A ‘reputação digital’ deve ser uma preocupação de toda a comunidade escolar. Essa foi uma das considerações da advogada de Direito Digital, Alessandra Borelli, no I Simpósio de Educação Digital da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP). O evento foi aconteceu no último dia 1º, na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.
 
“O conteúdo digital não têm devolutiva e um comportamento pouco ético pode ter consequências legais”, advertiu Alessandra. A escola, inclusive, pode responder judicialmente pelos atos de professores e alunos na internet. “Quando um aluno ou professor faz mau uso da Internet e o acesso foi pela rede wi-fi da escola, a instituição é a responsável objetiva e responderá por isso”, complementou a advogada Cristina Sleiman.  
 
Por esse motivo, as especialistas sugerem que o uso das redes sociais também seja um tema tratado transversalmente no Projeto Político Pedagógico da escola. “Hoje falamos em educar para vida. Não tem como fugir da tecnologia”, assinalou Alessandra. 
 
Professor representa escola
Para o professor, zelar por sua reputação nas redes sociais e aplicativos de mensagens também é uma forma de proteger a escola. “O professor está vinculado à instituição de ensino que ele representa. Tanto que, quando algum professor comete algum desvio de comportamento, é comum a imprensa noticiar o nome da escola vinculado ao dele”, exemplificou Alessandra. 
 
O mesmo vale para o professor que integra grupos de WhatsApp de alunos ou de pais. “Quando uma mãe fala de outro aluno nesse grupo, mesmo que o professor não se manifeste, ele estava ciente e tomou conhecimento. O ideal é que ele reporte o ocorrido à escola”, recomendou. 
 
No caso da participação docente em grupos de alunos, há ainda a questão do armazenamento automático das imagens. “Se um aluno postar a foto de uma colega de biquíni, por exemplo, o professor pode responder por armazenamento de pornografia infantil. É preciso refletir qual o limite do comportamento pessoal e do profissional”, advertiu Cristina. 

Pais são exemplo
Outro fator que deve ser levado em conta pelos professores nas redes sociais é que eles são uma referência de adulto para os seus estudantes. “Como um professor pode defender o combate ao preconceito em sala de aula se ele próprio é preconceituoso nas redes sociais?”, questionou Alessandra. Principio similar se dá em relação aos pais. “Que tipo de pai e mãe você é quando seu filho o observa na Internet? Como você resolve um conflito no Facebook ou nos grupos de WhatsApp?”, problematizou Alessandra. 
 
Para os pais, a questão ética também envolve a anuência ao comportamento dos filhos na Internet. Um exemplo é que a maioria das crianças e adolescentes que integram o Facebook não preenche o requisito de idade estipulado pela rede social, que é de 13 anos.   
 
“Há ai uma questão de falsidade ideológica com autorização dos pais. Se a criança não respeita o micro, será que ela respeitará o macro?”, questionou o delegado especialista em crimes virtuais, José Mariano Araújo Filho.
 
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