Leonardo Valle

A população brasileira está envelhecendo. Segundo o Censo de 2014 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país possui 51 milhões de pessoas acima de 50 anos. Em 2040, a previsão é que 57% da força de trabalho no Brasil seja composta por pessoas acima de 45 anos.

Por outro lado, dados apontam que a pessoa idosa enfrenta dificuldades para se recolocar no mercado de trabalho. Um levantamento do site de empregos Vagas.com com 2.367 pessoas mostrou que o número de profissionais com mais de 60 anos que se dizia à procura de uma colocação profissional saltou de 48%, em 2012, para 72%, em 2017.

“O que vemos é que esse colaborador é mais vulnerável a ser mandado embora pelas empresas nos momentos de reestruturação ou de crise econômica, como a vivida pelo Brasil nos últimos anos. Muitas vezes, ele atinge um salário mais alto ou não tem sua experiência valorizada. Uma vez desempregado, não consegue recolocação nos mesmos moldes do trabalho anterior”, contextualiza o empresário Mórris Litvak.

Para tentar reverter essa situação, ele fundou, em 2015, a plataforma Maturijobs. O objetivo inicial era conectar profissionais com mais de 50 anos com empresas que procuravam pessoas com esse perfil, por meio do cadastro de currículos e do compartilhamento de vagas.

“O tema da longevidade me interessava. Eu já havia sido voluntário em um asilo e acompanhei minha avó, Keila, que trabalhou como tradutora até os 82 anos de idade. Percebi que não havia ferramentas voltadas para essa população, ao mesmo tempo que o país apresentava uma tendência de envelhecimento”, justifica.

Como as vagas, de acordo com Litvak, ainda são limitadas, o projeto do Maturijobs cresceu e acabou envolvendo outros segmentos. “Fazemos conteúdo e oferecemos cursos sobre empreendedorismo, startups e explicamos as mudanças no mercado de trabalho. Além disso, promovemos encontros entre os nossos participantes para network”, revela.

“O cenário não é o mesmo de 30 anos atrás e geralmente é mais interessante o profissional descobrir os serviços que pode oferecer do que buscar uma contratação”, destaca.

Os serviços de cadastro de currículo e de vagas são gratuitos tanto para os candidatos quanto para as empresas. Já a participação nos encontros e cursos são pagos, garantindo a sustentabilidade do projeto.

Vantagens mútuas

Maurício Coelho trabalha no ramo de consultoria de marketing. Em 2016, aos 50 anos, viu-se em uma situação de busca por recolocação profissional após anos contratado de uma mesma empresa.

“Era final de ano e um amigo me indicou o Maturijobs por brincadeira, e eu achei a ideia fantástica. Cadastrei meu currículo e recebi uma proposta de uma imobiliária, mas era para voltarmos a conversar por volta de fevereiro. Nesse período, recebi outro convite, dessa vez de uma empresa de consultoria recente, liderada por jovens de 26 a 28 anos”, relembra.

“Eles haviam conhecido a plataforma também naquele momento e procuravam alguém mais maduro e que tivesse bagagem profissional. A parceria deu certo e trabalhamos juntos até hoje”, comemora.

Litvak acredita que as organizações ganham quando apostam em colaboradores mais maduros. “Eles costumam ter mais conhecimento e responsabilidade, em linhas gerais, quando comparados com a geração mais jovem. Essa, por sua vez, oferece dinamismo e mais facilidade com o uso de tecnologias, mas não costuma permanecer no mesmo emprego por muito tempo. Assim, a dica é investir em uma diversidade geracional”, descreve.

“Quando a empresa consegue ter diversas gerações em seu quadro, conquista esse equilíbrio e tem mais chance de inovar. O desafio é criar esse ambiente de diálogo e interação entre gerações”, conclui.

Para o empreendedor, o aceite de pessoas mais velhas no mercado de trabalho é mais comum em países em desenvolvimento, como os da Europa, Japão e Canadá. “São países ricos e que acompanharam o envelhecimento da sua população de forma mais estruturada. O Brasil, como país em desenvolvimento, tem mais problemas e desafios. Mas podemos mudar”, garante.

Já aos profissionais que buscam emprego, Coelho deixa como dica não ter medo de se reinventar. “Passei pela experiência de estar desempregado e não ter mais o trabalho na rotina, depois de anos dedicados a um mesmo projeto e empresa. Isso é, sem dúvidas, difícil. Contudo, não se pode perder de vista que o conhecimento e a experiência que você tem ainda são valiosos e podem contribuir com o mercado de trabalho”, finaliza.

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Crédito das imagens: reprodução Facebook Maturijobs

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