Publicado em
28 de abril de 2017
Fácil acesso à informação e possibilidade de se comunicar além das distâncias geográficas são duas vantagens da tecnologia que podem ser aproveitadas na educação. Contudo, elas sozinhas são insuficientes para favorecer a aprendizagem, segundo a professora da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Tecnologia Educacional e Educação a Distância (GETED), Maria Cristina Lima Paniago.
As pesquisas do grupo coordenado por Cristina resultaram no livro “Educação na Era Digital: entrelaçamentos e aproximações”. “Acesso à informação e à comunicação com outras culturas não bastam se não nos apropriamos disso de uma maneira crítica, de forma que tenham um significado nas nossas práticas de ensino”, explica. “Dizemos muito: hoje é a informação que chega até nós. Mas como transformar essa informação em conhecimento, com o intuito de melhor as nossas vida e relações?”, questiona.
Confira, abaixo, a entrevista completa com a pesquisadora.
Quais as possibilidades de aprendizagem que a educação na era digital nos traz?
Maria Cristina Lima Paniago – A primeira delas é o acesso à informação, tanto em quantidade como em facilidade e rapidez. A segunda é a comunicação. Hoje conseguimos falar de um para um e de um para todos com rapidez e independente da distância geográfica. Mas essas possibilidades estão atreladas a desafios.
Quais, por exemplo?
Maria Cristina Lima Paniago – Não basta ter acesso à informação e rapidez para nos comunicarmos se não nos apropriamos disso de uma maneira crítica, de forma que essas duas possibilidades tenham um significado nas nossas práticas de ensino. Dizemos muito: hoje é a informação que chega até nós. Mas como transformar essa informação em conhecimento, com o intuito de melhor as nossas vida e relações?
Dentro desse contexto, quais são as competências necessárias ao professor?
Maria Cristina Lima Paniago – Primeiramente, o professor precisa de formação inicial e continuada. E não digo formação apenas instrumental e técnica. Estas também são necessárias, mas não suficientes. A formação deve problematizar a inserção das tecnologias no contexto educacional, enxergando-as como algo que vem para somar. Que as tecnologias educacionais possibilitem ao professor problematizar questões emergentes e ensinar numa perspectiva colaborativa, de diálogo e de protagonismo do aluno.
Como as redes sociais podem ser aproveitadas nesse processo?
Maria Cristina Lima Paniago – Primeiro, precisamos desconstruir as ideias de que as redes sociais são benéficas ou maléficas. Elas, por si só, não podem ser avaliadas. É a apropriação delas por professores e alunos e seu uso no contexto educacional que faz a diferença. Os alunos estão inserido nessas redes e, talvez, a grande sacada seja entendermos como isso pode somado na aprendizagem. Outro ponto é na formação do professor. Redes como Facebook são um espaço importante para a partilha e a socialização de experiências.
Quais as vantagens dos materiais digitais para a formação continuada desse professor?
Maria Cristina Lima Paniago – Comparado com o passado – quando tínhamos que ir in locu para buscar materiais de pesquisa – hoje a internet nos traz esses documentos com facilidade. Mas como a gama de possibilidades é grande, faz-se necessário uma perspectiva critica e de seleção para garimpar o que se está buscando. Outro ponto interessante é que podemos ser autores e coautores nas construção de muitos materiais digitais. Há uma perspectiva de colaboração, da qual a educação se beneficia.
Como você avalia a educação no Brasil frente à era digital?
Maria Cristina Lima Paniago – Há algum investimento em relação à inserção de computadores, tablets e afins em sala de aula. Contudo, a tecnologia apenas traz possibilidade quando subsidiada pelas pessoas: professores e alunos. Educação de qualidade exige formação professores para práticas que sejam criticas e oferecer a eles uma infraestrutura. Não basta ter tecnologia se nossas pratica continuarem sendo as tradicionais.
Veja mais: