Dinamismo, disposição à inovação, criatividade, persistência, capacidade de realização e conexão social. Esses são os aspectos que Renato Fonseca destaca para que um individuo se posicione no mercado e alcance sucesso por meio de uma atitude empreendedora. Mineiro de Belo Horizonte, ele vivencia o mundo do empreendedorismo desde 1994, é mestre e doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com pesquisas desenvolvidas nas áreas de Empreendedorismo e Redes Sociais.

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Renato Fonseca, autor do livro “Conexões Empreendedoras”

Este ano, Fonseca lançou o livro Conexões Empreendedoras, da Editora Gente, em que apresenta uma perspectiva diferenciada de possibilidades e aprendizados ao leitor, revelando como esse espírito empreendedor pode mudar ambientes de aprendizagem, formais e informais, por meio das principais características comportamentais e qualidades necessárias que auxiliam no processo criativo dos indivíduos.

“Manter-se aberto ao aprendizado constante é uma das armas para detectar novas oportunidades e atingir os objetivos”, afirma Fonseca. Para ele, esse aprendizado empreendedor pode acontecer em qualquer momento e em qualquer ambiente, com diversas práticas diferentes dentro e fora da escola. “Esse conhecimento serve de base para qualquer um realizar os seus projetos pessoais e abrir sua própria empresa, se for o interesse”, diz.

Fonseca, em entrevista ao Instituto Claro, expõe o conceito de intraempreededorismo e explica como realizar as conexões para implementá-lo de forma eficiente em uma instituição de ensino. Entrelaçando os conceitos de empreendedorismo, redes sociais e novas mídias digitais, ele orienta caminhos a serem trilhados para contribuir com o fortalecimento do desejo de realização através de uma melhor utilização das redes sociais. Confira, abaixo, trechos da entrevista.

O que são as “Conexões Empreendedoras” e como elas acontecem dentro de uma instituição de ensino?

Para se destacar no mercado e alcançar resultados, é preciso estabelecer conexões, redes sociais digitais e não digitais e isso tem que começar o quanto antes. Para isso, é preciso visão e articulação social. São elas que proporcionam ao indivíduo o acesso a informações, a oportunidades e a solução de problemas. É possível trabalhar em todas as atitudes dentro da escola. Incentivar, propor desafios aos alunos, valorizar, reconhecer e dar forma as visões deles. A visão faz parte do comportamento empreendedor, e isso é algo que sempre pode ser aprimorado, pois não existe alguém perfeito em comportamento empreendedor. Sempre há o que ser aprendido.

Como você avalia o contexto do empreendedorismo na educação brasileira? Quais as atitudes para incentivar o comportamento empreendedor no aluno?

O contexto da educação empreendedora tem sido cada vez mais importante aqui no Brasil. Várias escolas estão trabalhando com o conceito de empreendedorismo, estimulando aspectos do comportamento empreendedor. Isso envolve negociação, geração de metas, trabalhos em equipe e coordenação de ações. Lá na frente toda essa experiência vai ajudar o aluno a se posicionar bem no mercado, realizar projetos pessoais ou abrir seu próprio negócio, se essa for sua opção.

Confira o infográfico sobre intraempreendedorismo nas escolas

Quando se fala em implantar o intraempreendedorismo na escola é possível pensar em atitudes eficazes com baixo custo? 

Sim. É possível realizar mudanças sem a utilização de recursos tecnológicos, por exemplo. O mais importante é a construção de ambientações que possibilitem vivências nos quais os alunos possam desenvolver comportamento empreendedor. Se existir a possibilidade de acesso a equipamentos tecnológicos, como computadores, softwares específicos, redes sociais, isso é muito legal, porque a gente passa a usar ferramentas poderosas para intensificar o que já está sendo trabalhado.

Pode citar um exemplo prático onde é possível ampliar os projetos empreendedores com uso da tecnologia na escola?

Criando uma plataforma Ning, por exemplo, os alunos podem desenvolver trabalhos colaborativos e conseguir realizar projetos conjuntos com outros alunos de idades diferentes e de cidades diferentes. Com o uso da tecnologia, é possível desenvolver projetos como esse. Mas, o que é mais importante não é a orquestração dos recursos disponíveis, e sim a ambientação e a simulação de práticas de educação empreendedora, que podem ser feitas com poucos recursos e com mais atitude.

