Confira o vídeo com audiodescrição

Sarah Fernandes

Um doce diferente vem conquistando o paladar dos moradores de pelo menos cinco municípios de Rondônia: o chocolate artesanal com alto teor de cacau. Produzido por agricultores de assentamentos ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o chocolate além de ser orgânico e natural tem sido uma alternativa para reflorestar áreas desmatadas da Amazônia e gerar renda para as famílias locais.

Os agricultores trabalham em toda a cadeia produtiva do chocolate, desde a plantação dos pés de cacau dentro dos lotes à venda do doce, passando pela colheita da fruta e pelo preparo com receitas próprias. “No plantio de cacau a gente refloresta áreas degradadas. Isso porque nós não plantamos só o cacau, mas consorciamos com outros tipos de árvores, como o mogno, cerejeira, o açaí, a pupunha e a castanha”, conta a agricultora Zonália Neres dos Santos, do assentamento Madre Cristina, no município de Ariquemes (RO), região central do estado.

Entre agosto de 2018 e julho de 2019, o desmatamento na Amazônia atingiu o pior patamar da década, com um aumento de 29,5% em relação ao período anterior. Foram desmatados 9.762 km², o que é quase a área do Líbano, de acordo com dados do projeto Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe). Rondônia registrou o quatro maior índice de desmatamento entre os estados da Amazônia.

O lucro dos agricultores é maior com a comercialização do chocolate do que com a venda da amêndoa do cacau para os atravessadores – intermediário entre o produtor e empresas comerciantes do produto –, que exportam o produto para grandes empresas multinacionais. “Com um quilo de cacau conseguimos produzir até 100 barrinhas de 15 gramas que comercializamos por R$ 1 cada. Então, o valor bruto que conseguimos agregar é de R$ 100. Com o atravessador, o quilo de cacau fica por R$ 10”, explica o agricultor Carlos Frederique Ramalho Santana, do assentamento 14 de Agosto, também em Ariquemes (RO).

Rondônia é o quarto maior produtor de amêndoas de cacau do país, atrás da Bahia, do Pará e do Espírito Santo, segundo o Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2017.

Confira o vídeo com audiodescrição:

https://youtu.be/r7faAsB-MJY

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