Dois mil e quinze foi atípico, mas deixou algo para reflexão. O ano letivo começou com a greve de professores mais longa da história do estado de São Paulo. E terminou, com um fato inédito, as ocupações das escolas públicas. A reinvindicação era o cancelamento da reorganização escolar, que precisa acontecer, no entanto não nos moldes propostos pelo governo. Este voltou atrás, declarou que discutiria com alunos e pais a proposta. O que criou muitas expectativas em toda comunidade escolar.

A discussão ainda não aconteceu, mas o governo tomou algumas medidas para o inicio do ano letivo de 2016. Uma delas foi o aumento do número de alunos por sala de aula. O que diretamente diminui o número de aulas para os professores gerando um problema na constituição da jornada de trabalho dos docentes. Fazendo com que eles tenham que se desdobrar em mais de uma unidade escolar para conseguir compor sua jornada de trabalho. 

Diminuiu também o número de funcionários como os coordenadores pedagógicos, agentes de organização escolar e agentes terceirizados. Tudo isso afeta diretamente a aprendizagem dos alunos. Em salas superlotas os alunos tem vergonha de se expressar, se for uma turma de ensino médio é mais grave, pois eles não expõem suas “fraquezas”. No ensino fundamental há a indisciplina, o aluno que tem dificuldade de aprendizagem ou que não compreende um tema tem a tendência de “chamar a atenção” e quase sempre provocando indisciplina.
 
Apesar de divulgarem aumento nas notas do Idesp 2015, estas mudanças provocarão prejuízos na aprendizagem nos alunos. Educação é algo muito sério, deve ser pensada a médio e longo prazo. Deve se ter muito claro que todas as mudanças terão consequências e que elas podem prejudicar toda uma geração.  É necessário investimento financeiro e de pessoas.
 
Por um lado, o governo investe em cursos de atualização para professores e em concursos para provimento de docentes. Por outro lado, superlota salas de aulas, fazendo com que esses docentes se desdobrem em várias unidades de ensino e dispensa profissionais que cuidam diretamente do bem estar dos alunos. Atitudes opostas causam confusão, nos alunos e seus responsáveis, nos profissionais da educação e consequentemente em toda sociedade.
 
Onde vamos parar? Já foi mostrado que uma parcela da sociedade vai lutar pelo direito a uma educação de qualidade. Sabemos que mesmo com todas as adversidades enfrentadas ao longo dos anos anteriores foram lançadas sementes que germinaram em nossos alunos o desejo de lutar por seus ideais, por aquilo que lhes é de direito. Como já disse Lygia Fagundes Telles houve a “sedução do imaginário” de cada aluno que ainda vê na educação uma porta para um futuro melhor. Não matemos essa semente tão linda e que dará frutos que toda sociedade colherá no futuro.
 
 
*Herlen Cristina Pires é professora de língua portuguesa da Escola Estadual Professora Marta Teresinha Rosa, localizada em Mauá, região da grande São Paulo 

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