A importância das TIC na Educação

 

As TIC podem ser caracterizadas como todos os recursos tecnológicos utilizados para mediar a comunicação e a troca de informações entre os indivíduos, ou seja, compreende o uso de hardwares, softwares, sistemas de telecomunicações e tecnologias digitais como facilitadores desses processos. Elas podem ser empregadas em diferentes áreas de atuação no mercado, fazendo uma grande diferença se forem bem utilizadas.

Com o uso dessas tecnologias, é possível aprimorar e aprofundar o ensino, seja para a realização de pesquisas durante a própria aula, para exemplificar o que está sendo ensinado e trabalhar com fotos e mapas, por exemplo. Elas permitem também que os alunos sejam mais ativos e interativos, como é o caso da Sala de Aula Invertida, em que os estudantes aprendem o conteúdo fora do espaço da escola, que fica destinada para atividades presenciais e dúvidas. Acontece uma maior aproximação dos estudantes com os professores, uma vez que sites e aplicativos possibilitam novos caminhos de comunicação, que vão além dos muros e do horário das escolas. No Brasil muitas escolas já têm acesso a esses recursos, mas ainda falta uma capacitação para que educadores encontrem formas de utilizá-los de forma realmente benéfica.

Como as TIC são usadas atualmente?

Segundo Regina de Assis, consultora de Educação em Mídia e ex-secretária de educação do Rio de Janeiro, as TIC são pouco exploradas na educação, com apenas algumas iniciativas e núcleos escolares empregando-as de forma inovadora. Uma pesquisa realizada pelo CETIC.br sobre o uso das tecnologias na educação em 2013 indica que 46% dos professores utilizam computador e internet com os alunos (10% a mais do que no ano anterior). O uso de tablets aumentou de 2% para 11% no mesmo período, porém, esses recursos não são utilizados de forma verdadeiramente integrada às disciplinas.

Algumas políticas públicas foram criadas para democratizar o acesso às tecnologias nas escolas. Em 2007, o Programa Nacional de Informática na Educação (Proinfo), criado dez anos antes com o objetivo de promover o uso dessas ferramentas nos Ensinos Fundamental e Médio, ganhou um novo nome, Programa Nacional de Tecnologia Educacional, e passou a incentivar o uso pedagógico das TIC em toda a Educação Básica.

A partir de então, foram criados três projetos: Um Computador Por Aluno (PROUCA), que distribui computadores portáteis para alunos da rede pública; Banda Larga nas Escolas (PBLE), que incentiva as empresas de telefonia a oferecerem infraestrutura de conexão à internet nas escolas públicas; e o programa de distribuição de tablets para professores das escolas estaduais do Ensino Médio.

 

O Ministério da Educação oferece ainda um programa de tecnologia a serviço da Educação Básica, que inclui a TV Escola, uma televisão pública com conteúdos voltados para educadores, o Portal do Professor, que disponibiliza conteúdos virtuais e um espaço de compartilhamento para os profissionais, e o Guia de Tecnologias, que auxilia na aquisição de novos equipamentos.

Quais as causas desse cenário?

A consultora enumera três motivos centrais para o cenário atual. O primeiro e mais simples deles é a falta de conexão rápida e de qualidade: 95% das escolas da rede pública têm acesso à internet, mas em 52% delas a velocidade é muito baixa. Esse fator é apontado como um grande obstáculo para desenvolver atividades online.

Em seguida, há a questão da formação dos educadores. Durante a graduação, seja em Pedagogia ou Licenciatura – cursos que preparam professores do Ensino Infantil, Fundamental e Médio –, os estudantes têm pouco ou nenhum contato com matérias que abordam a questão das tecnologias. Além disso, muitos profissionais trabalham na área há mais de 10 ou 15 anos, período de maiores transformações, e são escassos os mecanismos disponíveis para que se instruam sobre as novidades. Hoje em dia, caso queiram aprender sobre o tema, os educadores recorrem a sites, grupos de discussão, blogs, colegas ou à própria iniciativa e criatividade.

A terceira causa tem sua origem nas políticas públicas, que estão focadas na distribuição de equipamentos ou recursos financeiros, mas sem orientações sobre sua utilização. Essas políticas recomendam, ainda, que seja criado um laboratório de informática, presente já em 76% das escolas brasileiras. Contudo, esses espaços são usados para ensinar a usar os programas do computador, o que muitos alunos já sabem muito bem. O ideal é que o conhecimento sobre o uso desses recursos sirva como suporte às disciplinas tradicionais, dentro da sala de aula que utilizam para todas as outras matérias. Para que isso seja feito, é essencial que esses recursos estejam disponíveis nas classes durante todo o período de aula e não destinados apenas para uso temporário.

