No início do segundo semestre, um evento marcou a vivência em mídia-educação no município onde moro, Ponta Grossa, no Paraná. Foi realizado o 1º Encontro Jovem de Mídias e Educação de Ponta Grossa. Participei da organização do evento inédito que compôs as atividades do 3º Encontro de Comunicação e Educação (Ecom.Edu), realizado pelo departamento de Pedagogia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
Foi um dia apenas – tudo aconteceu em 10 de setembro –, mas havia tantas palavras a serem libertadas, tanto talento a ser mostrado, tanto conhecimento a ser compartilhado; e eis que os jovens lotaram o auditório da UEPG, com interesse, entusiasmo e voz ativa.
Adolescentes – entre 13 e 17 anos – acompanhados de seus professores vieram de diversas cidades paranaenses e também de Minas Gerais, com o único propósito de participar do encontro.
Todos tiveram a oportunidade de conversar com pessoas da área de mídia-educação, incluindo profissionais da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), da Universidade do Rio Grande Norte (UFRN), da Universidade Nova de Lisboa, da UEPG, até mesmo Caio Dib, um jovem de 22 anos que decidiu sair pelo Brasil e conhecer experiências educacionais inspiradoras (projeto Caindo no Brasil) esteve aqui para participar desse momento.
E não parou por aí. Eles tiveram uma tarde toda para colocarem-se no papel de pesquisadores e apresentarem para uma grande plateia jornais escolares, vídeos, blogs produzidos por eles a respeito da realidade dentro da escola e no bairro e comunidade.
No formato de painel, com direito e apresentação no telão e sabatinados pelo público presente (composto por estudantes, professores de ensino fundamental, médio e universitário, pesquisadores, acadêmicos, pessoas da comunidade), foi um verdadeiro encontro da mídia com a educação onde os jovens foram protagonistas do seu aprendizado e se misturaram ao espaço universitário, expondo a metodologia utilizada na criação de seus produtos midiáticos, mostrando como fazer, motivando quem ali estava.
Momentos como esse deveriam ser mais frequentes. A universidade, principalmente os cursos de pedagogia e comunicação, precisam repensar seus currículos e, sobretudo, repensar a formação dos seus alunos/profissionais. A educação para a mídia, a mídia-educação, a comunicação e a educação, se mesclam na sociedade, mas esta mistura está sendo ignorada.
Quem educa é a família, é a escola e é também os meios de comunicação. Veículos de mídia devem reconhecer que possuem um papel social, e este entendimento deve ser formado nos bancos universitários. Quando houver ações articuladas entre os dois campos, veremos mais autonomia dos jovens e uma apropriação dos meios e das mensagens.
O resultado do 3º Ecom.Edu foi a escrita da Carta de Ponta Grossa de Mídia e Educação, a qual coloca que “a educação para usar as mídias com autonomia e criticidade é um fator fundamental para que pessoas de todas as idades e nações possam exercer o direito humano universal à liberdade de expressão, entendido como o direito de ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios, e independentemente de fronteiras. A escola, e outros espaços da sociedade civil, são instâncias democráticas onde a formação para a cidadania ativa é favorecida”.
A Carta está disponível na íntegra na plataforma do Avaaz, junto a uma Petição Pública Online. Espera-se que a população, os estudantes, os professores, os acadêmicos, os profissionais da educação e da comunicação leiam e apoiem essa iniciativa.
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Talita Moretto é especializada no uso de mídia e tecnologias aplicadas à educação. Atua na área desde 2008, dedicando-se, especialmente, à formação de professores. Idealizadora e diretora do Sala Aberta (salaaberta.com.br), é também coordenadora de Tecnologia Educacional no Colégio Sepam, em Ponta Grossa (PR). Contato: talitamoretto@salaaberta.com