O mercado editorial brasileiro ainda prioriza produções escritas por homens brancos e da região sudeste, conforme apontou levantamento da pesquisadora Regina Dalcastagnè e do Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea da Universidade de Brasília (UNB). Segundo a pesquisa, 70% dos livros publicados entre 1965 e 2014 foram produzidos por homens, sendo metade dos autores do eixo Rio-São Paulo.

Em uma realidade em que a poesia também é subvalorizada em relação à prosa, a produção de mulheres poetas do Norte e do Nordeste acaba sendo invisibilizada. A escola, porém, pode ajudar a fazer frente ao problema quando aproxima os alunos dessas autoras. É o que aponta a pesquisadora formada em Letras-Espanhol pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e criadora do Instagram literário Impressões de Maria (@Impressoesdemaria), Maria Ferreira. “Para alunos que residem no Norte e no Nordeste, apresentar a obra das autoras da região pode funcionar como um espelho de representatividade. Eles terão modelos intelectuais para se espelharem em suas próprias buscas futuras dentro da educação, poesia, e artes em geral”, justifica a especialista.

“Para os meninos, ver mulheres poetas pode desconstruir a ideia masculinizada de poesia e literatura. Já para as meninas, ver mulheres poetas conscientiza que mulheres também possuem lugar de destaque nessas áreas”, complementa. Já para os alunos de outros estados, enfatiza-se que há arte fora do eixo sul-sudeste. “Eles irão se transformar em adolescentes e jovens adultos conscientes da vastidão e riqueza da poesia brasileira”, destaca Ferreira.

Confira, a seguir, cinco livros para apresentar poetisas do Norte e Nordeste aos estudantes da educação básica.

Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis

Jarid Arraes, Editora Seguinte, 2020
Nascida em Juazeiro do Norte, Jarid Arraes usou o cordel para imortalizar a memória de quinze mulheres negras que marcaram a história brasileira. “Reconhecê-las é uma forma de combater o racismo e o machismo e construir um país com equidade e diversidade nas diversas áreas do conhecimento”, afirmou em entrevista ao Instituto Claro.

 

Mulher-palavra

Thaíse Santana, Editora Patuá, 2021
Oriunda de Itabuna, no sul da Bahia, e doutoranda em literaturas pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Thaíse Santana reuniu poemas produzidos entre 2011 e 2021 em seu livro de estreia. Sua obra relembra desde a infância catando cacau em quintais até suas dores e resistências como mulher negra.

Já fui água um dia

Ana Fátima, Editora Penalux, 2019
Mulher baiana e preta, Ana Fátima narra sobre liberdade, prazer, maternidade, musicalidade, ancestralidade, religião e o amor em sua obra “Já fui água um dia”.

 

Ay Kakyri Tama – Eu moro na cidade

Márcia Kambeba, Editora Jandaíra, 2018
Ay kakyri tama significa “Eu moro na cidade” em tupi-kambeba. A frase dá título ao livro de poemas de Márcia Kambeba, poetisa da etnia Omágua/Kambeba. Nele, ela constrói uma ponte entre sua origem indígena e a vida em Belém do Pará.

Lutar é crime

Bell Puã, Editora Letramento, 2019
Mestre em história, a recifense Bell Puã é vencedora de Slams regionais e nacionais. Pelo seu segundo livro, Lutar é Crime (Letramento, 2019), foi finalista do Prêmio Jabuti de Literatura no ano de 2020. Nele, a poeta fala sobre amar e lutar em uma realidade brasileira permeada de desigualdades sociais.

Veja mais:

5 livros de literatura periférica para apresentar aos estudantes

8 poetas contemporâneos para apresentar aos alunos

Conceição Evaristo usa “escrevivência” para mostrar realidade dos negros no Brasil

Livro “Quarto de despejo” é objeto de estudos no Brasil e no exterior

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