Quando um militar é transferido para servir o Exército em regiões longínquas do Amazonas, aspectos importantes da sua vida cotidiana e familiar precisarão ser reorganizados. Como assegurar, por exemplo, que os filhos continuem estudando dentro do sistema dos colégios militares do país, tendo acesso ao mesmo currículo praticado nos grandes centros urbanos? Desde 2002, o Curso Regular de Ensino a Distância (Cread) do Colégio Militar de Manaus (CMM) resolve essa questão: alcança cidades do Amazonas onde o deslocamento só pode ser feito de barco – com uma média de cinco a onze dias para se chegar a partir de Manaus – ou de avião. Além de atender aos estudantes filhos de militares locados em cidades como Tabagatinga, no Amazonas, e Cruzeiro do Sul, no Acre, o projeto já ajuda na educação familiar de brasileiros servindo fora do país – o programa chega também a mais 34 nações. São hoje 376 alunos estudando a distância via Cread no Brasil e fora dele.

Maíra Soares

O major Santos, responsável pelo projeto, ao lado de Carlos Seabra e Carime Kanbour, vice-presidente do Instituto Claro, durante cerimônia do Prêmio Instituto Claro, em 2009

Anular as fronteiras da educação na rede de colégios militares brasileiros, garantindo um currículo padrão, e fazer isso com estabilidade e qualidade, é o que conferiu este ano ao Cread o prêmio internacional Learning Impact Awards do IMS Global Learning Consortium, instituto norteamericano que, com 140 membros, trabalha para desenvolver e reconhecer líderes na educação a distância mundial. O programa levou o prêmio em maio, na categoria Established Initiatives (iniciativas já estabelecidas). Além do reconhecimento internacional, o projeto já havia sido premiado no Brasil, vencendo na categoria Desenvolvimento da edição 2009 do Prêmio Instituto Claro (clique aqui para saber mais).

“Começamos com 53 alunos em 2002. Desde 2007, nossa média anual se estabilizou na casa de 380 alunos. Mas a médio prazo prevemos um aumento significativo neste número, uma vez que o Exército vem aumentando muito seu efetivo na Amazônia”, afirma o major Robson dos Santos, coordenador do projeto, que falou ao portal do Instituto Claro dos Estados Unidos, onde estava para receber o prêmio. A experiência dele mostra que, em média, o militar permanece dois anos nesses locais mais remotos do Amazonas e depois retorna aos centros urbanos. “Caso não haja assistência adequada, as conseqüências para os seus filhos na educação podem ser ruins”.

Na Amazônia, o projeto usa a conexão do sistema Gesac, o programa de inclusão digital do Governo Federal. Segundo Santos, embora ainda haja problemas na conexão, gradativamente o Cread observa uma melhora na qualidade do acesso à internet. O desafio mesmo – e o mérito ao qual o major atribui o sucesso do Cread e os prêmios que recebeu – é do desenvolvimento e adequação do material e do conteúdo didático do Colégio Militar para o ensino a distância e da participação dos pais dos alunos no programa. “Apesar do projeto estabilizado, a diretriz é a evolução permanente dos nossos processos. Nesse contexto, o material didático é um dos fatores mais importantes. Os prêmios que recebemos, além de reconhecer o nosso trabalho, ajudam a melhorar o que já foi feito”.

O major Santos explica que o conteúdo dos materiais didáticos – produzidos pela equipe de Seção de Ensino a Distância do Colégio Militar de Manaus com base na estrutura curricular do Sistema Colégio Militar do Brasil – é revisto constantemente. A preocupação, além da qualidade do material, é saber convergir o conteúdo que é apresentado em diferentes formatos – CD, DVD, impressos, além do uso de ambientes virtuais de aprendizado. Há um plano para a convergência dessas mídias.

Os alunos são avaliados por meio de participações online, realização de trabalhos e exames presenciais. Para ser aprovado, o aluno do Cread obedece ao mesmo critério do Sistema Colégio Militar – deve obter média 5,0. Dos 376 estudantes do programa, mais da metade (55%) alcança a média sem precisar de recuperação. Com a recuperação, a taxa média de reprovação é de 7%. “O acompanhamento dos pais é fundamental, e sabemos disso desde o início do projeto. No ensino a distância, sem a participação da família as chances de sucesso são mínimas”, diz o major.

Integralmente mantido pelo Exército Brasileiro, o Cread é reconhecido pelo Ministério da Educação e atende estudantes entre o 6º e o 9º anos do ensino fundamental; e entre o 1º e o 3º anos do médio. Segundo o major, a meta para os próximos anos é aumentar o número de alunos, de acordo com a demanda, e aperfeiçoar todos os processos. Para concorrer ao prêmio Learning Impact Awards, o Cread recebeu a visita in loco de doze equipes de avaliadores do IMS Global Learning Consortium, que avaliaram os processos e a prática exercida no projeto e emitiram suas notas. “Sei que avaliaram 70 projetos de 15 países. Fomos uma das únicas duas instituições que levaram o ouro”, comemora o major Santos.

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