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A prática de atividades físicas melhora a qualidade de vida e ajuda a manter a boa imunidade, devendo ser mantida, inclusive, durante a quarentena. O fato de ter que ficar mais tempo em casa fez com que os ‘quarentenados’ procurassem alternativas para manter o corpo em movimento. E isso inclui as pessoas com deficiência (PCDs).

“A psicomotricidade é o desenvolvimento motor e cognitivo do indivíduo. Cada um atinge patamares diferentes, de acordo com sua faixa etária, e a pessoa com deficiência vai passar por essas faixas recebendo uma carga um pouco maior de estímulo. A atividade física orientada e trabalhada por um profissional de educação física, que tem o conhecimento desta área, vai trabalhar de forma direcionada para que esse indivíduo consiga vencer esses patamares e ter um desenvolvimento adequado.”

A explicação é da profissional de educação física, pós-graduada em psicomotricidade e em esportes e atividades físicas para pessoas com deficiência pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Sarah Duarte Matos, uma das entrevistadas neste podcast.

Diante da pandemia do novo coronavírus (covid-19), o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) lançou uma plataforma de atividades físicas para pessoas com deficiência chamada “Movimente-se”.

“Nós temos vários canais na internet que oferecem formas de fazer atividade física, mas nenhum deles oferece acessibilidade para as pessoas com deficiência, ou seja, o detalhamento que um cego precisa ou a adaptação necessária para um cadeirante”, afirma Mizael Conrado, presidente do CBP e bicampeão mundial de futebol de cinco.

Vídeo apresenta atividades físicas adaptadas para cadeirantes (crédito: reprodução Movimente-se)

No áudio, ele explica como acontecem as aulas gratuitas e online, que têm versões com audiodescrição e legendas, e são divididas em módulos para cadeirantes, pessoas com paralisia cerebral, amputados e cegos.

Todo o conteúdo do “Movimente-se” é ministrado pelos técnicos do CPB e atletas paralímpicos, que demonstram como realizar cada exercício. As aulas consistem em aquecimento, atividade principal e volta à calma (relaxamento) e estão disponíveis no site da iniciativa.

Ver transcrição do áudio

Trilha, de Patrick Patrikios (biblioteca do YouTube), de fundo

Sarah Duarte:
Muitas pessoas com deficiência já vivem em quarentena há muito tempo. Eles precisam de qualidade de vida, estar com a imunidade melhor, porque eles são um grupo de risco também.

Meu nome é Sarah Duarte, profissional de educação física, pós-graduada em esportes e atividades físicas inclusivas para pessoas com deficiência, pela Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF.

Trilha do Programa “Movimente-se” de fundo

Mizael Conrado:
E o “Movimente-se” vem exatamente para atender aquelas pessoas que não são atletas e que precisam de atividade física, para saúde física, para saúde mental, para melhorar sua autoestima. Todas as pessoas, inclusive as pessoas sem deficiência.

Eu sou Mizael Conrado, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, bicampeão mundial de futebol de cinco.

Vinheta: “Instituto Claro – Cidadania”

Música instrumental, de Reynaldo Bessa, de fundo

Marcelo Abud:
Qual a importância da prática de exercícios para a pessoa com deficiência física ou visual? Nesta edição, você vai entender como funciona o programa que oferece aulas gratuitas para cadeirantes, paralisados cerebrais, amputados e cegos que nunca praticaram atividade física; e vai ouvir também uma especialista no assunto.

Para Sarah Duarte, a atividade física para pessoas com deficiência deve começar com o apoio da família.

Sarah Duarte:
O papel da família é conhecer o filho, conhecer aquela pessoa da família que tem a deficiência pra saber quais são as limitações e aonde é o ponto certo de ser estimulado. A família, inicialmente, ela tem que procurar profissionais de saúde que possam dar pra ela orientações necessárias sobre aquele tipo de deficiência para, a partir daí, montar um programa, um projeto de vida para aquela pessoa. Então, se você conhece a deficiência, você tem muito mais chance de ajudar no desenvolvimento psicomotor daquele indivíduo.

Música: “Saúde” (Rita Lee e Roberto de Carvalho), com Zélia Duncan
“Eu vou é cuidar mais de mim”

Sarah Duarte:
Ele deve ser ativo, com ou sem deficiência. A partir do conhecimento da deficiência a gente planeja um grupo de atividades que possam ser realizadas dentro do seu ambiente: caminhadas na área onde ele mora; alongamentos; usar alguns pesinhos que você pode encontrar dentro de casa, como pacotinho de feijão de um quilo, garrafinhas de água pra fazer alguns exercícios substituindo o alteres. Mas o importante é: respeitar cada tipo de deficiência. Então são exercícios simples, não é, que possam ser feitos dentro de casa, mas que não extrapolem o limite da segurança.