Quando se fala em apoiar as atitudes empreendedoras dos alunos, incentivando o lado criativo e inovador, falamos também das mudanças de atitudes no sistema de ensino tradicional?

Sim. Hoje, o aluno em sala de aula com o laptop nas mãos tem acesso a um mundo de informações sobre o tema que está sendo debatido, o que contribui para o aprendizado e faz com que o professor seja mais um companheiro na jornada do desenvolvimento. Isso exige uma mudança de atitude do professor. E aí, eu acho que tem muito da humildade dele que, muitas vezes, pode não conseguir responder a uma pergunta de um aluno, por causa de um termo desconhecido ou algo parecido, e ambos juntos poderão buscar a resposta. Acho que é isso que leva ao aprendizado.

Hoje se fala bastante em intraempreededorismo na escola. O que esse conceito significa?

Trata-se da aplicação das características empreendedoras. O intraempreendedorismo é um empreendendedorismo organizacional. Em uma instituição de ensino, qualquer funcionário, um professor, por exemplo, que faz parte dessa organização, quando propõe um novo método ou resolve propor um projeto diferente, inovador, já está praticando o intraempreendedorismo. Porque, na medida que ele vai trabalhar com algo diferente, vai ter que levantar orçamento, prazos, objetivos, gestão e realizar conexões sociais.

Pode citar uma simulação de projeto intraempreendedor em que todas as pessoas e todos os ambientes da escola façam parte?

Os alunos podem ser desafiados a realizar uma feira de negócios, onde a própria feira já é um projeto empreendedor e os alunos, protagonistas do processo. No decorrer do processo, o projeto pode contar com o uso de redes sociais, colaboração da família e amigos. Isso simula um ambiente quase real, que leva um aprendizado através da vivência, estimula reflexões, promove debates na sala de aula. Essa experiência envolve todas as pessoas na escola e proporciona um aprendizado para toda a vida.

Como as mídias digitais podem articular as conexões sociais nesse tipo de educação? 

Com o aparecimento das tecnologias digitais, o mundo ficou menor e a gente consegue fazer conexões com pessoas que de outra forma seriam impossíveis. É esse o grande upgrade que a tecnologia traz e que o individuo contemporâneo do presente e do futuro tem que começar a desenvolver. Porque através dessas redes, ele tem acesso a informações, oportunidades e soluções de problemas. Porém, é importante ressaltar que o relacionamento depende da reciprocidade entre as pessoas. Não basta ter lá os contatos na sua rede de amigos virtuais. É preciso semear e aguar os contatos, no ambiente tecnológico também.

E como semear esse contato? 

Quando falamos em conexões, estamos falando em ter uma rede social a seu favor, ter capital social e uma rede de verdade. Ter pessoas com quem você realmente possa contar. No Brasil, há um aceite muito grande das redes sociais digitais. Mas há muito o que se fazer para cultivarmos relações que desenvolvam confiança e reciprocidade. Por exemplo, o individuo pode ter mil contatos em uma mídia social, Facebook, Orkut, Twiter etc., e quando ele precisa articular não pode contar com ninguém. Isso significa que, embora haja os contatos, não há capital social. Para conseguir transformar os contatos em capital social ele precisa doar seu tempo, sua atenção, disponibilizar algo que possa ajudar o outro. A partir daí, o individuo começa a abrir um relacionamento de confiança.

Quais são os passos importantes para um escola desenvolver o intraempreendedorismo?

A instituição tem que dar muita importância à inovação, à realização de novos projetos; tem que entender o perfil empreendedor para disponibilizar ferramentas para despertar isso nos alunos e nos profissionais que fazem parte da escola e, em terceiro, tem saber acolher as propostas e dar um destino a elas, uma espécie de reconhecimento ao colaborador, pois ele que vai levar o nome da escola para o mercado em que vai atuar.

O que muda para uma escola que forma alunos empreendedores?

Nesse mundo que estamos vivendo, possibilitar que os alunos apresentem suas ideias ao mundo e que aprendam a ouvir sugestões é muito importante para encorajar os projetos de realização de cada um. Então, a palavra chave do mundo contemporâneo é criar a conexão. E as instituições de ensino que acompanham esse processo só têm a ganhar.

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