Quem é amante da leituram, e até os que não são, já devem ter ouvido falar da trilogia 50 tons de cinza, da escritora E L James, que se tornou um dos livros mais vendidos no mundo entre 2012 e 2013. Mas o que a maioriadesconhece é que a ideia surgiu de uma fanfiction da saga Crepúsculo. Este formato de produção, que tem o nome de origem inglesa (“ficção criada por fãs” em tradução livre), é cada vez mais comum no universo das crianças e adolescentes. São histórias, pouco faladas no universo escolar, feitas por admiradores de algum produto cultural, a partir de livros, filmes, séries, cantores ou bandas favoritas, que estimulam a escrita e leitura.

Leia também:
– 
Jogos eletrônicos: bons aliados no processo de aprendizagem

Antes da popularização da internet, as produções de fanfics eram em revistas conhecidas como Fanzines. Agora, essas publicações passaram a ser em sites, blogs e redes sociais. Um exemplo é o Nyah! Fanfiction criado em 2005, incialmente para troca de histórias e fóruns entre pessoas que gostam dos mesmos animes, livros e séries. Hoje o portal conta com mais de 300 mil usuários cadastrados, 160 mil histórias e 1 milhão de acesso por mês.

Fã de Cavaleiros do Zodíaco, Camila Felacio, 29 anos, designer e escritora, começou a escrever fanfics em 1996 e hoje faz parte do grupo de moderadores do Nyah!. “Conheci o Michael Frank (Seiji) pela internet e fui convidada a participar da equipe. A ideia não é editar os textos, mas avaliar se ele foi classificado de forma correta, pois temos controle por idade, porque muitas crianças acessam o site também. Inclusive os pais podem ajudar a controlar o que o filho pode acessar” explica a Kori Hime, como é conhecida.

Na sala de aula, a fanfic pode ser uma aliada para aproximar os alunos da leitura, escrita e gramática. “Eu apresento aos meus alunos uma obra literária e mostro como é possível criar histórias a partir delas. Com isso, notei que eles passaram a interpretar melhor o texto, tendo uma leitura mais profunda dos conteúdos”, explica Tatiele Freitas, 29 anos, mestre em teoria literária e professora do 6º ao 9º da zona rural de Uberlândia (MG).

Tatiele também faz parte do Nya! Fanfction, ela atua na seção de português, com dicas e informações gramaticais. “Em 2012, criei a Liga dos Betas para fazer um atendimento personalizado para os iniciantes, mostrando onde eles estão errando e como podem melhorar. Todo mundo que passou pelo grupo deu um retorno positivo, dizendo que com o apoio melhoraram a escrita na sala de aula”, finaliza.

Imaginação sem limite
Fã do filme “Como Treinar seu Dragão”, da Dream Works, João Gabriel Rodrigues de Camargo, de 12 anos de Belo Horizonte (MG), criou com ajuda da sua mãe um blog e uma página no Facebook, com o título Um dragão por dia. O objetivo é apresentar diariamente os desenhos que ele mesmo faz.


Um dos dragões desenhado por João Gabriel
 

“Além de desenhar, também já escrevi um livro de 100 páginas chamado O Império dos Dragões e estou criando um anime, inspirado na paixão que tenho pelo Naruto”, conta João.

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

Talvez Você Também Goste

13 dicas para criar uma peça de teatro com os alunos

Professores recomendam trabalhar com jogos, improvisações, literatura e música no processo criativo

Como ensinar ginástica na educação física escolar?

Professoras indicam 8 possibilidades para desenvolver com alunos do ensino fundamental

11 formas de acolher o aluno com síndrome de Tourette

Ambiente inclusivo evita que estudantes sofram com bullying e dificuldades de aprendizagem

Receba NossasNovidades

Receba NossasNovidades

Assine gratuitamente a nossa newsletter e receba todas as novidades sobre os projetos e ações do Instituto Claro.