No final do ano passado, a Fundação Telefônica lançou a campanha “É da nossa conta! Trabalho Infantil e Adolescente”. Para mobilizar o maior número de pessoas possível, foi publicada uma série de reportagens a respeito do tema, além disso, o público foi convidado a colaborar utilizando a expressão #semtrabifantil nas redes sociais. Esta estratégia foi escolhida porque ao usar uma hashtag (#) em frente de uma palavra postada no Twitter, por várias vezes, a mesma fica no Trending Topics  ?  lista, em tempo real, das frases mais publicadas no Twitter pelo mundo todo  ? , ou seja, ganha destaque e mais visibilidade dentro do emaranhado de informações que se encontram na Web.
 
Uma das formas de trabalho infantil abordada pela campanha foi o artístico, de crianças que trabalham em propagandas, telenovelas, programas de auditório, entre outros. Estamos falando de uma relação direta entre a criança e os meios de comunicação, estimulada e apoiada pelos pais que, muitas vezes, estão interessados apenas no que a tela os apresenta: a imagem glamorosa do filho em uma tela.
 
A relação saudável entre mídia e educação, no patamar em que possam dialogar, deve seguir o respeito e os bons costumes, aqueles ensinados pelos nossos avós e pais. Quando falamos em Educar para a Mídia e com a Mídia (expressão comum na área da educação), é como se uma entrasse “na casa” da outra, mas pedindo licença.
 
Não é errado uma criança, um adolescente ou um jovem escolher uma carreira nos meios de comunicação de massa, o que se defende é que haja sempre uma orientação sobre todos os cantos em que as ações midiáticas estão presentes no nosso cotidiano e como desvendá-las. Somente um bom relacionamento entre as duas partes garantirá que os limites não sejam extrapolados.
 
Cabe à educação (pais, professores, escola e todos que passam ensinamentos) conhecer, se informar, passar a informação, guiar para um bom convívio dentro dos meios de comunicação, e cabe à mídia refletir: como estamos retratando esses jovens para a sociedade? Se a maneira não for a adequada, não conseguiremos alcançá-los para mostrar que o acesso à informação, independente por qual mídia aconteça, é a maior aliada para que o trabalho infantil, por exemplo, seja conhecido e combatido.
 
A campanha foi interessante porque usou justamente ferramentas midiáticas para discutir como o jovem aparece na mídia. E a ação foi tão efetiva que o tema continua sendo pautado nas discussões acerca da sociedade. É momento de se perguntar: se não tivéssemos uma televisão ou a Internet, conseguiríamos ser mobilizados por uma ação que acontece muito longe de nós, até mesmo em outros países?
 
O assunto é o foco da rede Promenino, uma iniciativa da Fundação Telefônica/Vivo que busca contribuir para a garantia dos direitos de crianças e adolescentes e combater a exploração do trabalho infantil. A partir das novas tecnologias da informação e da comunicação (TICs), a rede procura disseminar conteúdos e informações, conectar pessoas e promover a mobilização da sociedade em prol da causa. E consegue. Afinal, muitos de nós estamos cientes de que educar para a mídia é munir os jovens de meios que possibilitem o acesso à mídia, sem exploração de sua imagem, sem inversão de papéis, sem transposição de fases; é permitir que a mídia “entre” na nossa casa, mas pela porta da frente, sem máscaras.

O Instituto Claro abre espaço para seus colunistas expressarem livremente suas opiniões. O conteúdo de seus artigos não necessariamente reflete o posicionamento do Instituto Claro sobre os assuntos tratados.

Autor Talita Moretto

Talita Moretto é especializada no uso de mídia e tecnologias aplicadas à educação. Atua na área desde 2008, dedicando-se, especialmente, à formação de professores. Idealizadora e diretora do Sala Aberta (salaaberta.com.br), é também coordenadora de Tecnologia Educacional no Colégio Sepam, em Ponta Grossa (PR). Contato: talitamoretto@salaaberta.com

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