Áudio parte um de vídeo do programa “Movimente-se”

Fábio Dias, paratleta:
No quinto e penúltimo exercício, usaremos também um cabo de vassoura simples. Você ficará de pé, apoiando o cabo de vassoura ao lado oposto da execução do movimento.

Marcelo Abud:
Mizael Conrado reforça o caráter democrático da plataforma “Movimente-se”.

Mizael Conrado:
Nós temos vários canais na internet que oferecem ali exercícios, formas de fazer atividade física, mas nenhum deles oferece acessibilidade para as pessoas com deficiência, ou seja, o detalhamento que um cego precisa; a adaptação que um cadeirante precisa. A ideia de ter uma plataforma democrática que possibilite que todas as pessoas, com deficiência ou não, possam ali se movimentar, possam fazer atividade física. Então, na verdade, tem por objetivo oportunizar às pessoas com deficiência a atividade física, ainda que em suas casas. É uma aproximação que o Comitê Paralímpico faz das pessoas com deficiência como um todo da nossa sociedade.

Marcelo Abud:
Sarah Duarte explica o que é psicomotricidade e que a pessoa com deficiência pode atingir um bom desenvolvimento motor, desde que tenha os estímulos necessários para isso.

Sarah Duarte:
A psicomotricidade é o desenvolvimento motor e cognitivo do indivíduo. Cada ser ele tem que atingir patamares de desenvolvimento de acordo com sua faixa etária e a pessoa com deficiência vai passar por essas faixas etárias recebendo uma carga um pouco maior de estímulo.

A atividade física orientada e trabalhada por um profissional de educação física que tem o conhecimento desta área ele vai trabalhar as atividades físicas direcionadas para que esse indivíduo consiga vencer esses patamares e consiga ter um desenvolvimento adequado. Lógico, que sempre lembrando que cada ser ele é único e aqueles que têm deficiência tem a sua individualidade que deverá ser respeitada.

Áudio parte um de vídeo do programa “Movimente-se”

Fábio Dias, paratleta:
Estende e relaxa, não forçando o limite, execução bem tranquila, na sua velocidade, respeitando sempre o limite do seu corpo.

Mizael Conrado:
A ideia de que as pessoas possam ir avançando ali na sua atividade. Então ela começa do básico, ou seja, realmente uma iniciação e aí ela vai progredindo, fase a fase, ela vai evoluindo as atividades. Isso tudo é feito considerando a expertise dos nossos profissionais do esporte, a pedagogia da atividade física, de modo que essas pessoas possam avançar dentro do programa e obter os benefícios que o programa pode oferecer.

Áudio parte um de vídeo do programa “Movimente-se”

Everaldo Lúcio, técnico de paratletismo:
Eu sou Everaldo Lúcio, técnico do paratletismo no Comitê Paralímpico Brasileiro… o programa será dividido por módulo. Cada módulo em torno de seis semanas. A cada semana será lançado ou publicado uma aula. A metodologia das aulas segue como uma aula normal: aquecimento, parte principal e volta à calma. Assim conseguimos prevenir lesões.

Marcelo Abud:
Mizael reforça que os exercícios apresentados online podem ser realizados por todos.

Mizael Conrado:
É possível de você fazer em casa, independentemente do espaço, são feitos exatamente para que você possa executá-los em espaço reduzido. A didática muito simples também, exatamente objetivando que todas as pessoas possam entender. Os profissionais são integrantes das seleções brasileiras, não é, isso garante sobremaneira a qualidade das atividades, a qualidade do projeto e a qualidade, certamente, do programa ao final de todas as fases.

Música instrumental, de Reynaldo Bessa, de fundo

Marcelo Abud:
As aulas voltadas para pessoas com deficiência física ou visual contam também com versões com audiodescrição. Os vídeos estão disponíveis no endereço movimentoparalimpico.com.br

Este podcast contou com o apoio de produção do jornalista Marcus Aurélio Carvalho, da Rádio ONCB, Organização Nacional dos Cegos do Brasil, e com a produção de Daniel Grecco.

Eu sou Marcelo Abud para o canal de Cidadania do Instituto Claro.

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