Escrito por João Carlos Marinho (1935-2019) e inserido no gênero policial e de aventura, o livro “O gênio do crime” (1969) é um clássico da literatura infantojuvenil brasileira. A obra narra o cotidiano dos amigos da Turma do Gordo, que passam a investigar uma fábrica de figurinhas falsas. A trama também foi adaptada para o cinema.

“Uma fábrica clandestina começa a produzir as figurinhas raras em excesso, fazendo com que não se consiga mais bancar os prêmios vinculados a elas. Para investigar, entram em cena Edmundo, Pituca, Bolachão e Berenice. Eles descobrem que o criminoso não é comum: é um gênio do crime, iniciando um duelo de raciocínio”, resume a professora e ex-articuladora da sala de leitura da Escola Estadual Consuelo Fernandes de Magalhães Castro, de Presidente Epitácio (SP), Elisabeth Campos de Oliveira Carvalho.

A obra é indicada principalmente para estudantes dos anos finais do ensino fundamental, do sexto ao nono ano. “A trama de suspense permite que os alunos identifiquem elementos desse gênero literário, como pistas e suspeitos”, ressalta Carvalho.

Letramento literário

A professora de língua portuguesa Paula Lirôa, atual vice-diretora escolar da Escola Estadual Deputado Manoel de Nóbrega, de São Paulo (SP), diz que “O gênio do crime” é adequado para o desenvolvimento do letramento literário dos alunos.

“Os alunos do ensino fundamental II já possuem maturidade leitora para acompanhar uma narrativa longa e com múltiplos acontecimentos. Além disso, o livro favorece o desenvolvimento de habilidades previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), como compreensão e interpretação de textos literários e identificação de elementos da narrativa, como enredo, personagens, tempo, espaço e narrador”, afirma.

Para a professora especialista em currículo da rede estadual de São Paulo (SP) Sandra Lima, “O gênio do crime” permanece atual por abordar temas como amizade, cooperação, ética, coragem, justiça e resolução de problemas. “A história ainda promove debates sobre ética, regras e consequências sociais de forma acessível, estimulando o prazer pela leitura”, acrescenta Carvalho.

“Trata-se de uma obra que dialoga com os interesses dos adolescentes e oferece inúmeras possibilidades de trabalho interdisciplinar, envolvendo língua portuguesa, história, arte e tecnologia”, lista Lima.

A seguir, confira seis atividades que podem ser desenvolvidas a partir da obra.

1) Roda de leitura

Carvalho desenvolveu um projeto chamado “comunidade leitora”, no qual realizou a leitura coletiva do livro “O gênio do crime” com os alunos.

“Consistia em um grupo de estudantes que se reunia no horário do almoço, durante 30 minutos, para leitura compartilhada e colaborativa, com pausas estratégicas para reflexão. O ambiente possuía colchonete organizados em círculos, exemplares dos livros, aroma relaxante, slides com imagens relacionadas a leituras, pipoca e suco”, tudo, cuidadosamente organizado pelos estudantes.

Na E.E. Deputado Manoel de Nóbrega, as professoras Paula Lirôa, Sandra Lima e Kátia Alves desenvolveram a leitura coletiva do livro de forma online durante a pandemia com as turmas. “Os alunos falavam o que haviam entendido, se gostaram ou não e como isso podia ser associado à sua realidade, a partir das ações dos personagens, das características físicas e de personalidade”, relembra Alves.

2) Diário de leitura

Além da roda de leitura coletiva, o trio de professoras coordenou o uso de diário de leitura sobre “O gênio do crime” durante as atividades online com os estudantes da E.E.  Deputado Manoel de Nóbrega.

“Ao longo da leitura, os alunos registravam pistas, formulavam hipóteses sobre o desfecho da narrativa e discutiam suas conclusões em momentos coletivos”.

3) Reescrita

Outra atividade proposta pelas professoras da E.E. Deputado Manoel de Nóbrega, foi a reescrita de trechos do livro, agora sob o ponto de vista de diferentes personagens, assim como a criação de finais alternativos.

A proposta estimula os estudantes a compreender as motivações, os sentimentos e as diferentes perspectivas das personagens, além de desenvolver habilidades de produção textual, criatividade e argumentação.

4) Estudo sobre bairros de São Paulo

Uma quarta atividade a partir do livro realizada na escola paulistana foi convidar um professor de história para falar dos bairros de São Paulo que aparecem na narrativa. “Normalmente, muitos dos nossos alunos quase nunca saem do bairro em que vivem, ainda mais naquele momento de isolamento social”, afirma Alves.

5) Produção de resenhas, notícias ou entrevistas fictícias

A obra também permite trabalhar a produção de resenhas, notícias ou entrevistas fictícias sobre os acontecimentos da narrativa. Segundo Lima, essas atividades incentivam os estudantes a explorar diferentes gêneros textuais, adequando a linguagem e a estrutura de cada um.

6) Produção de curta-animação

Já na Escola Estadual Consuelo Fernandes de Magalhães Castro, a realização da “comunidade leitora” do livro “O gênio do crime” culminou na criação de um curta de animação inspirado na obra, produzido pela estudante Emanuely Lima Godoy e intitulado “A figurinha de Rivelino”. A atividade possibilitou integrar literatura e arte, incentivando os estudantes a reinterpretarem a narrativa por meio da linguagem audiovisual.

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