Imaginar, programar, compartilhar. Esses três conceitos, juntos, são a essência do software Scratch, que, desenvolvido no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), vem sendo utilizado no Brasil em um projeto que tem como objetivo final proporcionar a crianças e jovens a autonomia para a aprendizagem através de práticas com o computador. A iniciativa, ainda em fase de iniciação, é da ONG Pensamento Digital, situada em Porto Alegre, a qual tem como lema “conectar comunidades ao desenvolvimento”.

O Scratch, que permite aos usuários criar, dentre outros elementos, suas próprias histórias interativas, animações e jogos, foi levado à instituição pela coordenadora geral Marta Voelcker para servir como uma ponte entre as comunidades e o desenvolvimento. A principal ação da ONG, entretanto, não ocorre diretamente com os alunos, mas com educadores sociais e professores, em formato de cursos de formação.

A iniciativa de preparar profissionais para usarem tal software e, consequentemente, disseminarem nos ambientes de ensino a “filosofia” de que alunos que aprendem a programar desenvolvem habilidades com o pensar criativo, a comunicação clara, a colaboração em rede, além do uso fluente das tecnologias, rendeu ao Pensamento Digital o Prêmio Instituto Claro – Novas Formas de Aprender.

O projeto “Scratch: um novo olhar para educação”, inscrito pela especialista em EAD e uma das coordenadoras de projetos da ONG Sabrina Silva da Silveira, foi um dos três premiados da categoria Desenvolvimento e arrebatou R$ 26.322,00, valor que possibilitará a ampliação do processo de formação.

Maíra Soares

Sabrina da Silveira, da ONG Pensamento Digital, na entrega do Prêmio Instituto Claro

“Queremos multiplicar os atores por acreditarmos no potencial desse projeto. O Scratch faz com que os jovens aprendam de forma articulada ao mundo em que vivemos”, diz Sabrina. Até o momento, afirma ela, cerca de 300 pessoas já participaram de oficinas pontuais e de cursos ministrados virtualmente na plataforma Moodle.

Com o recurso adquirido no prêmio, a meta é promover formação completa de 40 educadores para que eles consigam explorar todas possibilidades do Scratch nos ambientes onde atuam. Seguindo formatos que já se mostraram eficientes em outras ações da ONG, o curso mais abrangente unirá atividades presenciais e outras realizadas em um ambiente virtual de aprendizagem (AVA).

Histórico de programação
Doutoranda do Laboratório de Estudos Cognitivos (LEC), na UFRGS, Marta Voelcker, coordenadora geral da ONG Pensamento Digital, é orientanda da professora Léa Fagundes, que, desde a década de 70, é entusiasta do ensino que preza pela criação e autonomia dos alunos. Responsável por levar ao LEC, há mais de 30 anos, a linguagem de programação LOGO, criada pelo educador e matemático Seymour Papert, Léa Fagundes é incansável na defesa de mecanismos que seguem a linha do pesquisador, caso do Scratch. Ela costuma afirmar que através deles os educandos podem ser “pequenos engenheiros, cientistas e artistas”.

A linguagem LOGO, que representou, ao ser criada, uma nova perspectiva para a educação, também foi desenvolvida nos laboratórios do MIT. O Scratch é, então, uma releitura do trabalho do sul-africano Papert. Assim como Léa Fagundes, que esteve em Massachusetts pesquisando “na fonte” o que era inovação anos atrás, Marta Voelcker também já foi buscar no reconhecido instituto referências que pudessem auxiliar a ONG Pensamento Digital a realizar um trabalho de excelência com o software americano.

A integração com o MIT pode ser vista em ações como o Scratch Day, data criada pelo instituto com a intenção de ser comemorada anualmente por todas as instituições no mundo que promovem o software e reconhecem o seu potencial. “Fizemos um excelente Scratch Day, com atividades para diversas faixas etárias e mais uma vez constatamos o quanto a programação entusiasma jovens e adultos”, conta Sabrina Silva da Silveira, uma das gestoras de projetos da ONG.

Quando indagada se o Scratch significa uma “evolução” da linguagem LOGO, Sabrina hesita: “Não devemos, talvez, chamar de evolução, mas, de fato, quando vamos apresentar o Scratch durante as oficinas, fazemos, sim, a comparação entre LOGO e Scratch, pois o objetivo de ambas é quase o mesmo. Se no LOGO temos a famosa tartaruga, no Scratch temos um gatinho, mas não só o gatinho. O Scratch vai bem além.”

Ela destaca que o software tem o seu próprio banco de imagens e ainda permite importações da web. Por ser sofware livre, permite, ao ser baixado, ajustes ao ambiente onde será utilizado. Para um melhor uso dos educadores e alunos no Brasil, a Pensamento Digital e o LEC uniram esforços e traduziram o software do inglês para o Português.

Agora, a versão traduzida será exaustivamente explorada no município de Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre, o primeiro a receber as ações do projeto premiado pelo Instituto Claro.

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