O que pode ser feito para que haja mudanças?

Em primeiro lugar, é preciso melhorar as condições estruturais das escolas, o que inclui oferecer uma conexão de qualidade, além do suporte integral de profissionais de TI para solucionar eventuais problemas. Também se faz necessário otimizar o uso e a distribuição dos recursos: “Escolas pequenas têm 500 alunos. Como todos eles irão usar 30 computadores toda semana? O que tem que ser pensando é quantos alunos existem nas escolas e quantos computadores devem ir para as salas de aula – e não para laboratórios”, questiona a consultora. Uma possibilidade é que, para uma turma com 30 alunos, haja pelo menos seis computadores disponíveis na própria sala de aula, que são usados por metade dos estudantes, em duplas, enquanto os demais desenvolvem outras atividades.

Em seguida, há a questão da formação dos professores. Regina afirma que a resistência em aceitar a nova realidade e incorporar as tecnologias é menor do que em anos anteriores, de forma que os professores estão interessados em explorar o que as TIC têm a oferecer. Assim, defende ser essencial atualizar os cursos do Ensino Superior, de forma que as TIC passem a fazer parte do currículo acadêmico. E tratando-se de um tema em constante mudança, também é importante investir na formação continuada do professor, isto é, criar cursos para educadores ao longo da carreira que os ensinem sobre as inovações e como utilizá-las para compor o projeto pedagógico das escolas.

O problema das TIC na Educação deriva, portanto, de carências conceituais e estruturais. “É preciso equipar trazendo a orientação pedagógica de como integrar os computadores e a internet para melhorar e aprofundar o ensino dos conteúdos”, resume Regina.

Projetos que integram as TIC ao ensino no Brasil e no mundo

Entretanto, mesmo com adversidades, existem projetos no Brasil que conseguem incorporar essas tecnologias ao dia-a-dia escolar. Um exemplo de sucesso é a Multirio, Empresa Municipal de Multimeios, vinculada à Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, que tem como objetivo desenvolver e apoiar iniciativas educativas para as escolas da cidade, como programas de televisão e material impresso. Suas plataformas digitais são utilizadas para divulgar outros projetos e promover a discussão entre educadores interessados no tema.

Um de seus projetos foi a criação das revistas O Tagarela, para alunos do Ensino Fundamental I, e Entre Jovens, para o Fundamental II. Os exemplares físicos são distribuídos gratuitamente no início do ano, porém estão também disponíveis para download, com recursos interativos. Em 2015, o tema foi os 450 anos da cidade do Rio de Janeiro, com diversos conteúdos sobre sua história, que podem ser explorados por alunos e professores durante as aulas.

Saindo do âmbito nacional, merecem destaque também as escolas públicas da Inglaterra, que são bastante conectadas. Nelas, são realizadas diversas atividades que interligam os alunos de diversas cidades do país. Com isso, eles compartilham informações, pesquisas e exercícios, por exemplo. Essa troca de conhecimento aumenta a qualidade do ensino, uma vez que pessoas do país inteiro estão unidas para melhorar a educação. Projetos semelhantes são desenvolvidos também na França, Alemanha e nos países escandinavos.

O investimento em tecnologia para a educação também tem sido um dos focos de Singapura que, em 2008, criou o projeto FutureSchool. Oito escolas locais foram selecionadas e receberam recursos financeiros do Ministério da Educação para investir nas TIC. A Crescent Girls School foi uma das selecionadas e hoje é reconhecida pela forma inovadora e integrada com que usa essas ferramentas durante as aulas. A instituição foi equipada com tecnologias bastante sofisticadas, mas também sabe desenvolver atividades que utilizam mecanismos mais comuns e acessíveis e todo educador, como assistir a filmes online, comentar a obra e compartilhar com os colegas pela nuvem.

Veja mais exemplos de projetos bem sucedidos que utilizam as TIC:

Escola Municipal em Jundiaí utiliza tecnologias de forma integrada em suas atividades

A Rádio pela Educação oferece conteúdo educacional produzido para e pelo aluno

Software brasileiro promove o acesso de deficientes visuais às novas tecnologias

Projeto de rádio dá formação cultural e técnica para alunos de Curitiba

Plataforma aumenta interação entre educador e alunos e dinamiza aprendizado

Na próxima reportagem da série TIC na Educação, continuaremos o assunto falando sobre a geração de alunos conectados!

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