A arte abstrata, ou abstracionismo, é um movimento artístico que não busca representar a realidade de forma fiel. Em vez disso, utiliza cores, formas, linhas, texturas e gestos para expressar ideias e emoções.

“Podemos conceituar a abstração como a ausência da figuração: o uso de cores, linhas e formas orgânicas ou geométricas sem a representação da realidade concreta”, explica a graduada em artes visuais e professora de história da arte Thaiane Toledo.

O movimento ganhou força no início do século XX e conta com duas grandes vertentes.

“A primeira, o abstracionismo lírico ou informal, apresenta como característica principal a subjetividade e a expressão de emoções por meio de linhas, cores e formas”, afirma Toledo. Wassily Kandinsky, Hilma af Klint, Joan Miró e Jackson Pollock são referências.

Já o abstracionismo geométrico valoriza a ordem e a construção racional da imagem por meio de formas geométricas, linhas retas e cores organizadas. Piet Mondrian é um dos representantes desse estilo.

Ampliação de repertório

Professora de artes visuais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Simone Rocha de Abreu explica que a arte abstrata pode ser ensinada em todas as etapas da educação básica.

“Pode ser trabalhada não apenas como movimento artístico, mas nas aulas sobre cores, formas geométricas e elementos da linguagem visual, como ponto, linha e forma. Pode ajudar a ensinar o uso de formas abstratas e manchas de cor em contraposição à forma figurativa”.

Segundo Abreu, a arte abstrata amplia a imaginação e o repertório artístico dos estudantes.

“As coisas que eles veem no mundo são quase sempre figurativas. A arte abstrata permite que percebam essa mesma realidade de outra forma, entendendo que ela pode ser sintetizada em uma abstração. Um quintal de casa, por exemplo, pode ser reduzido a linhas horizontais, verticais e sinais”, completa.

Também é importante trazer referências brasileiras, como Lygia Clark, Mira Schendel, Beatriz Milhazes, Lygia Pape, Elizabeth Jobim, Hélio Oiticica, Waldemar Cordeiro, Carlos Fajardo e Nuno Ramos.

“A partir da década de 1950 e da realização da I Bienal de São Paulo, o Brasil se aproximou das vanguardas abstratas europeias e desenvolveu uma linguagem própria, como o Neoconcretismo, um movimento genuinamente brasileiro. Assim, os alunos conseguem perceber que a arte abstrata não é algo distante, mas parte importante da história da arte produzida no Brasil”, enfatiza Toledo.

Além disso, ela ressalta que é importante mostrar aos alunos que a arte abstrata e a arte figurativa têm propostas diferentes. “Por isso, não precisam ser comparadas como se uma fosse melhor do que a outra.”

A seguir, conheça sete atividades que ajudam a apresentar a arte abstrata na educação básica.

1) Expressando emoções

Indicação de Toledo, a atividade convida os alunos a explorar a relação entre cores, formas e emoções inspirando-se em artistas do abstracionismo lírico como Wassily Kandinsky e Hilma af Klint. Após uma conversa sobre como a linguagem visual pode transmitir sentimentos, o professor apresenta exemplos de obras abstratas desses representantes e propõe que cada estudante escolha uma emoção, como alegria, tristeza, medo, calma ou ansiedade, para representá-la com lápis de cor, giz de cera ou tinta apenas por meio de cores, linhas, manchas e formas abstratas. Ao final, a turma participa de uma roda de conversa para explicar suas escolhas visuais e interpretar as emoções representadas pelos colegas.

2) Explorando o abstracionismo geométrico

A proposta de Toledo apresenta os princípios do abstracionismo geométrico por meio da criação de composições com formas simples. Após observar obras de artistas como Piet Mondrian e Kazimir Malevich — podendo incluir também representantes brasileiros do Concretismo e do Neoconcretismo, como Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape e Ivan Serpa —, a turma conversa sobre equilíbrio, contraste e organização das formas. Em seguida, os alunos recortam quadrados, retângulos, triângulos e círculos de diferentes tamanhos, experimentam diversas composições antes da colagem definitiva e, ao final, comparam os resultados para discutir como pequenas mudanças alteram a composição. Para a atividade, podem ser usados papel colorido, EVA ou revistas, além de tesoura, cola, régua e lápis.

3) Transformando som e ritmo em abstração

Inspirada na relação entre música e pintura presente na obra de diversos artistas abstratos, a atividade sugerida por Toledo propõe que os alunos transformem sons, ritmos e sensações em linhas, formas e cores. O professor explica que muitos artistas buscavam representar sensações por meio da abstração. Enquanto os estudantes escutam músicas de diferentes características – calmas, agitadas, instrumentais ou percussivas – eles produzem composições abstratas que expressem aquilo que sentem ou percebem durante a audição. Podem ser usados lápis de cor, giz de cera ou tinta. Ao final, a turma analisa como os traços mudaram conforme cada música e discute a relação entre arte visual, emoção e som.

