Assim falou “Ziraldo” em uma sala de bate-papo:
– A internet é algo tão maluco que o homem ainda não sabe o que fazer com ela.

Provocado com a conversa, mais adiante, o jornalista “Júlio de Mesquita Filho” responde:
– Mas, na internet, falta o principal que é a presença do professor para difundir o debate.

Pierre Lévy prefere ampliar a discussão:
– A internet é uma projeção de tudo o que há no espírito humano.

E “Roberto Marinho”, inicia uma reflexão que poderia mudar os rumos da mídia brasileira:
– Há de se questionar a influência do meio de comunicação de massa e as questões geradas por ele para desenvolver projetos sociais que partam desse meio.

Esses são trechos de um diálogo on-line muito rico realizado no contexto da disciplina Tecnologias na Aprendizagem, coordenada pela professora Paula Carolei, da pós-graduação do Senac. Na atividade, os alunos do curso tiveram de assumir cada um o papel de um comunicador ou educador e participar de um debate sobre mídia e educação. A atividade, que utiliza o formato do RPG (Role Playing Game), tem a capacidade de despertar nos alunos a vontade de conhecer a fundo não só o conteúdo das discussões dos personagens, mas suas motivações, interesses políticos e toda a cultura e vivência pessoal que, na vida real, são sempre indissociáveis do conhecimento.

Para Paula Carolei, o uso do RPG no ensino proporciona uma aprendizagem mais ativa, lúdica e eficiente. “A diversão traz outra versão da realidade, o que é importante, já que a gente só aprende quando se projeta”, afirma. Por isso, para ela, o jogo só tem sucesso quando a pessoa consegue entrar e depois sair mergulhando nas características de seu personagem. E só depois do jogo é que são colocadas perguntas analíticas para cada participante e se começa a refletir sobre o que foi efetivamente vivenciado.

“O RPG te faz participar mais”, conta Priscila Leocádio, aluna de Paula Carolei. “Trabalho tradicional só o professor lê. Com o RPG, não, todo mundo vê, comenta e dá ideia”, explica. Outro ponto importante, lembrado pela professora Carolei, é o “elemento fantasia” que os jogos permitem e que costuma conduzir o aluno ao caminho do autoconhecimento, da descoberta de possibilidades de expressão e de limites. No ambiente concreto, a tendência é contrária e o aluno costuma trazer sempre as respostas esperadas.

O Role Playing Game
Em um jogo de RPG, há um narrador, chamado “mestre”, que estabelece fios condutores para a história e julga as ações dos personagens do jogo, criados pelos outros jogadores, seguindo o sistema de regras combinado antes da partida. De modo geral, é necessário vencer os desafios apresentados por outros personagens e pelo narrador. O jogo não tem vencedores nem duração determinada. “Cada partida é única e é impossível prever seus movimentos durante o jogo”, conta Carolei. “A gente percebe como as coisas são complexas, que toda situação tem muitas variáveis e que ninguém é uma coisa só.”

O caminho da descoberta
O RPG encontrou Paula Carolei ainda na adolescência, quando ela se sentia órfã do extinto programa Enigma, da TV Cultura, que havia despertado seu interesse por mistérios. A tecnologia a encontrou quando participou da produção do Telecurso de Biologia, depois da graduação em Ciências Biológicas.

Como professora, decidiu unir os dois e os utiliza tanto no curso do Senac como na Faculdade Sumaré, onde também é professora. Como ferramenta de trabalho, utiliza os mesmos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) empregados em qualquer curso a distância ou semipresencial, como o Moodle, por exemplo.

Próximo passo
As aulas da professora Carolei utilizam o RPG, mas não são voltadas à disseminação desse uso entre seus alunos. Na verdade, dificilmente os estudantes conseguem reproduzir a experiência quando estão lecionando. Priscila Leocádio, por exemplo, que também é professora de informática em uma escola da rede particular de ensino, utiliza as tradicionais apostilas impressas como o principal material didático, embora, como aluna, seja uma entusiasta do RPG.

Entre as dificuldades dessa passagem, apontadas por Paula e sua aluna, está o fato de os estudantes não terem uma vivência mais constante no jogo e, por isso, não se considerarem com a desenvoltura necessária para propô-lo como atividade aos próprios alunos. Para minimizar o problema, Paula Carolei não descarta a possibilidade de realizar um curso específico sobre o uso do RPG em sala de aula. Vale a pena ficar de olho.

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