É um caminho sem volta tornar as aulas adaptadas às mais diversas necessidades dos alunos, tendo como grande aliado o uso das novas tecnologias de informação e comunicação. Computadores, comunidades virtuais, rádios, notebooks e até mesmo o celular já são premissas para o bom desenvolvimento educacional. Nesse contexto, as novas tecnologias são estruturantes do currículo escolar porque elas não são apenas suporte, mas linguagem, e para a tecnologia digital convergem diferentes linguagens. Essas são as bases do conceito do WebCurrículo, desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Educação: Currículo, Linha Novas Tecnologias, coordenado pela professora da PUC-SP Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida. A proposta dessa metodologia é rever a tradicional grade educacional e fazer com que o currículo escolar viva em constante atualização.

Divulgação/Acervo pessoal

Renata Aquino Ribeiro: “Ao invés de mandarmos
os alunos desligarem seus celulares, devemos
usá-los como ferramentas”

O WebCurrículo é uma linha de pesquisa em educação, que começou na PUC-SP e existe há algum tempo, mas os educadores começaram a pensá-la como conceito no Brasil a partir de 2007. Na época, um grupo de mestrandos e doutorandos deu início a análises de como as tecnologias deveriam estar presentes em todos os níveis da educação, sendo de modo presente e visível.

Segundo a pesquisadora Renata Aquino Ribeiro, doutoranda na mesma linha de pesquisa, até hoje a tecnologia é vista como marginal. Para ela, ao invés de os professores mandarem os alunos desligarem seus celulares, eles deveriam utilizá-los como ferramenta na educação. “Não queremos que isso seja designado para um determinado grupo”, diz.

No entanto, o uso da tecnologia como apoio educacional é utilizado há muito tempo pelos professores, só que nunca foi considerado como parte da grade escolar. Um exemplo de como a tecnologia sempre esteve presente na sala de aula acontece nos cursos dos jardins de infância, onde os aparelhos de som ajudam os professores a ensinar as crianças como falar corretamente as palavras.

Renata Aquino Ribeiro alerta sobre o uso indevido da tecnologia nas escolas, a começar pela localização. Normalmente, os equipamentos ficam separados dos alunos, em uma determinada sala escondida. Além disso, para ela, o modelo de aula comum é contra a ideologia do WebCurrículo, porque não oferece aos alunos a oportunidade de interação com o professor e os equipamentos disponíveis. “Você está dando aula ‘instrucionista’, de modo automatizado. Isso acontece com aqueles cursos de Word e Excel. Ou seja, esse formato não é construtivo, e os alunos não conseguem ter um senso critico sobre o que estão fazendo”, completa.

Papel do governo
Um dos grandes problemas para a mudança da grade escolar vem do próprio planejamento do governo. De acordo com Renata Aquino Ribeiro, muitas das propostas oferecidas demoram a entrar como Políticas Públicas porque há uma insistência em permanecer com o tradicional sistema de ensino. “É sempre um dilema com os órgãos públicos. A gente luta contra a própria essência do currículo escolar, que é contra as mudanças”, diz. “Não existe escola sem currículo, mas é preciso sair do tradicional e evoluir”, afirma.

Outra crítica da pesquisadora é que o modelo atual – de padronização dos currículos independentemente da necessidade de cada região – não oferece oportunidade a todos. “Com esse modelo, o que não existe é uma padronização e essa grade é uma camisa de força para o ensino”, alerta.

Um grande empecilho para o desenvolvimento do WebCurrículo no Brasil é a baixa capacitação para a tecnologia entre os professores. Aquino Ribeiro aponta que os educadores precisam se integrar a tudo que aconteça ao seu redor e, assim, tirar proveito como ferramenta educacional. O professor deve estar atento ao que o aluno usa, como é o caso do Orkut, que pode ser utilizado para pesquisas de determinados assuntos, como história e cultura.

“Você pode usar como exemplo a aula de português, em que o professor usa a linguagem do internetês como fonte de pesquisa, discutindo como ela é usada e de onde ela surgiu. Usando isso, os alunos podem aprender quais as conseqüências de utilizar essa variante da língua em determinadas ocasiões. A tecnologia está aí, basta ter criatividade”, conclui Renata Aquino Ribeiro.

WebCurrículo versus atenção às aulas
O projeto UCA (Um computador por Aluno), do Governo Federal, é um exemplo de que a implementação de tecnologia na grade escolar melhora a educação. Os resultados estão na tese da pedagoga Renata Kelly da Silva, que estudou como a tecnologia pode interferir na sala de aula e na vida dos educadores.

Divulgação/Acervo pessoal

Para a pesquisadora Renata Kelly da Silva, experiência
do UCA tornou alunos mais comprometidos

Com incentivo do MEC, o UCA desenvolveu laboratórios experimentais nos estados de SP, RS, RJ, TO e DF. Alunos de cinco escolas públicas – uma em cada estado – tiveram aulas de matérias como educação artística e história, com o apoio de notebooks. Estudando esse cenário, o tema de seu mestrado foi: O Impacto Inicial do Laptop Educacional no Olhar de Professores na Rede Pública de Ensino. Na EMEF Ernani Silva Bruno, localizada no bairro Parada de Taipas, em São Paulo, onde o projeto foi instaurado e estudam cerca de 1200 alunos, houve muitas mudanças. Melhorou o comportamento dos alunos, que se mostraram mais comprometidos com as disciplinas, concentrados, além de demonstrar uma interação maior com o professor. “Isso significa ter mais respeito entre eles; todos estavam otimistas para aprender”.

A pesquisa foi realizada a partir de 2007 e uma das suas fases buscou saber qual a expectativa dos professores, quanto ao uso das tecnologias nas aulas. De acordo com o resultado, todos esperavam mudanças na prática pedagógica, disponibilidade de acesso ao computador, além de obter mais conhecimento sobre o assunto que tratavam. “O uso da tecnologia favorece muito a relação entre os envolvidos, pelo respeito, pela colaboração”, comenta Renata Kelly da Silva.

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