Uma pesquisa realizada pelo Data Favela e pelo Instituto Locomotiva, em março de 2020, aponta que as comunidades brasileiras abrigam 5,2 milhões de mães, com média de 2,7 filhos cada uma. Ainda segundo o documento, oito a cada 10 dessas mulheres dizem que a renda diminuiu por causa da quarentena ocasionada pela pandemia do novo coronavírus (covid-19).

Por conta dessa situação emergencial, a rotina dessas mães mudou. É o caso da cabeleireira Patrícia Rodrigues. “Meu trabalho precisa de muito contato físico e, por uma questão de cuidado com a minha saúde e a dos outros e respeito às minhas clientes, não estou atendendo. Está muito difícil, não vou negar”, conta a moradora da comunidade Morro da Cruz, em Porto Alegre (RS), que tem um filho de 19 anos.

Patrícia Rodrigues, da comunidade Morro da Cruz, com o filho Crystom, de 19 anos (crédito: arquivo pessoal)

 

Em uma ação de solidariedade para minimizar os problemas causados pelo coronavírus nas comunidades, o Instituto Claro e a Claro se uniram à Central Única das Favelas (Cufa) para apoiar o programa Mães da Favela, iniciativa que volta seu olhar justamente a essas mulheres, chefes de família, moradoras de regiões periféricas de 17 estados e do Distrito Federal, atingidas pelos reflexos da pandemia.

Desde o lançamento, em 3 de abril deste ano, a campanha  ajudou milhares de famílias de cinco mil favelas com cestas básicas e vales-mães no valor de R$ 120.

Kelly de Pinho, da comunidade Jequitibá, em Várzea Grande (MT) , foi uma das contempladas. Desempregada, mãe de seis crianças, foi com as doações que garantiu a alimentação de todos. “Para muitas pessoas isso não é nada, mas para quem está precisando é muito, muito mesmo.”

Kelly de Pinho, da comunidade Jequitibá, com os filhos Carlos Miguel e Isabella Valentina (crédito: arquivo pessoal)

 

Para as mães, o fato de as escolas estarem fechadas e os filhos em casa reflete diretamente no orçamento. Três em cada quatro disseram que os gastos aumentaram. Sete a cada 10 apontaram que ter as crianças em casa dificulta que a família trabalhe em busca de uma renda. No caso de Karmelita Borges da Silva, desempregada desde outubro, com o marido também desempregado e dois filhos pequenos, a solução foi tentar vender lanches na própria casa, na comunidade Liberdade, em São Luís (MA).

“As vendas caíram muito. O momento está muito difícil. Minha família foi afetada de uma maneira que não sei nem explicar”, comenta ela ao contar que, antes de ser selecionada pelo programa Mães da Favela, recebia a ajuda de vizinhos.

Karmelita Borges da Silva, comunidade Liberdade, com o marido Wilton e os filhos David e Heitor. (crédito: arquivo pessoal)

 

Valdeti da Silva, moradora da comunidade 1° de Abril, em João Pessoa (PB) passa por uma situação parecida. Ela e os três filhos viviam dos “bicos” que o marido fazia, mas que, com o isolamento social, deixaram de aparecer. “Falo por mim e por algumas pessoas, se não fosse esse valor que a gente recebeu, eu não sei o que seria. Peço a essas pessoas que estão colaborando que continuem com essa luta. Não só por mim, mas por todas as pessoas que foram ajudadas.”

Para as entrevistadas, iniciativas como essa mostram que, mesmo em um momento de crise, a solidariedade continua presente. “Nossa sensação é que ainda existe esperança e dias melhores virão. Aliás, já estão vindo com a ajuda de pessoas que nem sabem quem somos, nem nos conhecem”, pontua Rodrigues.

Valdeti da Silva, da comunidade 1° de Abril, com o marido Luciano e os filhos Kauã, Maria Luiza e a bebê Alicia (crédito: arquivo pessoal)

 

Por meio do programa Conexão Voluntária, o Instituto Claro e a Claro incentivam seus colaboradores e suas famílias, clientes e parceiros da organização a fazerem doações em dinheiro ao Mães da Favela. A expectativa é continuar as arrecadações e seguir beneficiando famílias que precisam.

Para fazer parte dessa causa e doar, acesse o site do Mães da Favela.

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