Dentre as atividades diárias feitas com alunos das escolas públicas urbanas brasileiras, a que conta com o maior uso das TIC (Tecnologias da Informação e da Comunicação) é o ensino de como usar o computador e a internet, apesar de ocorrer de forma esporádica, atingindo apenas 2% do total das tarefas. O maior percentual (67%) é dedicado aos exercícios para prática do conteúdo exposto em aula. Em segundo lugar, ficam as aulas expositivas (49%) e depois as interpretações de textos (47%).

Os dados fazem parte da terceira edição da pesquisa sobre o uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação nas Escolas Brasileiras – TIC Educação 2012, divulgada nesta quinta-feira (23/5), pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Para realizar o estudo, 856 escolas públicas e privadas de ensinos fundamental e médio foram consultadas, com exceção das escolas federais e rurais.

De acordo com uma das coordenadoras da pesquisa, Camila Garroux, “a utilização das TIC na educação ainda é percebida como algo instrumental”, que não necessariamente está atrelado ao conteúdo pedagógico no dia-a-dia do ensino e aprendizagem.

Inicialmente, os dois maiores problemas, apontados pelos professores, são a quantidade de computadores e a velocidade da internet. Para 79% dos docentes e 71% dos coordenadores pedagógicos, o número insuficiente de computador dificulta a utilização das TIC para fins pedagógicos. Em média, de 21 computadores de mesa nas escolas, 18 estão funcionando.

Já com relação à velocidade da conexão à internet, para 78% dos diretores, 73% dos professores e 71% dos coordenadores, a lentidão no acesso à rede é o grande vilão, e impede a incorporação do uso de tecnologias e da comunicação no processo de ensino.

Das escolas públicas que possuíam computador em 2012, 89% contavam com acesso à internet. Destas 57% têm internet sem fio — contra 73% das escolas particulares. No entanto, caiu de 22% para 14% a proporção das públicas que tiveram a internet instalada há menos de dois anos.

“Os dados mostram que há realmente um desafio na utilização das TIC. As políticas públicas que fomentam a chegada do computador e a internet nas escolas estão acontecendo. Agora, não basta ter a infraestrutura, usar na sala de aula é um desafio muito grande”, aponta o gerente do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br) — que conduziu a pesquisa —, Alexandre Barbosa. Ele acredita que a meta do Ministério das Comunicações de conectar 100% das escolas públicas brasileiras até 2015 deverá ser alcançada.

Também segundo a pesquisa, entre os professores que usam computadores ou internet nas escolas públicas, aumentou para 19% o percentual que realizam alguma atividade na sala de aula, em 2012. O crescimento foi de 6% na comparação com 2011, período que o percentual alcançou 13%. Em 2010, o número atingiu 7%.

Por outro lado, caiu de 76%, em 2011, para 63%, no último ano, a utilização do computador ou internet no laboratório de informática ou a chamada sala de computadores. “Parece estar havendo uma migração do uso dos laboratórios para as salas de aula”, analisa Camila.

Perfil do professor
De acordo com os professores das escolas públicas, eles estão aderindo à tendência da mobilidade. A proporção de educadores com computador portátil pessoal aumentou dez pontos percentuais de 2011 para 2012, passando de 63% para 73%, e 8% possuíam tablet. Metade deles também declararam que levam os equipamentos às escolas, 99% utilizaram a internet nos último três meses e cresceu de 13% (2011) para 22% (2012) aqueles que acessaram a internet por meio do telefone celular.

“Apesar de ainda não conseguir levar para a sala de aula, ele está preocupado em estar conectado. Ele não se enxerga como resistente às novas tecnologias, e tem buscado conhecimento para dominar isso. No entanto, ainda diz que o aluno sabe mais do que ele”, pontua Camila.

Para ela, uma informação que reforça a iniciativa do professor é que 48% tem aprendido sozinho a usar o computador e a internet. Já 52% fez um curso específico, 29% apontam ter aprendido com outras pessoas (filhos, parentes ou amigos), 7% com outro educador, e 2% não declarou não ter aprendido a usar.

Leia também:
– Professor e gestão são chave para escola chegar ao século 21
– Adesão ao uso dos tablets em sala de aula impõe novos desafios a professores

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