A Medida Provisória 746, que reformula o ensino médio, também terá impactos negativos na educação profissionalizante. Esse foi um dos pontos levantados no Seminário Internacional “Desafios Curriculares do Ensino Médio”, na última quinta-feira (10/11), em São Paulo (SP). “A MP diz que o professor deve se apoiar em uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC) ainda desconhecida e não aprovada. O texto chega a tratar o ensino profissionalizante como mera prestação de serviços. Então, que educação profissional é essa que está sendo construída?”, questionou a diretora de Educação Básica na Pró-Reitoria de Ensino do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), Karina de Souza.
Outro ponto polêmico levantado foi a liberação de pessoas sem formação educacional para atuarem como professores no ensino médio profissionalizante – os chamados “profissionais com notório saber”. Para Karina, a MP parte de pressupostos mais mercadológicos do que pedagógicos, o que não denota uma preocupação com a formação do professor
“No dia a dia, há dificuldades em lidar com profissionais que apenas são do mercado e não são professores. Dificuldades que são positivas em certa medida e podem levar ao crescimento de todos. Contudo, assumir que qualquer pessoa pode ser professor vai contra tudo o que discutimos sobre a importância da formação docente para uma não-precarização do ensino”, ressalta.
Universidade ou técnico? 
Segundo Karina, a prática mostra que a maioria dos alunos que cursam o ensino médio profissionalizante continua seus estudos na universidade. Por quais motivos, então, eles não desejam atuar profissionalmente como técnicos? “Na Finlândia, o técnico e o graduado possuem valorização social e remuneração equiparadas, o que não ocorre no Brasil. Ou seja, a reforma também precisará ser discutida em termos sociais”, pontua ela, que participou do Programa Professores do Futuro, na Finlândia.
“Além disso, a reforma educacional ocorrida na Finlândia abrangeu todos os níveis de ensino. Antes de escolher pelo técnico ou pela universidade, todos os alunos passaram pela mesma formação na educação fundamental. Assim, uma reforma que não é total, mas foca apenas uma parte, está fadada ao fracasso mais uma vez”, opinou.
A aproximação com o mercado de trabalho na formação dos alunos e na construção do currículo, contudo, foi defendida por Karina. “A aproximação com o mercado é importante. O que precisa ser pensada é como será essa aproximação e o que queremos com ela”, finalizou.

Karina de Souza com os alunos do projeto “Ciência em Movimento”,
do IFSP (Crédito: arquivo pessoal)
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