4) Criando um poema visual

A atividade indicada por Toledo aproxima os estudantes da poesia concreta ao mostrar que palavras também podem funcionar como elementos visuais. Após conhecer exemplos como “Beba Coca-Cola”, de Décio Pignatari, “Luxo/lixo”, de Augusto de Campos, e “Lua na água”, de Paulo Leminski, os alunos escolhem uma palavra ou tema, como “vento”, “saudade”, “alegria”, “tempo” ou “silêncio”, e organizam letras, palavras ou pequenos trechos pela folha, explorando diferentes tamanhos, direções, repetições e espaços vazios. A composição pode ser complementada com cores, linhas e formas geométricas ou orgânicas. Ao final, cada estudante apresenta seu trabalho e explica como utilizou os elementos visuais para comunicar a ideia escolhida. Utilize para a atividade folhas A3 ou cartolina, canetinhas, lápis de cor ou tinta guache, revistas, jornais, tesoura e cola.

5) Action painting

Action painting (ou “pintura de ação”) é uma técnica e um movimento artístico associado ao expressionismo abstrato, no qual o ato físico de pintar é tão importante quanto a obra final. A atividade indicada por Toledo convida os alunos a explorar a expressão corporal e a espontaneidade na produção artística. Após conhecerem esse movimento e observarem imagens ou vídeos de artistas como Jackson Pollock, a turma é dividida em pequenos grupos para produzir uma pintura coletiva sobre uma cartolina ou papel kraft grande. Organizados ao redor do suporte, os estudantes utilizam pincéis, respingos, manchas e gestos amplos, sem a preocupação de representar figuras ou objetos, construindo a obra de forma colaborativa e observando as intervenções dos colegas. Depois da secagem, a turma conversa sobre o processo de criação, as sensações experimentadas e os resultados visuais obtidos, e os trabalhos podem ser expostos na sala ou em um mural da escola. Utilize cartolina ou papel kraft grande, tinta guache, pincéis de diferentes tamanhos, esponjas, escovas de dente ou outros materiais para respingos e recipientes para tinta. Além de aventais, camisetas velhas, lona, jornal ou plástico para proteger o chão ou um espaço gramado.

6) Pintura com manchas e dobraduras

A atividade indicada por Abreu convida os alunos a experimentar o acaso na produção artística, aproximando-os do abstracionismo lírico. Após conhecerem exemplos de obras abstratas, o professor coloca pingos de tinta de diferentes cores, como azul e amarelo, sobre uma folha de papel. Em seguida, os alunos dobram a folha ao meio para que a tinta se espalhe de forma imprevisível. Ao abrir o papel, observam as manchas e as novas formas criadas pela mistura das cores, refletindo sobre como o resultado não representa figuras realistas e foi construído sem controle total do artista.

7) Floresta de formas inspirada em Ione Saldanha

A atividade indicada por Abreu propõe a criação de uma instalação inspirada nas obras de construção abstrata de Ione Saldanha, artista conhecida por pintar suportes tridimensionais, como ripas, bambus e outros elementos verticais. Após observar exemplos de seus trabalhos, os alunos pintam tubos de PVC, ripas de madeira ou galhos com cores, linhas e formas abstratas. Em seguida, as peças são organizadas coletivamente no espaço para formar uma espécie de floresta de elementos coloridos. “A proposta pode ser ampliada com uma discussão sobre a diversidade cultural latino-americana, convidando cada estudante a criar em seu suporte uma pintura inspirada em um país da região e a explicar as escolhas de cores, formas e símbolos utilizados”, sugere a docente.

Veja mais:  

Confira 7 atividades para trabalhar arte contemporânea na escola

Conheça 7 atividades para ensinar street art aos alunos

Aprenda 5 atividades para ensinar expressionismo nas aulas de artes

Confira 5 atividades para ensinar impressionismo em sala de aula

Descubra 5 atividades para ensinar pop art aos alunos

Explore 3 atividades para ensinar dadaísmo na escola

Conheça 4 atividades para ensinar cubismo em sala de aula

Conheça 4 atividades para ensinar futurismo

Crédito da imagem: VeeStudio89 – Getty Images

Talvez Você Também Goste

Ansiedade em crianças e jovens: como dar apoio na escola?

Material online gratuito auxilia professores no desenvolvimento de estratégias de cuidado e escuta ativa

Conheça 4 atividades para ensinar futurismo

Propostas utilizam pintura, escultura e recortes para explorar ideia de movimento e velocidade

Racismo na escola: como criar um protocolo de acolhimento às vítimas?

Especialistas apontam como proceder frente a situações de discriminação

Receba NossasNovidades

Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Receba NossasNovidades

Assine gratuitamente a nossa newsletter e receba todas as novidades sobre os projetos e ações do Instituto Claro.