(Crédito: Altanaka/Shutterstock)
Agora ficou mais fácil encontrar livros, manuais, guias, cartilhas, textos e vídeos gratuitos que abordem as várias faces da violência contra crianças e adolescentes. Já está no ar a Biblioteca Digital Crescer Sem Violência – uma parceria do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) com a Associação dos Pesquisadores dos Núcleos de Estudos e Pesquisa sobre a Criança e o Adolescente (Neca)  e o Instituto dos Direitos da Criança e do Adolescente (Indica). Os materiais disponibilizados são de fácil leitura e tem o objetivo de aprofundar o debate sobre a violência infantil, além de orientar a construção de projetos, planos e políticas públicas.
Segundo a consultora do Neca e uma das coordenadoras do projeto, Maria Ângela Leal Rudge, a biblioteca também é direcionada à escola, parceira importante no combate à violência infantil. “Um dos problemas é que as violações de direitos são subnotificadas. A escola é uma parceira estratégica, porque ajuda na detecção precoce desses fenômenos. Assim, é fundamental sensibilizar a escola para conhecer essas violações e aproximá-la dos órgãos de defesa”, justifica. Confira a entrevista completa abaixo.
 
NET Educação – Como surgiu a ideia da Biblioteca Digital Crescer Sem Violência?
Maria Ângela Leal Rudge – O projeto foi uma parceria com o professor Benedito Rodrigues dos Santos [pesquisador da Universidade Católica de Brasília e consultor da Unicef-Brasil]. Era necessário socializar matérias que embasassem ações de combate à violência e ao trabalho infantil em municípios da Amazônia e semiárido, principalmente em relação a conselhos municipais, tutelares e gestores. Fizemos uma seleção de trabalhos e materiais e enviamos para diversos atores sociais por pendrive, uma vez que há cidades onde o acesso à internet é limitado. Decidimos, então, reunir e disponibilizar também em uma biblioteca digital. Muitos deles já eram encontrados na web, mas estavam dispersos, o que dificultava a sua busca.
NET Educação – Que tipos de materiais são encontrados?
 
Maria Ângela – São materiais pouco acadêmicos e de fácil leitura. Cartilhas, manuais, textos, vídeos e links para sites importantes com o intuito de orientar a construção de projetos, planos e estruturar políticas públicas. Trabalhamos a partir de sete eixos: violência contra crianças e adolescentes; trabalho infantil; acolhimento institucional e familiar; atendimento socioeducativo; ações de prevenção e atuação nas situações de desastres; Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e Conselho Tutelar.
NET Educação – Qual o objetivo da biblioteca?
Maria Ângela – Ajudar na integração e na instrumentalização de toda a rede e auxiliar no compartilhamento de informações de forma adequada. Para combater a violência, é fundamental uma rede capilarizada. Em linhas gerais, as bases de dados no Brasil não conversam. Os dados do Disk Denúncia, por exemplo, não dialogam com os dados da saúde e assim por diante. Com isso, é difícil termos uma leitura clara das informações. Nacionalmente, a própria área da infância está estrutura em dois locais diferentes: o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e na Secretaria Especial de Direitos Humanos. Isso, por si só, já é uma questão delicada.
 
NET Educação – De que forma a escola pode ajudar no combate à violência infantil?
Maria Ângela – Um dos problemas da violência infantil é que as violações de direitos são subnotificadas. A escola é uma parceira estratégica porque ajuda na detecção precoce desses fenômenos. Assim, é fundamental sensibilizar a escola para conhecer essas violações e aproximá-la dos órgãos de defesa. Quebra-se esse paradigma da escola de se calar. Para isso, ela necessita entender a lógica da quebra dos direitos da infância quando esses ocorrem próximos a ela.
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