Mas nada disso deve ser motivo para perder a espontaneidade. “Esse ponto é importante, porque não significa que o professor tenha que se tornar mecânico. Ao contrário: agir intencionalmente expressa o grau de importância que se atribui ao aluno”, explica Lopes.

Para ela, a espontaneidade é um elemento paraverbal e integra o processo dentro da comunicação não-verbal. Ela é demonstrada, por exemplo, no tom de voz e no ritmo da fala. “A vontade de acertar, não deve impedir o agir. A espontaneidade nasce com a afetividade. Se há laços entre professor e alunos, isso tende a fluir naturalmente. Falta de naturalidade pode representar bloqueio ou ausência de sentimentos”, observa.

Há gestos que chamam a atenção dos estudantes de forma positiva, estimulando interações. “Tocar na cabeça do aluno, o ombro, movimentar-se no grupo e aproximar da carteira”, exemplifica. “São movimentos que estabelecem aproximação, não somente física, mas psicológica, emocional, e afetiva, por essa razão estimulam a interação e a relação de confiança entre docente e discente, e consequentemente a aprendizagem”, afirma.

Ensino remoto

Com a pandemia do novo coronavírus (covid-19) e o consequente aumento do ensino remoto, os professores se depararam com novos desafios em relação à comunicação não-verbal. Lopes indica que sejam tomados cuidados específicos no caso da aula ser transmitida online. A demora em responder uma mensagem pode ser recebida como falta de atenção ou desdém. A ausência da imagem, ou mesmo da voz do professor, pode demonstrar pouco carinho ou importância.

“O fato de você estar perto fisicamente de alguém não significa que estabelecerá uma conexão de proximidade afetiva com a pessoa. Nesse sentido, atitudes online também aproximam estudantes”, compara. Para a pesquisadora, é possível captar, mesmo pelas mensagens de texto, o estado emocional de quem as enviou, seja pelos emoticons ou expressões utilizadas.

“Sem falar no feedback, que constitui um instrumento importantíssimo para o processo de ensino-aprendizagem, porque o professor precisa se assegurar de que seus alunos estão compreendendo suas ações comunicativas, seja no espaço virtual ou não”, destaca.

Veja mais:

Comunicação não violenta pode ser usada por professor em sala de aula

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